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Conflitos Existenciais
Dados bibliográficos
- Autor espiritual: Joanna de Ângelis
- Médium: Divaldo Pereira Franco
- Tipo: Livro psicografado
- Local de psicografia: Salvador-BA (assinatura final em 24 de junho de 2005)
- Editora: LEAL — Livraria Espírita Alvorada Editora
- Data: 2005 (1ª ed., ©2005 Centro Espírita Caminho da Redenção); ed. consultada — 6ª ed., 2014, 240 p., ISBN 978-85-8266-057-7
- Estrutura: prefácio “Conflitos Existenciais” + 20 capítulos breves no padrão tripartite psicogênese / transtornos / terapia
- Nível: 3 — Complementar aprovado
- Posição na série: vol. 13 da Série Psicológica de Joanna de Ângelis, sucessor direto de triunfo-pessoal (vol. 12, 2002). Catalogado pelo CIP como “Série Psicológica - Especial, volume 13”.
- Texto integral: joanna-de-angelis-conflitos-existenciais
Tese central
A obra propõe um catálogo clínico de 20 conflitos existenciais tratados sob padrão estrutural uniforme (psicogênese → transtornos → terapia) — único volume da série com essa forma de manual. A interlocução é com a Psicologia Positiva (“a visão nova da Psicologia positiva, que reage à proposta freudiana”), articulada à Psicologia Profunda e à Quarta Força (Psicologia Transpessoal).
A tese declarada no prefácio é metodológica, não de conteúdo: “Nada de novo apresentamos exceto o enfoque doutrinário que retiramos do Espiritismo e que tem faltado ao conhecimento de nobres psicoterapeutas, assim como ao de outros especialistas na área da saúde mental e emocional.” O contributo é o enfoque kardequista sobre material psicológico contemporâneo já consolidado.
A obra fecha-se em homenagem dupla: ao 140º aniversário de O Céu e o Inferno (Kardec, ago/1865), declarada no prefácio, e ao próprio Pentateuco — o último capítulo (Morte) cita literalmente o diálogo de Sócrates com seus juízes com referência explícita: “(KARDEC, Allan: O Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução.)“. O ancoramento Kardequista é, assim, demarcado tanto na abertura quanto no fechamento do volume.
Estrutura por capítulo
Prefácio — Conflitos Existenciais
Posiciona a obra como homenagem aos 140 anos de O Céu e o Inferno e antecipa o método: a herança ancestral dos Espíritos — comprovada por Darwin (sorrisos em cegos congênitos), pela observação dos povos primitivos e pela tomografia computadorizada das áreas cerebrais — converte-se, do ponto de vista espírita, em registros reencarnatórios que fundamentam os conflitos perturbadores. A felicidade é descrita como conquista fisiológico-moral integrada (dopamina + serotonina + noradrenalina + retidão moral), não oposição à infelicidade.
1 — Fugas psicológicas
Causas psicológicas · Danos imediatos e remotos · Soluções. Mecanismos automáticos de evasão da responsabilidade (mentira infantil, indiferença adulta, transferência, dissociação) lidos como bloqueios do inconsciente que postergam — não anulam — o impositivo da reencarnação. Alegoria moral central: o diálogo de Sólon com Creso em Sardes — Sólon recusa nomear o rei como o homem mais feliz, atribuindo o título a Telus de Atenas (que cuidou da mãe e morreu defendendo a cidade) e a dois jovens igualmente martirizados; Creso, derrotado por Ciro, descobre tarde que a felicidade não se confunde com poder. Solução: enfrentamento, autoperdão da culpa, encadeamento de pequenas vitórias.
2 — Preguiça
Fatores causais · Transtornos gerados · Terapia. Catálogo de matrizes (egotismo, autocompaixão, ressentimento, choque emocional não digerido), com leitura obsessivo-energética: a preguiça crônica “atrai Espíritos ociosos, que se comprazem no banquete das energias animais do paciente, tele mentalizado e conduzido às fases mais graves, de forma que prossiga vampirizado”. Convergente com vampirismo-espiritual. Terapia: oração + bioenergia + leituras edificantes + psicoterapia + atividade dirigida.
3 — Raiva
Raiva e primarismo · Raiva e transtorno emocional · Terapia. Distinção entre raiva ancestral (procedente de existência pregressa, com soberba e desrespeito não reparados) e raiva atual (educacional, decorrente de pais coercitivos ou negligentes). A psicastenia (Jung) é citada como fraqueza psíquica constitucional alternada com cólera. “Na raiz psicológica do sentimento de raiva existe um tipo qualquer de medo inconsciente que a desencadeia” — articulação com cap. 4. Aporte da terapia: o toque curador de Jesus descrito como uso superior das “sublimes energias” do Mestre.
4 — Medo
Psicopatologia · Diferentes manifestações · Erradicação. Cristalização da tese medo×amor que percorre toda a série Joanna: “a escolha é de cada um: o medo ou o amor, já que os dois não convivem no mesmo espaço emocional” e “o amor é o antídoto eficaz para a superação do medo”. Convergente com 1Jo 4:18 (“o perfeito amor lança fora o medo”) e com Mt 10:28. Catálogo das fobias derivadas (medo da morte, do desconhecido, de amar, de altura, de multidões, de animais, de adoecer, de sofrer, de morrer). A culpa ancestral inconsciente é apresentada como matriz comum. Solução: amor a si + ao próximo + a Deus, oração-terapia (especialmente quando há indução obsessiva), assumir os medos para superá-los.
5 — Ressentimento
Causas psicológicas · Efeitos perniciosos e transtornos · Terapia libertadora. Capítulo de articulação teórica explícita: contrasta Adler (sentido do poder) × Freud (sentido do prazer) × Frankl (sentido de existir). Spinoza é citado: “a emoção que é sofrimento deixa de sê-lo no momento em que dela formarmos uma ideia clara e nítida” (Ética). Crítica direta à Psicologia Negativa freudiana (que reduziria religião, ciência e moralidade a defesas elaboradas contra agressão e sexualidade). O ressentimento é descrito como “um especial arquétipo, sombra densa dominando os sentimentos humanos” e abre porta à vinculação obsessiva com mentes em desalinho. Terapia: Psicologia Positiva (gratidão, perdão, virtude, esperança) + ações meritórias como compensação reencarnatória + intervenção psicoterapêutica em casos persistentes.
6 — Culpa
A psicologia da culpa · As lamentáveis consequências da culpa não liberada · Processos de libertação. Cristalização da tese culpa×perdão: duas causas (sombra do passado reencarnatório + má-formação educacional infantil), com a fórmula “a culpa é resultado da raiva que alguém sente contra si mesmo, voltada para dentro”. Distinção operacional culpa saudável (= sentido de responsabilidade) × culpa-castigo — “Há uma culpa saudável que deve acompanhar os atos humanos quando estes não correspondem aos padrões do equilíbrio e da Ética” — antecipa em registro clínico a sistematização do autoperdão que será mais formalizada em o-despertar-do-espirito (2000) cap. 2. Antídoto único: “o antídoto para a culpa é o perdão. Esse perdão que poderá ser direcionado a si mesmo, a quem foi a vítima, à comunidade, à Natureza.” Distinção culpa × vergonha; criminosos seriais como casos limite (culpa inconsciente que se compensa em novos crimes).
7 — Ciúme
Psicogênese · Comportamentos doentios · Terapia. Tratamento sistemático com aparato teórico denso: Karen Horney (ansiedade fundamental geradora de busca neurótica do amor); Anna Freud + Heinz Hartmann + Erik Erikson (psicologia do ego, com fatores culturais e interpessoais somados à libido); Maslow (pirâmide das necessidades). O ciumento é descrito como vítima de imaturidade emocional + culpa inconsciente que precisa ser punida. “O amor é como um perfume. Espraiase invisível, mas percebido.” Terapia: psicoterapia + ação fraternal (descobrir-se entre os “filhos do Calvário”) + amorterapia.
8 — Ansiedade
Psicogênese · Desdobramento dos fenômenos ansiosos · Terapia. Apoiado em John Bowlby: a vinculação mãe-criança como base de segurança; quando ausente, gera ansiedade livre flutuante que persiste na idade adulta como dependência infantil. A psicogênese tem raiz reencarnatória (afetividade conflitiva pretérita reaparecendo como animosidade dos pais atuais ou necessidade de apoio do Espírito endividado). Terapia: educação dos sentimentos + meditação + reflexão sobre a transitoriedade.
9 — Crueldade
Psicogênese · Desenvolvimento · Terapia. Etiologia em três níveis: heranças ancestrais do primarismo zoológico, formação educacional desumanizadora (lares violentos, banalização do sofrimento) e atavismos reencarnatórios. Diagnóstico contemporâneo: cultura midiática que apresenta crueldade como entretenimento. Terapia: cultivo da compaixão + dessensibilização para a violência + Espiritismo como reeducação moral.
10 — Violência
Psicogênese · Desenvolvimento · Terapia libertadora. Catálogo das violências (doméstica, social, política, sexual, midiática) lidas como sintoma da predominância do ego sobre o Self. Convergente com cap. 7 (“Distúrbios coletivos”) de triunfo-pessoal sobre terrorismo. Terapia: autopacificação como base da pacificação social — “contra a violência, a partir da auto pacificação” (lema da Mansão do Caminho repetido por Divaldo nas praças públicas).
11 — Neurastenia
Psicogênese · Desenvolvimento · Terapia. Fadiga psíquica constitucional ou adquirida — exaustão de impulsos, perda de iniciativa, somatizações. Articulação com a depressão (cap. 6 de triunfo-pessoal) e com o estresse (cap. 16 desta obra). Terapia: reabilitação progressiva via atividades dirigidas + reabastecimento bioenergético.
12 — Drogadição
Fatores causais · Dependência química · Terapia de urgência. Etiologia tripla (orgânica + psicossocial + reencarnatória/obsessiva). A dependência química é apresentada como modalidade severa de obsessão velada: o desencarnado dependente se vincula ao encarnado para “saciar” via psicosfera os apetites que perderam o substrato fisiológico. Terapia: internação especializada + psicoterapia + tratamento espírita (passes, água fluidificada, desobsessão) + transformação moral.
13 — Tabagismo
Causas · Instalação e danos da dependência viciosa · Terapia. Mesma matriz etiológica do cap. 12, com ênfase no caráter culturalmente normalizado do tabagismo (publicidade, ritualização social). Diagnóstico: o vício “discreto” como obstáculo à plena lucidez do Self.
14 — Alcoolismo
Alcoolismo e obsessão · Prejuízos físicos, morais e mentais · Terapia. Tratamento explícito do alcoolismo como obsessão — convergente com a dipsomania lida em o-despertar-do-espirito cap. 3 também em chave reencarnatória. Catálogo dos prejuízos integrais (orgânicos + morais + mentais + familiares). Terapia: combinação de programas comunitários (modelo AA) + apoio espírita + transformação moral progressiva.
15 — Vazio existencial
Psicogênese da perda do sentido · Autoconsciência · Terapia libertadora. Articulação explícita com Viktor Frankl (logoterapia). Diagnóstico contemporâneo: a busca do sexo aligeirado, a robotização, a comunicação virtual, as festas alucinantes preenchem ilusoriamente o vácuo deixado pela perda do contato Self↔ego. “Faz-se um abismo entre o Self e o ego, que mais se afastam um do outro, concedendo espaço para a desintegração da personalidade, para a esquizofrenia.” A autoconsciência é descrita como conquista do Self após a infância e antídoto estrutural do vazio. Terapia: fé religiosa raciocinada + meditação + assistência psicoterapêutica.
16 — Estresse
Razão de ser · Processos e mecanismos estressantes · Terapia. Definição de Selye (1948) — estresse como pressão de carga superior à capacidade de resistência emocional. Catálogo dos fatores contemporâneos (competitividade, escassez de tempo, super-mãe, super-funcionário, luto inesperado). Tese clínica: “a crença na vida futura, por consequência, na imortalidade do Espírito e na sua destinação gloriosa, constitui a mais adequada autoterapia preventiva em relação ao estresse” — a fé na imortalidade dilata a perspectiva temporal e desfaz o imediatismo gerador de tensão. Terapia adicional: descanso programado, ioga, acupuntura, musicoterapia, prece.
17 — Fobias
Psicogênese · Desenvolvimento fóbico · Terapia. Catálogo nominal das fobias (claustrofobia, agorafobia, isoptrofobia, oclofobia, acarofobia, necrofobia, zoofobia, alurofobia, antropofobia, fotofobia, autofobia). John Locke é citado (fobias como ideias perturbadoras condicionadas na infância). Etiologia explícita reencarnatória: claustrofobia/morte por asfixia ou catalepsia em vida pretérita; agorafobia/multidões pretéritas; medo de animais e insetos como reminiscência de gravames cometidos. Fobia social com leitura específica (medo de ser desmascarado em existência atual, ou desencarnação dolorosa não digerida). A obsessão desempenha papel primacial (telepatia → ressonância → conúbio emocional). Terapia: psicoterapia + esclarecimento espírita + bioenergia + sessões de desobsessão (quando o paciente preparou-se).
18 — Coragem
Origem · Desenvolvimento da força e da virtude · Aplicação. Coragem como virtude moral que coroa o trabalho da série, originada nas vivências passadas e desenvolvida na luta interna ego↔Self. Catálogo de exemplos: o monge tibetano Patrul Rinpoche narra Geshe Ben discutindo em voz alta com o próprio ego sempre que detecta um impulso impróprio. São Francisco ouvindo nos refolhos da alma “Francisco, dá-me Francisco” como exemplo da coragem maior — “a da superação do ego, porque é totalmente feita de despojamento”. Pedro/Malco no Jardim das Oliveiras (Jo 18:10-11) como caso de falsa coragem (medo travestido em impulsividade) contrastado com a coragem serena de Jesus. “Como corolário da coragem moral superior, o amor desempenha uma função primordial naquele que se candidata à aquisição da harmonia.”
19 — Amor
Psicogênese · Desenvolvimento · Sublimação. Capítulo-síntese da tese amor-terapêutica de toda a série. Psicogênese cosmológica (do amor mineral ao amor-sublimação espírita). Inversão pedagógica do mandamento de Jesus (Mc 12:29-31; ESE caps. XI–XII), declarada com finalidade metodológica explícita: “para fins metodológicos, invertemos a ordem apresentada para nova análise: Amar-se a si mesmo, a fim de amar ao próximo e, por consequência, amar-se a Deus.” Convergente com amor-imbativel-amor cap. 63. Erich Fromm citado (amor reduzido a “orientação para transações”); a síndrome de Epimeteu (precipitação) tipifica o amor imaturo. Tese-âncora: “Somente é capaz de amar a outrem aquele que se ama” — desenvolvimento do auto-amor como pré-condição. “O amor é o mais eficaz processo psicoterapêutico que existe, ao alcance de todos.”
20 — Morte
Fisiologia da morte · Inevitabilidade da morte · Libertação pela morte. Capítulo de fechamento. Argumento físico: a Lei de Entropia torna inevitável a desorganização molecular (“toda forma organizada marcha para o caos”). Dados fisiológicos: ~70 trilhões de células no corpo humano adulto; 30 milhões de hemácias substituídas por segundo; “em cada quinze minutos, uma parte expressiva do corpo cede lugar a outra substituta”. Diagnóstico tripartite do medo da morte: atavismo arcaico + receio do desnudamento da consciência + cultura materialista. Citação direta a Kardec — diálogo de Sócrates com seus juízes (“Se a morte é apenas uma mudança de morada… Mas, é tempo de nos separarmos, eu para morrer, vós para viverdes”) com referência explícita: “(KARDEC, Allan: O Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução.)“. Sidharta Gautama (os quatro espetáculos) e Platão (“o corpo é a sombra”) citados como antecedentes espiritualistas. Psicoterapia preventiva declarada: educação contínua sobre a morte como parte da vida. “Livre do medo da morte, o cidadão avança pelos rios do destino na barca da autoconfiança, desbravando os continentes existenciais com alegria, sem qualquer tipo de limite, porque o seu horizonte é o Infinito para onde ruma.”
Aportes específicos frente à série
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Forma de manual clínico-doutrinário uniforme (psicogênese / transtornos / terapia) — única na bibliografia Joanna. Os volumes anteriores são tratados ou homilias; este volume é catálogo. A forma é a tese: a psicopatologia organizada por taxonomia clínica recebe enfoque doutrinário sistemático.
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Cristalização da tese medo×amor (cap. 4) — a fórmula “a escolha é de cada um: o medo ou o amor, já que os dois não convivem no mesmo espaço emocional” sintetiza, em uma sentença, a tese amor-terapêutica que se desenvolveu em amor-imbativel-amor (1998) e que aqui se cristaliza como antídoto único e operacional. Ver medo.
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Cristalização da tese culpa×perdão (cap. 6) — distinção operacional culpa saudável (= sentido de responsabilidade) × culpa-castigo, com perdão direcionado a si, à vítima, à comunidade e à Natureza. Antecede em registro clínico a sistematização do autoperdão mais formalizada em o-despertar-do-espirito cap. 2. Ver culpa.
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Inversão pedagógica do mandamento de Jesus com declaração explícita de método (cap. 19) — “para fins metodológicos, invertemos a ordem apresentada para nova análise”. Continuidade com amor-imbativel-amor cap. 63 e triunfo-pessoal, agora com a finalidade metodológica nominalizada. Erich Fromm é incorporado ao quadro teórico (“orientação para transações”); a síndrome de Epimeteu é introduzida como tipologia do amor imaturo.
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Citação direta a Kardec no fechamento (cap. 20) — Sócrates via ESE Introdução. Em uma série que dialoga predominantemente com Jung, Maslow, Frankl e Assagioli, esta referência literal ao Pentateuco no último capítulo do último volume da Série Psicológica (na ordem cronológica até 2005) reafirma o ancoramento kardequista. A Lei de Entropia é articulada como argumento físico para a inevitabilidade da morte.
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Diálogo crítico explícito com a Psicologia Negativa freudiana (cap. 5) e adoção da Psicologia Positiva como matriz terapêutica nomeada. Articulação Adler (poder) × Freud (prazer) × Frankl (sentido) com Spinoza (Ética) como autoridade ética. Aporte teórico mais granulado do que em volumes anteriores: Karen Horney, Anna Freud + Heinz Hartmann + Erik Erikson (psicologia do ego), John Bowlby (vinculação), Hans Selye (1948, definição operacional de estresse), John Locke (fobias) e Erich Fromm entram explicitamente no quadro.
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Catálogo das dependências químicas em chave obsessivo-reencarnacionista (caps. 12-14) — drogadição, tabagismo e alcoolismo recebem tratamento articulado: a dependência é vampirização energética por desencarnados que perderam o substrato fisiológico do vício. Convergente com a leitura da dipsomania em o-despertar-do-espirito cap. 3.
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Cap. 18 (Coragem) com tradição contemplativa multi-religiosa — Patrul Rinpoche/Geshe Ben (budismo tibetano), São Francisco (cristianismo), Pedro/Malco (Evangelho lido como tipologia psicológica). A coragem é apresentada como virtude que sublima o ego e prepara para o amor (cap. 19), conectando a estrutura do livro.
Conceitos tratados
- medo — antídoto único: amor (cap. 4)
- culpa — antídoto único: perdão (cap. 6)
- vazio-existencial — ruptura Self↔ego (cap. 15)
- amorterapia — sintetizada no cap. 19
- obsessao — vetor transversal a vários capítulos (preguiça, fobias, dependências químicas)
- depressao — articulada com neurastenia (cap. 11) e ressentimento (cap. 5)
- individuacao — programa subjacente da série
- psicologia-transpessoal — Quarta Força articulada com Psicologia Positiva
- morte — relida com Lei de Entropia + Sócrates via ESE (cap. 20)
- medico-interno — substrato neurofisiológico do prefácio (dopamina, serotonina, noradrenalina)
- autoconhecimento — programa de LE q. 919 reafirmado como base terapêutica
- perispirito — sede dos registros reencarnatórios que fundamentam os conflitos
Personalidades citadas
- joanna-de-angelis — Espírito autora
- divaldo-franco — médium psicógrafo
- allan-kardec — codificador, citação literal no cap. 20 (ESE Introdução)
- jesus — apresentado como “Psicoterapeuta por excelência” (caps. 3, 7, 19)
Personalidades históricas mencionadas (sem página na wiki)
- Antiguidade clássica: Sócrates (cap. 20, citado via ESE Introdução), Platão (cap. 20, “o corpo é a sombra”), Sólon, Creso, Telus, Ciro, Cambises (cap. 1, alegoria moral)
- Tradição cristã: São Francisco de Assis (cap. 18, “Francisco, dá-me Francisco”), Pedro/Malco (cap. 18, Jo 18:10-11)
- Tradição budista: Sidharta Gautama (cap. 20, os quatro espetáculos), Patrul Rinpoche e Geshe Ben (cap. 18, autocensura do ego)
- Filosofia moderna: Baruch Spinoza (cap. 5, Ética), John Locke (cap. 17, fobias)
- Ciência: Charles Darwin (prefácio, fisionomia humana), Hans Selye (cap. 16, definição de estresse, 1948)
- Psicologia profunda: Sigmund Freud (cap. 5 — crítica explícita da “Psicologia Negativa” — e caps. 7, 19), Carl Gustav Jung (cap. 3, psicastenia; cap. 4, fobias; cap. 7, tipologia)
- Psicologia humanista e do ego: Alfred Adler (cap. 5, sentido do poder), Karen Horney (cap. 7, ansiedade fundamental), Anna Freud, Heinz Hartmann, Erik Erikson (cap. 7, psicologia do ego), Abraham Maslow (cap. 7, pirâmide das necessidades), John Bowlby (cap. 8, vinculação), Erich Fromm (cap. 19, “orientação para transações”)
- Logoterapia: Viktor Frankl (cap. 5 e cap. 15, sentido de existir / vazio existencial)
Divergências
Nenhuma divergência doutrinária com Kardec identificada. A obra cita literalmente o ESE no cap. 20 e homenageia O Céu e o Inferno no prefácio. A crítica à Psicologia Negativa freudiana (cap. 5) é interna à psicologia, não doutrinária. A leitura de Pedro/Malco como exemplo de “falsa coragem” (cap. 18) é compatível com o tratamento que Pedro recebe nos Evangelhos (negação de Jesus, choro amargo) e não contradiz nenhuma posição kardequiana.
Fontes
- Joanna de Ângelis / Franco, Divaldo Pereira (psicografia). Conflitos Existenciais. Salvador: LEAL — Livraria Espírita Alvorada Editora, 2005 (1ª ed.). 6. ed., 2014, 240 p. Série Psicológica - Especial vol. 13. ISBN 978-85-8266-057-7. Edição: joanna-de-angelis-conflitos-existenciais.
- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. Introdução (diálogo de Sócrates com seus juízes — citado literalmente no cap. 20 da obra).
- Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. Trad. Manuel Justiniano Quintão. FEB, 1865 (1ª ed. francesa). Homenagem declarada no prefácio (140º aniversário em ago/2005).
- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. q. 919 (Conhece-te a ti mesmo — programa terapêutico subjacente).
- Bíblia. Mateus 10:28; 1 João 4:18 (paralelos doutrinários da tese medo×amor); João 18:10-11 (Pedro/Malco no cap. 18); Marcos 12:29-31 e ESE caps. XI-XII (mandamento do amor invertido pedagogicamente no cap. 19).
- Spinoza, Baruch. Ética. (Citado no cap. 5: “a emoção que é sofrimento deixa de sê-lo no momento em que dela formarmos uma ideia clara e nítida”.)
- Selye, Hans. (1948). Definição operacional de estresse — cap. 16.
- Frankl, Viktor. (Logoterapia — caps. 5 e 15.)
- Patrul Rinpoche. As Palavras de Meu Mestre Perfeito (tradição tibetana citada no cap. 18 via Geshe Ben).