Expiação

Sofrimento decorrente das faltas cometidas, pelo qual o Espírito repara o mal praticado e progride moralmente. A expiação não é castigo arbitrário, mas consequência natural da imperfeição — cessa quando a causa que a produziu deixa de existir.

Ensino de Kardec

Definição e natureza

A expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais consequentes à falta cometida. Pode dar-se na vida presente, na vida espiritual ou numa nova existência corpórea, e dura até que os traços da falta sejam completamente apagados (C&I, 1ª parte, cap. VII, item 17).

Kardec distingue expiação de castigo divino: o Espírito sofre pelo próprio mal que fez, de modo que sua atenção, concentrada nas consequências desse mal, o leve a compreender seus inconvenientes e a corrigir-se (C&I, 1ª parte, cap. VII, item 7). A duração do sofrimento está subordinada ao aperfeiçoamento: “cessa quando o mal não existe mais” (C&I, 1ª parte, cap. VII, item 13).

Expiação e reencarnação

A encarnação é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a perfeição; é “uma espécie de filtro ou depurador de onde saem mais ou menos purificados” (LE, q. 132). As vicissitudes da existência terrena são, em muitos casos, consequência de faltas de uma vida anterior (LE, q. 984–986).

Expiação não é eterna

Os sofrimentos do Espírito culpado duram enquanto dura a imperfeição que os causa. Admitir a eternidade das penas seria negar a lei do progresso e os atributos de bondade e justiça de Deus (C&I, 1ª parte, cap. VI; LE, q. 1009).

Relação com arrependimento e reparação

A expiação é o segundo estágio da tríade arrependimento–expiação–reparação. O arrependimento é o primeiro passo; a expiação é o sofrimento consequente; a reparação é o ato concreto de fazer bem a quem se fez mal — e somente ela anula o efeito, destruindo a causa (C&I, 1ª parte, cap. VII, item 16).

Aplicação prática

Compreender a expiação à luz espírita transforma a visão sobre o sofrimento: este deixa de ser castigo cruel ou acaso e passa a ser oportunidade de progresso. Nas palestras e estudos, o conceito ajuda a responder por que pessoas aparentemente inocentes sofrem — à luz da pluralidade das existências, cada vida traz as consequências das anteriores.

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Fontes

  • Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte 2, cap. I; Parte 4, cap. II, q. 984–1009. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
  • Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. 1ª parte, caps. VI–VII. FEB.
  • Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. V, itens 4–21. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.