Arrependimento
Primeiro movimento da alma em direção ao bem após a falta cometida. O arrependimento suaviza as dores da expiação e abre os caminhos da reabilitação, mas sozinho não basta — é necessário, porém não suficiente, sem a expiação e a reparação que o completam.
Ensino de Kardec
Onde e quando ocorre
O arrependimento pode ocorrer tanto no estado corporal quanto no espiritual (LE, q. 990). No estado espiritual, o Espírito, confrontado com as consequências de suas faltas, reconhece seus erros e deseja uma nova encarnação para se purificar (LE, q. 991). No estado corporal, o arrependimento permite progresso imediato nesta mesma existência (LE, q. 992).
Arrependimento tardio
Se o arrependimento for tardio, o culpado sofre por mais longo tempo, pois permanece na imperfeição que causa o sofrimento. Contudo, nunca é tarde demais — todo Espírito, por mais endurecido que pareça, reconhece suas faltas eventualmente (LE, q. 993–994; C&I, 1ª parte, cap. VII, item 17).
Arrependimento, expiação e reparação
O arrependimento é o primeiro estágio de uma tríade indissociável:
“Arrependimento, expiação e reparação são as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências.” (C&I, 1ª parte, cap. VII, item 16)
O arrependimento abre a porta; a expiação purifica pelo sofrimento; a reparação destrói a causa fazendo o bem a quem se fez o mal. Sem reparação, o arrependimento é apenas o começo do caminho (C&I, 1ª parte, cap. VII, item 16).
Nenhum Espírito é inacessível ao arrependimento
“Pretender que certos Espíritos nunca se arrependerão seria negar a lei do progresso e dizer que a criança não pode vir a ser homem.” (LE, q. 993)
Após a morte, o Espírito perverso reconhece sempre as suas faltas, embora nem sempre esteja disposto a repará-las de imediato (LE, q. 994).
Aplicação prática
O arrependimento sincero é sempre acolhido — ensino que deve permear as palestras com caridade e sem julgamento. Ao mesmo tempo, convém lembrar que o arrependimento verbal ou emocional, sem o esforço de reparar o mal, é insuficiente: Kardec compara com um devedor que lamentasse ter lesado o credor sem nunca restituir o que tomou (C&I, 1ª parte, cap. VII, item 17, nota).
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Fontes
- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte 4, cap. II, q. 990–1009. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. 1ª parte, cap. VII, itens 16–17. FEB.