Parábola da dracma perdida
Definição
Parábola narrada por Jesus em Lucas 15:8–10, integrando a tríade que o evangelista reúne no capítulo 15 — a ovelha perdida, a dracma perdida e o filho pródigo. A mulher que possui dez dracmas e perde uma acende a candeia, varre a casa e busca com diligência até encontrá-la; ao achá-la, convoca as vizinhas para se alegrarem com ela. Jesus conclui: “há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15:10).
Texto da parábola
“Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.” (S. Lucas, 15:8–10)
Ensino de Kardec
Kardec aborda o tema no ESE, cap. XI (“Amar o próximo como a si mesmo”), tratando conjuntamente as três parábolas de Lucas 15. A tríade — ovelha, dracma, filho pródigo — expressa uma única lição modulada em três registros: o céu festeja cada pecador que se arrepende, e a Providência jamais desiste de quem se desviou. A imagem da dona de casa que varre cômodo por cômodo, à luz da candeia, é símbolo da busca ativa do Alto: não é o faltoso apenas que retorna — é também o Pai que o procura.
A lógica espírita completa a parábola: nenhum Espírito se perde em definitivo. O tempo da misericórdia divina é a eternidade, e as reencarnações sucessivas são as sucessivas “varreduras” da casa, até que a dracma — a alma desviada — seja reencontrada e reintegrada ao tesouro (LE, q. 1009; C&I, 1ª parte, cap. VII). O pastor que busca a ovelha, a mulher que busca a dracma e o pai que acolhe o filho pródigo são três faces da mesma Providência.
Aplicação prática
Consolida a atitude espírita diante do erro alheio: não há pecador desprezível nem arrependimento pequeno demais para o céu. A parábola orienta o trabalho de evangelização, o acolhimento nas casas espíritas e a própria vida familiar — ensina a perseverar na busca paciente por aqueles que se afastaram, sem julgamento definitivo. Ensina também que a alegria do reencontro é proporcional ao esforço da busca: quem trabalha pela recuperação do próximo participa da alegria dos anjos.
Páginas relacionadas
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Fontes
- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XI. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, q. 1009. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- Bíblia Sagrada (ACF). S. Lucas, 15:8–10.