O Espírito de Castelnaudary
Identificação
Espírito não identificado por nome, ligado a uma casa assombrada perto de Castelnaudary (França). Em vida (morreu em 1659, aos 80 anos), assassinou o irmão por ciúme — golpeando-o na garganta enquanto dormia — e, anos depois, matou também a mulher que desposara após o fratricídio. Evocado pela Sociedade Espírita de Paris em 1859, inicialmente mostrou-se extremamente violento; um médium vidente descreveu-o com “camisa coberta de sangue” e um punhal na mão (C&I, 2ª parte, cap. VI, “O Espírito de Castelnaudary”).
Situação no mundo espiritual
Desde a morte, permaneceu confinado à casa do crime durante cerca de dois séculos, condenado a reviver perpetuamente a cena do assassinato, sem poder dirigir o pensamento a outra coisa. No espaço, encontrava apenas “trevas e solidão”. Toda comunicação com outros Espíritos lhe era proibida. Só começou a sentir remorsos pouco antes de ser evocado; a partir da evocação e das preces, foi progressivamente aliviado: deixou de carregar o punhal, pôde sair da casa e vagar pela Terra, e passou a entrever esperança (C&I, 2ª parte, cap. VI, “O Espírito de Castelnaudary”).
Lições principais
- O inferno é pessoal e proporcional. Seu inferno era a própria casa do crime — cada culpado carrega o seu, “pelas paixões que os atormentam e que não podem saciar” (C&I, 2ª parte, cap. VI, “O Espírito de Castelnaudary”).
- Prece como instrumento de libertação. São Luís esclareceu que para desalojar Espíritos como este, basta orar por eles — e distinguiu: “Eu disse orar, e não mandar rezar” (C&I, 2ª parte, cap. VI, “O Espírito de Castelnaudary”).
- Penas adaptadas ao grau de evolução. Por ser Espírito de natureza bruta (viera de existências entre “hordas mais ferozes” e de um planeta inferior à Terra), suas penas eram quase materiais, proporcionais à rudeza de sua condição (C&I, 2ª parte, cap. VI, “O Espírito de Castelnaudary”).
Páginas relacionadas
Fontes
- Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. 2ª parte, cap. VI, “O Espírito de Castelnaudary”. FEB.