Helvídio Lucius

Identificação

Tribuno romano do séc. II d.C. — encarnação seguinte de Pompílio Crasso, irmão de destino de Públio Lêntulus na destruição de Jerusalém em ha-dois-mil-anos. Filho do venerando Cneio Lucius, casado com Alba Lucínia (filha do censor Fábio Cornélio e de Júlia Spinther), pai de Helvídia (casada com Caio Fabrícius em Cápua) e de Célia (mártir cristã). Genro do círculo administrativo mais alto do Império. Personagem central do eixo “presente” de 50-anos-depois (Emmanuel / Chico Xavier, 1939).

A “Carta ao leitor” da obra explicita a continuidade: “Quero referir-me a Pompílio Crasso, aquele mesmo irmão de destino na destruição de Jerusalém, cujo coração palpitante lhe fora retirado do peito por Nicandro, às ordens severas de um chefe cruel e vingativo. Pompílio Crasso é o mesmo Helvídio Lucius destas páginas, ressurgindo no mundo para o trabalho renovador.”

Papel

Sob o reinado de Adriano (~133 d.C.), Helvídio mantém posição estável na política romana e relação afetuosa com a esposa, mas sofre o assédio crônico do prefeito Lólio Urbico sobre Alba Lucínia — sem suspeitar da conspiração paralela engendrada pela esposa do prefeito, Cláudia Sabina, com ajuda da serva Hatéria. A trama culmina no auto-exílio silencioso de Célia, que Helvídio nunca reencontra em vida.

Dez anos depois, sob Antonino Pio (~145 d.C.), recebe na própria casa a confissão tardia de Hatéria — convertida ao Cristianismo em Benevento — sobre as maquinações que destruíram a família. Em sucessão rápida: Cláudia é morta por Silano Pláutius (que descobre, no momento de executá-la, ser ela sua mãe biológica); Silano apunhala Fábio Cornélio em vingança e é abatido pelos pretorianos; Alba Lucínia desencarna após síncopes prolongadas; Hatéria é assassinada na Ponte Fabrícius e atirada no Tibre.

Helvídio, viúvo e órfão de família, vagueia pela Itália buscando a filha exilada e nada encontra. De volta a Roma, é evangelizado pelo amigo de infância Rufio Propercio e ouve do pregador Sáulo Antônio falar de um santo apóstolo nos arredores de Alexandria, “o Irmão Marinho”, que cura leprosos e consola os aflitos. Parte para o Egito esperando consolação — chega tarde demais. Encontra apenas a sepultura. Não reconhece a filha. Adoece de pneumonia ao ouvir, do superior Epiphanio, a verdade que os monges descobriram ao lavar o corpo de Marinho.

No plano espiritual, reúne-se aos seus na esfera de repouso de Cneio Lucius, e, na assembleia que decide a próxima reencarnação coletiva, estende os braços a Lólio Urbico como futuro irmão de luta — gesto-modelo de aplicação literal do “perdoar setenta vezes sete”.

Trajetória reencarnatória

  • Em ha-dois-mil-anos (séc. I d.C.): Pompílio Crasso, companheiro de Públio Lêntulus em Roma sob Nero e Vespasiano, morto na destruição de Jerusalém com o coração arrancado.
  • Em 50-anos-depois (séc. II d.C.): Helvídio Lucius, tribuno romano, pai de Célia.

Citações relevantes

“Caro Helvídio, depois de tão longa separação, surpreende-te a minha fortaleza moral ante as hecatombes dolorosas da existência. Devo explicar-te o porquê da minha resignação e serenidade. É que hoje, abandonei nossas crenças inexpressivas para apegar-me a Jesus-Cristo, o Filho de Deus Vivo!” [[obras/50-anos-depois|(Rufio Propercio a Helvídio Lucius, 50 anos depois, cap. 5 — “O caminho expiatório”, momento da conversão tardia do tribuno)]]

Páginas relacionadas

Fontes

  • XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). Há Dois Mil Anos… Rio de Janeiro: FEB, 1939. Edição: ha-dois-mil-anos.
  • XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). 50 anos depois. Rio de Janeiro: FEB, 1939. Edição: 50-anos-depois.