Evelina Serpa

Identificação

Personagem central de e-a-vida-continua (André Luiz / Chico Xavier, FEB, 1968). Jovem católica de São Paulo, 26 anos ao desencarnar, doente cardio-renal grave (pressão arterial descompensada, crises com sensação de queimadura nas extremidades). Filha biológica de Desidério (assassinado por Amâncio Terra havia mais de 20 anos, oficialmente declarado morto de tétano) e Brígida; padrasto Amâncio. Casou-se aos 20 com Caio Serpa, advogado que se revelou infiel; perdeu por aborto terapêutico o único filho concebido. Identidade terrena, como toda a galeria do livro, é de Espírito identificado por André Luiz para fins narrativos — não há registro independente fora da psicografia.

Papel

Co-protagonista do romance. Conhece Ernesto Fantini numa praça de estância mineira em vésperas de cirurgias arriscadas (cap. 1) e desencarna logo após. Na estância espiritual sob o Instrutor Ribas, assume com Ernesto a tutela de Túlio Mancini — apresentado a ela em vida como “suicida por causa dela”, revelado depois como assassinado por Caio (cap. 24). Carrega complexo de culpa pelo “suicídio” de Túlio que só se desfaz quando descobre a verdade.

Seu eixo de transformação é a renúncia ativa ao ex-marido. Na visita de retorno à Terra (cap. 18), encontra Caio acariciando a rival, Vera Celina, com o fio de pérolas do noivado dela própria no pescoço da outra. A conversão moral — “Caio desfrutava o direito de ser feliz como desejasse” — abre espaço para que mediunize Caio no cemitério (cap. 25), induzindo-o, por inspiração inconsciente, a regularizar o casamento com Vera. No esquema reencarnatório de 30 anos articulado por Ribas, é a “guia espiritual” responsável pelo grupo, em parceria com Ernesto.

Ao final (cap. 26), liberada de qualquer compromisso afetivo por Caio (que casou com Vera) e tendo Ernesto sido dispensado por Elisa (já desencarnada), une-se a Ernesto em matrimônio espiritual oficiado por Ribas. A obra fecha com a cena.

Citações relevantes

“Caio desfrutava o direito de ser feliz como desejasse. […] Lembrou-se de Túlio, a quem tão repetidamente ensinara o desapego afetivo, e admitiu-se em condições de egoísmo e inconformidade talvez muito piores que as dele.” (cap. 18)

“Caio, quem é você para julgar? Não és igualmente de ti mesmo, alguém onerado com débitos escabrosos perante a Lei?” (Evelina mediunizando Caio, cap. 25)

“Caio, meu filho! Meu filho!… Sê feliz e que Deus te abençoe!” (Evelina ao ex-marido, depois do casamento dele com Vera, cap. 25)

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Fontes

  • XAVIER, Francisco Cândido (André Luiz). E a vida continua… Rio de Janeiro: FEB, 1968. Edição: e-a-vida-continua.