Sexualidade em Joanna de Ângelis
Contexto doutrinário
A doutrina kardequiana fixa o quadro moral da sexualidade em três núcleos canônicos:
- LE q. 200–202 — os Espíritos não têm sexo; este é atributo do organismo. Reencarnam alternadamente como homens e mulheres (“isso pouco lhe importa”) porque “cada sexo lhes proporciona provações e deveres especiais”.
- LE q. 686–701 — a Lei de Reprodução regula o instinto sexual: a reprodução é natural; o casamento é “progresso da humanidade”; a poligamia é “sensualidade”, não afeição.
- ESE cap. XVII, item 11 (Espírito Georges) — equilíbrio explícito entre asceta e materialista: “Amai a vossa alma, porém cuidai igualmente do vosso corpo, instrumento daquela. Desatender às necessidades que a própria Natureza indica é desatender a lei de Deus.”
Kardec não desenvolve uma doutrina aplicada da sexualidade contemporânea. O Pentateuco fixa princípios; a aplicação fina fica para o estudante e os complementares — Emmanuel ocupa esse espaço com vocabulário pastoral em [[wiki/obras/vida-e-sexo|Vida e Sexo]] (1970); André Luiz com fisiologia sutil e tese ativa em [[wiki/obras/evolucao-em-dois-mundos|Evolução em Dois Mundos]] (1958) e [[wiki/obras/sexo-e-destino|Sexo e Destino]] (1963). Ver sexualidade-em-emmanuel e sexualidade-em-andre-luiz.
Joanna de Ângelis, ao longo da Série Psicológica psicografada por Divaldo Pereira Franco entre 1989 e 2011 (16 vols. — ver serie-psicologica-joanna-de-angelis), ocupa um terceiro espaço, distinto dos dois anteriores: nem tratado pastoral (Emmanuel), nem fisiologia sutil (André Luiz), mas sistematização psicológico-terapêutica em diálogo aberto com a Psicologia Profunda (Freud, Adler, Jung) e Transpessoal (Maslow, Wilber, Assagioli, Reich) ancorada no Pentateuco. O capítulo-síntese é o cap. 8 de [[wiki/obras/encontro-com-a-paz-e-a-saude|Encontro com a Paz e a Saúde]] (LEAL, 2007 — vol. 14, comemorativo do Sesquicentenário do LE), mas o tema atravessa toda a série.
A doutrina articula-se em quatro eixos operativos:
- Sexo a serviço da vida, não vida a serviço do sexo (recusa simétrica de ascetismo e libertinagem).
- Neurobiologia integrada à dignidade espiritual — hipotálamo, hormônios e endorfinas como instrumentos da Sabedoria Divina, não pretexto de reducionismo.
- Self assexuado integrando anima/animus — fundamento psicológico-evolutivo da igualdade de gênero e da dignidade homossexual.
- Amor × Eros — distinção pastoral central que substitui, no vocabulário joanniano, o “circuito magnético” de Emmanuel.
Nota de método
Este aprofundamento sistematiza as posições de Joanna como registro doutrinário interno à Série Psicológica, não como veredicto pastoral. Em casas espíritas, o tema demanda discernimento adicional, à luz do (a) caráter contemporâneo das colocações (1989-2011, em pleno embate cultural pós-Revolução Sexual e pós-despatologização da OMS); (b) hierarquia de fontes (nível 3, abaixo do Pentateuco); (c) integração da linguagem da Psicologia clínica, que não é doutrina espírita e admite revisão científica. A complementaridade com Emmanuel e André Luiz está sintetizada no quadro comparativo final.
Análise por eixos
1. “O sexo foi colocado a serviço da vida e não esta à sua servidão” (Encontro com a Paz e a Saúde, cap. 8)
A tese-síntese do capítulo dedicado é antiascetista e antilibertina, em chave estritamente coerente com ESE cap. XVII, item 11. A formulação joanniana inverte a equação invertida da modernidade hipersexualizada:
“O sexo foi colocado a serviço da vida e não esta à sua servidão. (…) O sexo, portanto, a serviço da vida, é portador de saúde comportamental, que se expande na emoção e no psiquismo.” [[obras/encontro-com-a-paz-e-a-saude|(Joanna de Ângelis / Divaldo, Encontro com a Paz e a Saúde, cap. 8)]]
A regra operativa: o juízo moral incide sobre uso, não sobre presença. A energia sexual é “dom da Sabedoria Divina” (cap. 8, recolhendo a tradição de Emmanuel em Vida e Sexo cap. 1 e da Lei de Reprodução kardequiana, LE q. 686).
2. Neurobiologia integrada à antropologia espiritual (Encontro, cap. 8 — Polaridades sexuais)
Onde Emmanuel descreve “circuito magnético” e André Luiz descreve “centro genésico”, Joanna descreve arquitetura neuroendócrina — sem materializar a sexualidade, mas integrando-a ao quadro tripartite Espírito-perispírito-corpo. Quatro mediadores articulam o quadro:
- Luliberina (hipotálamo) — “responsável pelo controle dos hormônios sexuais (…) Ao estímulo dessa área surge, por automatismo, o interesse do homem pela mulher, desencadeando o desejo sexual quase incontrolável” (cap. 8).
- Vasopressina — “responde pelos sentimentos de fidelidade, de posse, de busca para a complementação sexual” no homem.
- Oxitocina — desencadeia o desejo nos dois sexos.
- Endorfina — liberada no clímax: “para que haja bem-estar e satisfação, que podem ser prolongados pela ternura e gratidão, que devem suceder a esse momento”.
Dimorfismo cerebral é descrito sem hierarquia: “área pré-óptica do hipotálamo (…) mais volumosa no cérebro masculino”; núcleo ventromedial como centro de estímulo feminino. A leitura é instrumental, não reducionista: a “sabedoria divina (…) compôs a organização cerebral para a união sexual, qual ocorre com as demais áreas referentes às diversas funções da vida fisiológica, psíquica e emocional” (cap. 8).
A linguagem prepara o eixo seguinte: o que existe é uma máquina hormonal a serviço de um Self que a transcende. A neurobiologia descreve o “como”; a moral espírita responde “para quê”.
3. Self assexuado e individuação — anima/animus (Encontro, cap. 4)
O cap. 4 (“Comportamentos conflitivos — Machismo / Feminismo / Direitos igualitários”) fixa a antropologia evolutiva que sustentará tanto a leitura sobre homossexualidade (cap. 8) quanto a leitura sobre separações (cap. 5). A tese-síntese:
“Sendo o Self na sua estrutura psicológica assexuado, avança na escalada humana em busca da individuação, assimilando os méritos transcendentes do animus e da anima, de modo a superar os impositivos biológicos da anatomia fisiológica, resultando em harmonia psicológica e de comportamento emocional.” (cap. 4)
A formulação é rigorosamente kardequiana: LE q. 200–202 (“os Espíritos não têm sexo no sentido que entendeis”) relido com vocabulário junguiano (anima/animus). O Self é estrutura profunda assexuada; anima e animus são conteúdos psicológicos herdados de “milhares de reencarnações” [[obras/vida-e-sexo|(convergente com Emmanuel, Vida e Sexo cap. 14, e com André Luiz, No Mundo Maior cap. 11)]]. A individuação é integração das duas polaridades, não privilégio de uma.
A genealogia crítica do machismo invoca o mito da costela de Adão como construção arquetípica patriarcal — convergente com a hermenêutica alegórica de [[wiki/obras/genese|A Gênese]] cap. XI. Datas-marco mobilizadas: tecelãs de Nova Iorque (8/mar/1857), Clara Zetkin (Dia Internacional da Mulher, 1910), candidaturas femininas ao voto na América do Norte (1932), Marcha Mundial das Mulheres (2000). A âncora kardequiana é declarada: LE q. 817 (“são iguais perante Deus o homem e a mulher e têm os mesmos direitos? — Não outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?“).
4. Homossexualidade não-patológica — diálogo explícito com a OMS (Encontro, cap. 8)
Em 1990 a OMS retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais. Em 2007, Joanna registra a posição doutrinária explícita — distinta da formulação pastoral de Emmanuel (1970) e da formulação reencarnatória de Waldo Vieira (1963) por incorporar a referência clínica contemporânea como caução:
“Constatado que o homossexualismo não tem natureza patológica, nem é impositivo neuronal, conforme os estudos de nobres neurocientistas da atualidade, reconhecida a tese pela Organização Mundial de Saúde, podemos afirmar, sim, que se encontra geneticamente assinalando alguns neurônios, de forma que a produção de hormônios seja compatível com as heranças espirituais do passado, sempre as grandes delineadoras do presente e do futuro, ou com as necessidades evolutivas.” (Encontro com a Paz e a Saúde, cap. 8)
Quatro proposições articulam a leitura joanniana:
- Recusa do registro patológico. “O homossexualismo não tem natureza patológica” — formulação clínica explícita, que dispensa a casa espírita de patologizar o tema.
- Mecanismo perispiritual-evolutivo, não cármico. “O espírito progride viajando através de ambas as polaridades, masculina e feminina, facultando que, na mudança de uma para outra, por necessidade de progresso, as marcas (arquétipos) da existência anterior fixem-se na constituição atual, sem nenhum caráter de natureza cármica, punitiva, como pretendem alguns estudiosos, ou por efeito da necessidade de retificação de erros anteriormente praticados” (cap. 8). Joanna rejeita explicitamente a leitura punitiva — distinção doutrinariamente significativa em relação à tese reparativa que Emmanuel registra como uma das duas possíveis em Vida e Sexo cap. 21.
- Anima/animus prevalentes em alternância. O conteúdo psicológico do sexo anterior persiste no atual quando há mudança morfológica abrupta entre encarnações sucessivas — extensão direta do cap. 4.
- Autodeterminação moral como critério. “A conduta moral do espírito irá delinear-lhe a existência harmônica ou conflitiva, insatisfeita ou não, pela qual transitará” — a fronteira moral não é a orientação, é o uso responsável da energia sexual.
A formulação fecha o arco da tradição espírita brasileira sobre o tema, registrado na divergência mudanca-de-sexo-reencarnacao: Léon Denis (1908, estigma) → André Luiz/Sexo e Destino (1963, dignidade reencarnatória) → Emmanuel/Vida e Sexo (1970, dignidade pastoral) → Joanna/Encontro (2007, despatologização explícita com caução clínica). Cada autor opera no quadro kardequiano de LE q. 200–202; a formulação joanniana é a mais granular contemporaneamente.
5. Amor × Eros — distinção pastoral central (Amor, Imbatível Amor, cap. 2)
Onde Emmanuel formula “circuito magnético” e André Luiz formula “centro genésico”, Joanna oferece a distinção amor × Eros como categoria pastoral nuclear. A tese é desenvolvida em [[wiki/obras/amor-imbativel-amor|Amor, Imbatível Amor]] (LEAL, 1998 — vol. 9 da Série Psicológica), cap. 2:
“O amor transcende os desejos sexuais, enquanto Eros, que pode ser portador de sentimento afetivo, caracteriza-se pelos condimentos da libido, sempre direcionada para os prazeres e satisfações imediatas da utilização do sexo. O amor é permanente, enquanto Eros é transitório. (…) O amor utiliza-se de Eros, sem que se lhe submeta, enquanto esse raramente se unge do sentimento de pureza e serenidade que caracterizam o primeiro.” [[obras/amor-imbativel-amor|(Joanna de Ângelis / Divaldo, Amor, Imbatível Amor, cap. 2)]]
Três corolários organizam a aplicação:
- Hierarquia, não exclusão. Eros está integrado ao amor, não dele banido. “O amor utiliza-se de Eros, sem que se lhe submeta” — formulação convergente com ESE cap. XVII, item 11 (cuidar do corpo como instrumento da alma) e com a primeira norma de Emmanuel (“educar, não proibir”).
- Permanência × transitoriedade. Eros “agrada e desaparece voraz, como chama crepitante que arde e gasta o combustível, logo se convertendo em cinzas que se esfriam” (cap. 2). A âncora antropológica: o amor nutre o Self, Eros nutre o ego.
- Diagnóstico clínico de Reich (cap. 3 — Desejo e Prazer). Joanna registra reconhecimento e crítica da Bioenergética: “Wilhelm Reich, o eminente autor da Bioenergética, centrou, no prazer, todas as buscas e aspirações humanas (…) propondo como terapia a Teoria dos Anéis”. O reconhecimento da couraça muscular é aceito; a redução ao corpo é recusada — “a natureza espiritual do ser humano, no entanto, não mereceu qualquer referencial de Reich”. A Teoria dos Anéis descreve uma camada da fisiopsicologia, não a totalidade do ser.
A distinção amor/Eros reaparece como matriz operativa em todos os volumes posteriores da série [[obras/o-despertar-do-espirito|(vol. 10, O Despertar do Espírito; vol. 13, Conflitos Existenciais; vol. 14, Encontro com a Paz e a Saúde)]].
6. Édipo e Eletra como vínculos cármicos (Vida: Desafios e Soluções, cap. 2)
Em [[wiki/obras/vida-desafios-e-solucoes|Vida: Desafios e Soluções]] (LEAL, 1997 — vol. 8), Joanna oferece releitura reencarnacionista dos complexos freudianos que prolonga, em vocabulário psicológico, a doutrina das “vinculações” de Emmanuel (Vida e Sexo, caps. 14–15) e dos laços cármicos do lar de André Luiz (Evolução em Dois Mundos, parte II, cap. 8):
“No complexo de Édipo, por exemplo, detectamos uma herança reencarnacionista, tendo em vista que a mãe e o filho apaixonados de hoje foram marido e mulher de antes, em cujo relacionamento naufragaram desastradamente. No complexo de Eletra, deparamos uma vivência ancestral entre esposos ou amantes, e que as Soberanas Leis da Vida voltam a reunir em outra condição de afetividade, a fim de que sejam superados os vínculos anteriores de conduta sexual aflitiva.” [[obras/vida-desafios-e-solucoes|(Joanna de Ângelis / Divaldo, Vida: Desafios e Soluções, cap. 2)]]
A leitura não nega Freud — incorpora o achado clínico e o reinscreve no quadro reencarnacionista. Convergente com Emmanuel em Vida e Sexo cap. 14 (“toda a estrutura psicológica, em que se nos erguem os destinos, foi manipulada com os ingredientes do sexo, através de milhares de reencarnações”). A oportunidade é educativa, não punitiva: o lar reúne para o ajuste, não para o castigo.
7. Separações como tipologia clínica (Encontro, cap. 5)
Joanna sistematiza as separações em tipologia tripartite: litigiosas masculinas, litigiosas femininas, harmônicas. Cada gênero apresenta perfil clínico distinto — o homem foge para as lembranças do passado pré-relacional, a mulher transfere ressentimentos parentais para o cônjuge atual. As separações harmônicas preservam o respeito recíproco, especialmente quando há filhos.
A leitura é coerente com a posição de André Luiz (divórcio como “mal menor”) e com a posição de Emmanuel (divórcio como “bênção necessária contra o sofrimento indébito”), mas acrescenta diagnóstico contemporâneo dos relacionamentos virtuais via INTERNET como fonte de transtornos neuróticos: “cada qual oculta os conflitos e transfere-os para a responsabilidade de outrem, ensejam encantamentos paradisíacos, despertam paixões vulcânicas” (cap. 5). Âncoras: LE q. 755 (consequência do relaxamento dos laços de família) + Lc 17:1.
8. Sexolatria e sublimação (O Despertar do Espírito, caps. 3–4)
Em [[wiki/obras/o-despertar-do-espirito|O Despertar do Espírito]] (LEAL, 2000 — vol. 10, fechamento da primeira década da série), Joanna formula a categoria diagnóstica da “sexolatria” — fixação da existência no sexo como projeção de completude no parceiro:
“Centralizando os objetivos da existência no sexo, muitas pessoas acreditam que somente ao encontrarem alguém capaz de as completarem, é que terão conseguido o momento culminante da jornada humana. Esquecem-se, no entanto, que, passadas as novidades, tudo se transforma em rotina, especialmente quando os interesses egóicos recebem primazia e se fazem responsáveis pelas motivações do eventual encontro.” (O Despertar do Espírito, cap. 3)
A sexolatria é apresentada como sintoma de vazio-existencial — convergente com [[wiki/obras/conflitos-existenciais|Conflitos Existenciais]] cap. 15. O antídoto não é repressão; é sublimação da função sexual (cap. 4 das Atividades libertadoras), em diálogo crítico com Reich/Lowen e ancorada em Romanos 14 (“nada é impuro em si mesmo, mas o é para aquele que como tal o considera”). A energia não é negada; é canalizada — reformulação direta da posição de Emmanuel em Vida e Sexo cap. 23 (“essa energia simplesmente se canaliza para outros objetivos”).
Síntese
Joanna de Ângelis oferece, sobre a sexualidade, uma doutrina articulada em oito eixos que percorrem 22 anos da Série Psicológica (1989–2011):
- Tese-síntese: o sexo a serviço da vida (não vida a serviço do sexo) — releitura contemporânea de ESE cap. XVII, item 11.
- Neurobiológico: hipotálamo, luliberina, oxitocina, vasopressina, endorfina como instrumentos da Sabedoria Divina, integrados à antropologia espírita.
- Antropológico: Self assexuado integrando anima/animus na individuação — ancoragem evolutiva de LE q. 200–202.
- Pastoral sobre homossexualidade: não-patológica, não-cármica, evolutiva — a formulação mais explícita da tradição espírita brasileira sobre o tema, com caução da OMS.
- Distinção amor × Eros: hierarquia integrativa (Eros sob domínio do amor maduro), com diálogo crítico com Reich.
- Vincular: Édipo e Eletra como heranças reencarnacionistas — extensão psicológica das “vinculações” de Emmanuel e dos laços cármicos do lar de André Luiz.
- Tipologia clínica das separações: litigiosas (masculinas/femininas) e harmônicas, com diagnóstico contemporâneo dos relacionamentos virtuais.
- Sexolatria e sublimação: fixação patológica como sintoma de vazio existencial; sublimação como canalização, não negação.
A doutrina é coerente com Kardec em substância (LE q. 200–202, q. 686–701, q. 817; ESE cap. XVII, item 11), incorpora granularmente a Psicologia Profunda e Transpessoal sem reduzir-se a ela, e atualiza vocabularmente as posições pastorais de Emmanuel (1970) e André Luiz (1958–1963) para o contexto pós-Revolução Sexual e pós-despatologização da OMS.
Comparação com Emmanuel e André Luiz
| Eixo | Joanna (Série Psicológica, 1989-2011) | Emmanuel (Vida e Sexo, 1970) | André Luiz (Evolução em Dois Mundos, 1958 + Sexo e Destino, 1963) |
|---|---|---|---|
| Linguagem | Psicológica-transpessoal, neurobiológica, junguiana | Pastoral, psicológica, jurídica | Anatômica, fisiopsicossomática, cosmológica |
| Modelo do vínculo | ”Amor × Eros”; Self assexuado integrando anima/animus | ”Circuito magnético” entre parceiros | Centro genésico do psicossoma; “almas irmãs” |
| Sexualidade e biologia | Neuroendócrino integrado (luliberina, oxitocina, vasopressina, endorfina) | Sem detalhamento fisiológico | Centros vitais e fisiologia sutil |
| Homossexualidade | Explícita despatologização (caução OMS); sem caráter cármico-punitivo | Cap. 21: dignidade pastoral; bissexualidade adquirida; teses reparativa e missionária | Sexo e Destino Parte 2 cap. 5: dignidade reencarnatória, igualdade ante a Justiça Divina |
| Aborto | Não tratado em capítulo monográfico específico (ver aprofundamento próprio) | Cap. 17: sequela obsessiva (relacional) | Parte II cap. 14: sequela orgânica em vidas futuras |
| Divórcio | Tipologia clínica das separações; harmônica preservada | ”Bênção necessária” contra dilapidação moral | ”Mal menor” entre males maiores |
| Tom geral | Terapêutico, integrativo, contemporâneo | Indulgência, anti-censura | Disciplina, anatomia das consequências |
| Chave hermenêutica | Jung + Wilber + Maslow + Reich (criticamente) ancorados em LE | Kardec + tradição evangélica | Cosmologia evolutiva + medicina sutil |
Os três autores são complementares, não contraditórios. Emmanuel oferece o pastoreio; André Luiz oferece a fisiologia e a cosmologia; Joanna oferece a sistematização psicológico-clínica integrada à neurociência contemporânea. Quem estuda em casa espírita ganha em usar os três em paralelo — Joanna é particularmente útil para palestras com público que tenha familiaridade com Psicologia clínica.
Aprofundamento
Pontos para a casa espírita (compatíveis com o tom kardequiano e com a regra final de Emmanuel — “abstende-vos de censura e condenação”):
- A energia sexual é dom da Sabedoria Divina; o juízo moral incide sobre o uso, não sobre a presença. A neurobiologia descreve o “como”; a moral espírita responde “para quê”.
- A leitura joanniana sobre homossexualidade oferece à casa espírita a referência espírita brasileira mais explícita contra a patologização — com caução da OMS e sem nenhum caráter cármico-punitivo, distinção doutrinariamente significativa em relação à tese reparativa de Emmanuel.
- A distinção amor × Eros funciona pastoralmente bem para públicos formados em vocabulário freudiano: oferece um marco que integra (não nega) a libido, recusando simultaneamente o ascetismo e o reducionismo.
- A categoria sexolatria é útil para diagnóstico de relacionamentos contemporâneos e cultura digital — antídoto não é repressão, é sublimação como canalização.
- Os complexos Édipo/Eletra lidos em chave reencarnatória oferecem ponte direta entre a clínica psicológica e a doutrina das vinculações de Emmanuel (Vida e Sexo caps. 14–15) e dos laços cármicos do lar de André Luiz (Evolução em Dois Mundos parte II cap. 8).
- A regra geral é a do cap. 26 de Vida e Sexo de Emmanuel, reafirmada em diferentes vocabulários por Joanna: “Compadeçamo-nos uns dos outros, porque, por enquanto, nenhum de nós consegue conhecer-se tão exatamente, a ponto de saber hoje qual o tamanho da experiência afetiva que nos aguarda amanhã.”
Conceitos relacionados
- energia-sexual — eixo conceitual transversal
- lei-de-reproducao — moldura kardequiana (LE q. 686–701)
- individuacao — Self integrando anima/animus
- psicologia-transpessoal — eixo da série psicológica de Joanna
- autoconhecimento — programa terapêutico ancorado em LE q. 919
- autodesamor — categoria-mãe sistematizada em Encontro cap. 3
- vazio-existencial — contexto da sexolatria
- perispirito — substrato dos arquétipos sexuais
- reencarnacao — base dos vínculos Édipo/Eletra
- encontro-com-a-paz-e-a-saude — fonte primária (caps. 4, 5, 8)
- amor-imbativel-amor — distinção amor × Eros (cap. 2) e crítica a Reich (cap. 3)
- vida-desafios-e-solucoes — Édipo/Eletra reencarnatórios (cap. 2)
- o-despertar-do-espirito — sexolatria e sublimação (caps. 3–4)
- conflitos-existenciais — vazio existencial (cap. 15)
- sexualidade-em-emmanuel — paralelo direto (Vida e Sexo, 1970)
- sexualidade-em-andre-luiz — paralelo direto (Evolução em Dois Mundos, 1958 + Sexo e Destino, 1963)
- aborto — síntese transversal sobre o tema
- mudanca-de-sexo-reencarnacao — registro do arco Denis → André Luiz → Emmanuel → Joanna sobre homossexualidade
- serie-psicologica-joanna-de-angelis — panorâmica dos 16 vols.
Fontes
- Joanna de Ângelis / Franco, Divaldo Pereira (psicografia). Encontro com a Paz e a Saúde. Salvador: LEAL, 2007. Caps. 4, 5, 8. Edição: joanna-de-angelis-encontro-com-a-paz-e-a-saude.
- Joanna de Ângelis / Franco, Divaldo Pereira (psicografia). Amor, Imbatível Amor. Salvador: LEAL, 1998. Caps. 2 (Amor e Eros), 3 (Desejo e Prazer). Edição: joanna-de-angelis-amor-imbativel-amor.
- Joanna de Ângelis / Franco, Divaldo Pereira (psicografia). Vida: Desafios e Soluções. Salvador: LEAL, 1997. Cap. 2. Edição: 08-vida-desafios-e-solucoes-psicografia-divaldo-pereira-franco-espirito-joanna-de-angelis.
- Joanna de Ângelis / Franco, Divaldo Pereira (psicografia). O Despertar do Espírito. Salvador: LEAL, 2000. Caps. 3 (Problemas psicológicos contemporâneos), 4 (Atividades libertadoras). Edição: joanna-de-angelis-o-despertar-do-espirito.
- Joanna de Ângelis / Franco, Divaldo Pereira (psicografia). Conflitos Existenciais. Salvador: LEAL, 2005. Cap. 15 (Vazio existencial). Edição: joanna-de-angelis-conflitos-existenciais.
- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, q. 200–202, q. 686–701, q. 755, q. 817, q. 919. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII (item 11) e cap. XXII. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- Kardec, Allan. A Gênese, cap. XI. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.