Um ateu

Identificacao

Sr. J.-B. D…, homem instruido, materialista convicto, que nao acreditava em Deus nem na alma. Suicidou-se por afogamento, movido pelo tedio de uma vida sem esperanca. Evocado na Sociedade de Paris dois anos apos a morte, a pedido de um parente. Seu irmao, que professava as mesmas ideias mas nao se suicidou, tambem foi evocado na mesma sessao.

Situacao no mundo espiritual

Escreve com extrema dificuldade — letra grande, irregular, convulsiva. Demonstrou colera inicial, quebrando o lapis e rasgando o papel. Declara-se “condenado” e sofre por ser obrigado a crer em tudo que negava: “Minha alma esta como num braseiro; e atormentada horrivelmente” (C&I, 2a parte, cap. V, “Um ateu”, q. 7). Evita o irmao por vergonha e pela dor compartilhada: “Exilamo-nos na desgraca; reunimo-nos na felicidade!” (C&I, 2a parte, cap. V, “Um ateu”, q. 12).

Licoes principais

  1. Materialismo como prova — Revelou que numa existencia anterior fora malvado, e seu Espirito foi “condenado a sofrer os tormentos da duvida” durante a vida seguinte, culminando no suicidio (C&I, 2a parte, cap. V, “Um ateu”, q. 8).
  2. Humilhacao do orgulho — O irmao descreveu o tormento de quem se persuadiu, por toda uma existencia, de que nada existe alem de si, e se ve subitamente diante da “deslumbrante verdade”. O orgulho envolve o Espirito “como uma roupa fatal” da qual leva muito tempo para se libertar (C&I, 2a parte, cap. V, “Um ateu”, q. 20).
  3. Esperanca pelo Espiritismo — Kardec observa que com o Espiritismo “o futuro se desenrola e a esperanca se legitima”, tornando o suicidio sem objeto (C&I, 2a parte, cap. V, “Um ateu”, Observacao apos q. 5).

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Fontes

  • Kardec, Allan. O Ceu e o Inferno. 2a parte, cap. V, “Um ateu”. FEB.