Parábola dos lavradores maus
Definição
Parábola em Mateus 21:33–46 (paralelos em Mc 12:1–12 e Lc 20:9–19). Um senhor planta uma vinha, arrenda-a a lavradores e parte. No tempo da colheita, envia servos para receber os frutos; os lavradores os espancam, apedrejam e matam. Por fim, envia o próprio filho, que também é assassinado. Jesus pergunta o que fará o senhor da vinha a tais lavradores.
Texto da parábola (trecho)
“Houve um homem, pai de família, que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e partiu para longe. E, chegando o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receberem os seus frutos. E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram um, e mataram outro, e apedrejaram outro. […] Por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito a meu filho. Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança. […] Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos.” (S. Mateus, 21:33–43)
Ensino de Kardec
Kardec lê a parábola dentro do princípio da responsabilidade proporcional aos dons recebidos (ESE, cap. XVIII; cf. também parábola dos talentos, cap. XVI). A vinha é a Humanidade; os lavradores, os guias religiosos e morais encarregados de fazê-la produzir frutos; os servos, os profetas e mensageiros; o filho, Jesus. A lição é dupla:
- Quem mais recebe, mais deve. Os que foram constituídos guias espirituais serão julgados com maior rigor se trairem a confiança (ESE, cap. XVIII, item 10).
- Missão não é propriedade. A vinha pertence ao senhor; os lavradores são arrendatários. Transformar responsabilidade em domínio pessoal — apoderar-se de herança alheia — é a raiz da perversão religiosa que Jesus denuncia aos sacerdotes do templo.
Leitura espírita
- “O reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos” (Mt 21:43): na leitura espírita, a transferência é da forma religiosa decaída para o cristianismo primitivo, e depois, na transição planetária, para a Humanidade regenerada pela Doutrina Espírita (ESE, cap. III; Gênese, cap. XVIII).
- Morte dos enviados ilustra a resistência das instituições estabelecidas à renovação moral — padrão que se repete a cada revelação.
- Ausência de castigo eterno na moral kardequiana. Os lavradores maus serão destituídos e responsabilizados, mas continuarão o processo evolutivo em condições próprias à sua resistência (C&I, 1ª parte).
Aplicação prática
Advertência direta a quem exerce qualquer função de orientação espiritual — dirigentes de centro, médiuns, palestrantes, pais evangelizadores. A posição não é privilégio: é responsabilidade agravada. O exame íntimo próprio desses papéis: estou fazendo a vinha produzir, ou apropriando-me dela?
Páginas relacionadas
- parabola-dos-talentos — responsabilidade sobre os dons recebidos
- responsabilidade
- transicao-planetaria
- evangelho-segundo-o-espiritismo — cap. XVIII
- evangelho-segundo-mateus — cap. 21
Fontes
- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, caps. XVI, XVIII. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- Bíblia Sagrada (ACF). S. Mateus, 21:33–46.