Encarnação
Definição
União temporária do Espírito a um corpo material com o fim de alcançar a perfeição (LE, q. 132). Tratada na Parte 2, Cap. II (q. 132–148) e retomada no Cap. VII (q. 330–399).
“Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão.” (LE, q. 132)
Objetivo
A encarnação tem dois fins declarados (LE, q. 132):
- Perfeição pelo sofrimento das provas — a expiação.
- Colocar o Espírito em condições de suportar a parte que lhe cabe na obra da criação, cumprindo missão.
Todos os Espíritos são criados simples e ignorantes; Deus, sendo justo, não poderia fazer felizes uns sem fadigas e trabalhos, conseguintemente sem mérito (LE, q. 133).
Necessidade universal
Todos os Espíritos precisam passar pela prova da vida corporal para atingir a perfeição — inclusive os que seguiram o caminho do bem desde o princípio (LE, q. 133).
No ESE
O cap. IV do ESE retoma a necessidade da encarnação sob a perspectiva evangélica. Nos itens 16–18, Kardec demonstra que a encarnação é indispensável ao progresso do Espírito: é por meio da vida corporal que ele expia faltas anteriores, adquire experiência e desenvolve as qualidades morais que lhe faltam. Sem a encarnação, o Espírito permaneceria estacionário (ESE, cap. IV, itens 16–18).
Os limites da encarnação também são discutidos: ela não é eterna nem ilimitada em número — cada existência terrena aproxima o Espírito da perfeição, e chega o momento em que a encarnação em mundos materiais não é mais necessária (ESE, cap. IV).
Ver evangelho-segundo-o-espiritismo.
Diferenças em relação a outras encarnações
Nos mundos superiores, a matéria corporal é menos grosseira e o Espírito, mesmo encarnado, conserva quase todas as suas faculdades (LE, q. 223). A reencarnação é, nesses mundos, quase sempre imediata.
Páginas relacionadas
Fontes
- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Parte 2, Cap. II (q. 132–148). Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. IV — “Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo”, itens 16–18. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.