Nestório
Identificação
Escravo cristão em Roma sob Adriano (séc. II d.C.) — encarnação seguinte do senador romano Públio Lêntulus. Pai de Ciro, eleito de Célia. Personagem do eixo “Adriano” de 50-anos-depois (Emmanuel / Chico Xavier, 1939).
A “Carta ao leitor” da obra explicita a continuidade reencarnatória: “Cinquenta anos depois das ruínas fumegantes de Pompeia, nas quais o impiedoso senador Públio Lêntulus se desprendia novamente do mundo, para aferir o valor de suas dolorosas experiências terrestres, vamos encontrá-lo, nestas páginas, sob a veste humilde dos escravos, que o seu orgulhoso coração havia espezinhado outrora. A misericórdia do Senhor permitia-lhe reparar, na personalidade de Nestório, os desmandos e arbitrariedades cometidos no pretérito.”
Papel
Cristão sincero, Nestório trabalha nos serviços de pergaminhos da Prefeitura sob a proteção de Helvídio Lucius, irmão de espírito da era anterior (Pompílio Crasso), agora seu protetor encarnado. Junto com o filho Ciro, acolhe a jovem Célia quando ela é forçada ao auto-exílio pela conspiração de Cláudia Sabina, escondendo-a, atravessando a Itália e levando-a até Alexandria. De volta a Roma, ambos são presos como cristãos conspiradores — denúncia engendrada por Cláudia para retirar a proteção que ofereciam à jovem.
Submetidos ao circo durante as festas de Adriano (~134 d.C.), são amarrados a postes negros e atravessados por flechas envenenadas dos atletas númidas e mauritanos, enquanto entoam o hino “Consola, Jesus Amado”. Na agonia, Nestório recobra súbita visão reencarnatória: revê-se “na tribuna de honra, com a toga de senador, enfeitado de púrpura, coroado de rosas, aplaudindo a matança de cristãos” — o flashback é o reencontro consciente com sua encarnação anterior como Públio Lêntulus. Em seguida, vê “um vulto de anjo ou de mulher” aproximar-se com mãos translúcidas, beijando-lhe os cabelos antes do trespasse — leitura natural: Lívia retornando como espírito protetor, em continuidade da linha narrativa de ha-dois-mil-anos.
No plano espiritual, retoma o trabalho ao lado de Policarpo nas excursões evangélicas pelos arredores umbrosos do planeta, levando a Boa-Nova a Espíritos desalentados. É o último a imergir nos fluidos planetários quando o grupo de Cneio Lucius é convocado à reencarnação coletiva — em prece de gratidão pela “complacência misericordiosa” do Senhor.
Trajetória reencarnatória
- Em ha-dois-mil-anos (séc. I d.C.): Públio Lêntulus, senador romano da gens Cornélia, comissionado na Palestina ao tempo de Tibério, Cláudio e Nero. Ver publio-lentulus para a trajetória completa.
- Em 50-anos-depois (séc. II d.C.): Nestório, escravo cristão em Roma, martirizado no circo de Adriano com o filho Ciro.
Citações relevantes
“Senhor, novamente na Terra, escola abençoada de nossas almas, contamos com a vossa misericordiosa complacência, afim de cumprirmos todos os nossos deveres, a caminho do arrependimento e da reparação. Auxiliai-nos na luta! Somente os séculos de trabalho e dor poderão anular os séculos de egoísmo, orgulho e ambição, que nos conduziram à iniquidade!” [[obras/50-anos-depois|(Nestório no plano espiritual, antes de baixar à nova reencarnação, 50 anos depois, cap. 7 — “Nas Esferas Espirituais”)]]
Páginas relacionadas
- publio-lentulus — encarnação anterior
- emmanuel — Espírito que se identifica como esta linha reencarnatória
- celia — protegida nos arredores de Roma e na fuga para Alexandria
- helvidio-lucius — protetor encarnado, ex-Pompílio Crasso
- 50-anos-depois — narrativa do martírio
Fontes
- XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). 50 anos depois. Rio de Janeiro: FEB, 1939. Edição: 50-anos-depois.