Sr. Letil
Identificação
Fabricante nos arredores de Paris, morto em abril de 1864 de maneira horrível: uma caldeira de verniz em ebulição pegou fogo e se derramou sobre ele, cobrindo-o de matéria incandescente. Teve coragem de percorrer mais de duzentos metros até sua casa. As carnes se soltavam aos pedaços; os ossos ficaram expostos. Viveu ainda doze horas em sofrimentos atrozes, mantendo lucidez completa e pondo ordem em seus negócios. Não soltou nenhuma queixa nem murmúrio, e morreu orando a Deus. Era homem honrado, doce e benevolente, adepto entusiasta do Espiritismo. Evocado na Sociedade de Paris em 29 de abril de 1864.
Situação no mundo espiritual
Ainda sob a impressão da morte trágica, revelou que, dois séculos antes, fora juiz inquisidor italiano. Condenou à fogueira uma jovem inocente de 12 a 14 anos, acusada injustamente de cumplicidade contra a política sacerdotal — tendo sido ele próprio juiz e carrasco (C&I, 2ª parte, cap. VIII, “Sr. Letil”). Seu anjo protetor o acompanhou desde o último suspiro. O conhecimento prévio do Espiritismo ajudou-o a manter coragem e resignação durante a agonia.
Lições principais
- O esquecimento do passado é benefício divino. Letil reconheceu: “se ele vos tivesse deixado a lembrança, não haveria para vós nenhum repouso na terra. Incessantemente perseguidos pelo remorso e pela vergonha” (C&I, 2ª parte, cap. VIII, “Sr. Letil”).
- O Espiritismo fortalece a resignação nas provas. Kardec observa que sua fé sincera no futuro contribuiu para que não sucumbisse durante os doze horas de agonia.
- A expiação proporcional à falta. Quem mandou queimar uma inocente na fogueira morreu queimado — a lei de causa e efeito operando pela escolha prévia do próprio Espírito.
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Fontes
- Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. 2ª parte, cap. VIII, “Sr. Letil”. FEB.