Parábola dos dois filhos
Definição
Parábola em Mateus 21:28–32. Um homem pede a dois filhos que trabalhem na vinha. O primeiro responde “não quero”, mas depois se arrepende e vai; o segundo responde “sim, senhor”, e não vai. Jesus pergunta qual dos dois fez a vontade do pai.
Texto da parábola
“Mas que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha. Ele, respondendo, disse: Não quero; mas depois, arrependendo-se, foi. E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo; e, respondendo ele, disse: Eu vou, senhor; e não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. […] Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes precedem-vos no reino de Deus.” (S. Mateus, 21:28–31)
Ensino de Kardec
A parábola aparece como ilustração direta de um princípio recorrente no ESE: o que importa é a prática, não a palavra (ESE, cap. XVIII, item 10; cap. XVII, item 7). Jesus dirige a parábola aos sacerdotes e anciãos do templo — representantes do “sim” verbal sem obras — e a contrasta com publicanos e meretrizes, que disseram “não” pela vida, mas se arrependeram e voltaram.
Kardec sistematiza o princípio: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral” (ESE, cap. XVII, item 4). Profissão de fé sem reforma íntima é exatamente o segundo filho; arrependimento que resulta em mudança é o primeiro.
Leitura espírita
- Primado da prática sobre a profissão verbal. Rotular-se “espírita”, “cristão”, “religioso” nada significa sem conduta correspondente.
- Valor do arrependimento ativo. Não o arrependimento sentimental — o que se traduz em ação (LE, q. 990–1002; expiacao-e-arrependimento).
- Justiça igualitária de Deus. Publicanos e meretrizes precedem no Reino não porque o pecado seja preferível à formalidade, mas porque o arrependimento verdadeiro é o que conta — e os que se sabem faltosos com frequência se arrependem mais sinceramente que os que se julgam justos.
Aplicação prática
Convida ao exame íntimo: minhas palavras e minhas obras coincidem? Dizer “sim” ao Evangelho em público e viver como se nunca tivesse ouvido é ser o segundo filho. Reconhecer honestamente “ainda não quero” e, aos poucos, caminhar para o “sim” prático é mais digno do que a hipocrisia.
Páginas relacionadas
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- expiacao-e-arrependimento
- evangelho-segundo-o-espiritismo — caps. XVII, XVIII
- evangelho-segundo-mateus — cap. 21
Fontes
- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, caps. XVII, XVIII. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- Bíblia Sagrada (ACF). S. Mateus, 21:28–32.