São Luís
Identificação
Luís IX, rei de França (1214–1270), canonizado em 1297. Nos textos espíritas, atua como um dos Espíritos reveladores da codificação.
Papel na codificação
Citado por Kardec nos Prolegômenos de O Livro dos Espíritos entre os Espíritos que concorreram para o ensino consolidado na obra. Figura com frequência como interlocutor em comunicações obtidas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.
Citações no LE
São Luís é atribuído nominalmente em diversas respostas do LE, particularmente sobre a duração das penas futuras:
“Sendo o estado de sofrimento ou de felicidade proporcional ao grau de purificação do Espírito, a duração e a natureza de seus sofrimentos dependem do tempo que ele gaste em melhorar-se.” (LE, q. 1004 — São Luís)
“Há Espíritos de arrependimento muito tardio; pretender-se, porém, que nunca se melhorarão seria negar a lei do progresso.” (LE, q. 1007 — São Luís)
Na questão final do LE (q. 1019), São Luís anuncia a transformação da Terra e o reinado do bem, encerrando a obra.
No Livro dos Médiuns
São Luís é o Espírito mais citado nominalmente no LM, atuando como instrutor principal:
- Fornece a teoria das manifestações físicas: responde às perguntas sobre o fluido universal, o mecanismo pelo qual os Espíritos atuam sobre a matéria e o papel do médium (LM, 2ª parte, cap. IV, item 74).
- Enuncia a regra de ouro do discernimento: “Qualquer que seja a confiança legítima que vos inspirem os Espíritos que presidem aos vossos trabalhos, uma recomendação há que nunca será demais repetir […]: é a de pesar e meditar, é a de submeter ao controle da razão mais severa todas as comunicações que receberdes” (LM, 2ª parte, cap. XXIV, item 266).
- Consultado sobre comunicações apócrifas: pronuncia-se sobre a falsa comunicação de Bossuet, revelando que foi escrita por outro Espírito (LM, 2ª parte, cap. XXXI, nota à comunicação XXXIV).
Na Revista Espírita (1858)
São Luís é o orientador habitual da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas desde sua fundação (1º/04/1858) e o principal Espírito instrutor do volume fundador da [[wiki/obras/revista-espirita|Revista Espírita]]. Em 1858 ditou pela Srta. Ermance Dufaux uma série de quatro dissertações morais — a primeira síntese moral organizada por Kardec, seis anos antes de O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864):
- A avareza (RE, fev/1858 — comunicação datada de 6/1/1858)
- O orgulho (RE, mai/1858)
- A preguiça (RE, jun/1858)
- A inveja (RE, jul/1858)
São também atribuídas a São Luís pela mesma médium: A fatalidade e os pressentimentos (RE, mar/1858) e Problemas morais — Perguntas dirigidas a São Luís (RE, mai/1858). É ainda São Luís que responde, em jun/1858, à série de perguntas técnicas de Kardec sobre o fluido universal, o perispírito e o mecanismo das manifestações físicas — material que entrará depois no LM (2ª parte, cap. IV).
Detalhamento por volume em revista-espirita-1858.
Na Revista Espírita (1859)
São Luís permanece como orientador habitual da SPEE em 1859 e firma quatro intervenções de peso doutrinário no volume:
- “Os anjos da guarda” (RE, jan/1859) — comunicação espontânea em coautoria com Santo Agostinho, na qual é sistematizada a doutrina dos Espíritos protetores: “Todos nós temos um Espírito familiar que se liga a nós desde o nascimento, que nos guia, aconselha e protege.”
- 16 perguntas sobre agêneres (RE, fev/1859) — São Luís firma o regime do conceito recém-cunhado pela SPEE: agêneres não procriam (“Deus não o permitiria”); não têm necessidade real de alimento; podem pertencer à categoria dos Espíritos superiores ou inferiores; “são fatos raros, de que há exemplos na Bíblia”; o Conde de Saint-Germain não era agênere, mas “hábil mistificador”.
- “Processos para afastar os maus Espíritos” (RE, set/1859) — comunicação espontânea recebida pelo Sr. R…: “Por maior que seja a legítima confiança que vos inspiram os Espíritos que presidem os vossos trabalhos, é recomendação nunca por demais repetida que deveis ter sempre presente em vossa mente, quando vos entregardes aos vossos estudos: pesai e refleti. Submetei ao controle da mais severa razão todas as comunicações que receberdes.” Material que será praticamente reproduzido em LM, 2ª parte, cap. XXIV, item 266.
- Avaliação dos convulsionários de Saint-Médard (RE, out/1859) — São Luís é consultado sobre os fenômenos do diácono francois-paris e atribui-os ao concurso de Espíritos “de natureza pouco elevada”.
Detalhamento por volume em revista-espirita-1859.
Obras associadas
- livro-dos-espiritos — revelador nomeado nos Prolegômenos e interlocutor em diversas questões.
- livro-dos-mediuns — instrutor principal; citado nos caps. IV, XXIV, XXXI.
- revista-espirita-1858 — orientador da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas; quatro dissertações morais via Ermance Dufaux.
- revista-espirita-1859 — “Os anjos da guarda” (jan), 16 perguntas sobre agêneres (fev), “Processos para afastar os maus Espíritos” (set), avaliação dos convulsionários de Saint-Médard (out).
Páginas relacionadas
- espiritos-reveladores · allan-kardec
- penas-e-gozos-futuros — tema em que São Luís é especialmente citado
Fontes
- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Prolegômenos; q. 1004–1009; q. 1019. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns. 2ª parte, cap. IV (item 74), cap. XXIV (item 266), cap. XXXI. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- Kardec, Allan. Revista Espírita, fev, mar, mai, jun e jul/1858 (dissertações morais e respostas técnicas). Edição local: 1858.