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O Ser Consciente

Dados bibliográficos

  • Autor espiritual: Joanna de Ângelis
  • Médium: Divaldo Pereira Franco
  • Tipo: Livro psicografado
  • Local de psicografia: Salvador-BA
  • Data: 19 de maio de 1993
  • Editora: LEAL — Livraria Espírita Alvorada Editora
  • Estrutura: 39 capítulos em 10 partes
  • Nível: 3 — Complementar aprovado
  • Texto integral: o-ser-consciente

Tese central

O livro propõe uma síntese entre a Quarta Força em Psicologia — Psicologia Transpessoal de Maslow, Wilber, Grof, Kübler-Ross, Assagioli, Capra, Walsh, Vaughan — e a Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec. Para Joanna, o Espiritismo já descortinou para a criatura, desde 1857, “a valiosa possibilidade de ser consciente, concitando-a ao auto-encontro e à autodescoberta a respeito da vida além dos estreitos limites materiais”, muito antes que as disciplinas psicológicas modernas se aproximassem da realidade integral do ser.

O ponto de ancoragem kardequiano é explícito. A obra retoma LE, q. 919 — “Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? — Um sábio da Antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo” — e o longo comentário de Santo Agostinho que a segue, transformando-os em programa terapêutico. Em nota da própria autora espiritual, ainda referencia LE, q. 621 sobre a lei de Deus inscrita na consciência.

Sobre o vocabulário oriental

Joanna recorre frequentemente a termos do hinduísmo, budismo e taoísmo (samadhi, nirvana, deus interno, “Consciência Cósmica”, roda de samsara) e cita Buda, Vivekananda, Ramakrishna e os taoístas tibetanos como contribuintes para a “revisão dos parâmetros aceitos”. Este vocabulário funciona como ponte conceitual com a Quarta Força, não como adoção doutrinária — a base estrutural permanece kardequiana (tripé Espírito-perispírito-corpo, reencarnação como método de progresso, lei de causa e efeito como fundamento moral, livre-arbítrio como condição da reabilitação).

Estrutura por partes

Primeira parte — A Quarta Força (cap. 1–5)

Joanna apresenta a Psicologia Transpessoal como ampliação necessária do Behaviorismo, da Psicanálise e da Psicologia Humanista. Recupera os pioneiros — Rhine, Wilber, Grof, Kübler-Ross, Moody Jr., Maslow, Walsh, Vaughan, Assagioli, Capra — e os contributos da Parapsicologia, Psicobiofísica, Psicotrônica e Transcomunicação Instrumental.

Define o homem psicológico maduro por etapas sucessivas: amadurecimento afetivo (do egocentrismo captativo à doação ablativa), mental (intelecto + razão), moral (código universal além das conveniências), social (consciência fraterna). E propõe a nova estrutura do ser humano contra a dualidade ortodoxa: trino — Espírito, perispírito (modelo organizador biológico) e matéria. Em nota explícita, cita LE q. 621.

Segunda parte — Ser e Pessoa (cap. 6–8)

Distingue, dentro da pessoa integral, cinco dimensões: consciência (conteúdos psíquicos em relação ao ego, segundo Jung), comportamento (atitudes pelo desejo cultivado), personalidade (transitória, reencarnatória, de aparência), identificação (interna ou externa, geradora de apego) e individualidade (somatório imperecível, o Espírito em si). Os fatores de desequilíbrio incluem o amor possessivo, a angústia, o rancor e o ódio. As condições de progresso reside no autoconhecimento contínuo, na meditação reflexiva, na ação solidária e na releitura das virtudes evangélicas.

Terceira parte — Problemas e Desafios (cap. 9–11)

Distingue êxito (“encontro” interior) de fracasso (“domínio pelo ego”). As dificuldades do ego apresentam-se como projeção indébita, narcisismo, exibicionismo, autopromoção. Sobre neurose, retoma a classificação freudiana (verdadeiras e psiconeuroses), mas amplia: nem sempre a etiologia está na infância atual — está, com frequência, em conduta pretérita do Espírito que retorna como conflito reparador, agravada por interferências obsessivas espirituais.

Quarta parte — Fatores de Desintegração da Personalidade (cap. 12–14)

Trata da autocompaixão (mecanismo masoquista de valorização pelo sofrimento), das queixas (transferência da responsabilidade aos outros, à sorte, ao governo, a Deus) e dos comportamentos exóticos (excentricidades como compensação do ego desestruturado).

Quinta parte — Problemas Humanos (cap. 15–21)

Núcleo de gigantes psíquicos. Apresenta os Gigantes da Alma: ressentimento (cap. 17), ciúme (cap. 18), inveja (cap. 19), necessidade de valorização (cap. 20), além das mudanças de padrões de comportamento (cap. 21). Cada um é tratado como entidade psicológica autônoma com etiologia, dinâmica e terapia próprias.

Sexta parte — Condicionamentos (cap. 22–24)

Sobre o bem e o mal (sintetizados, para Joanna, no Decálogo + sermão da regra de ouro: “não fazer a outrem o que não deseja que ele lhe faça”), sobre a paixão de Jesus (lida como pedagogia da imortalidade, não imolação culpabilizadora), e sobre enfermidade e cura. No cap. 24, vincula explicitamente o vocabulário oriental do “carma” à lei de causa e efeito kardequiana, e ressalva: “esse carma, quando provacional, tem a liberá-lo o livre-arbítrio daquele que o padece”. A amorterapia se ancora no mandamento de Jesus (Mt 22:39).

Sétima parte — A Conquista do Self (cap. 25–28)

Define a conquista do self como meta primordial da existência terrena. Os mecanismos de fuga do ego — herdados de Adler e Freud — são detalhados em cinco modalidades: compensação (atitudes opostas que mascaram conflito), deslocamento (descarga em alvo neutro), projeção (atribuir aos outros os próprios defeitos), introjeção (assumir traços de figuras externas, especialmente em telenovelas e dramas), racionalização (justificar o erro com motivos aparentemente justos). Sobre medo e morte, propõe que o pavor da morte é “herança atávica dos arquétipos ancestrais, das religiões castradoras” — superável pelo conhecimento da imortalidade.

Oitava parte — Silêncio Interior (cap. 29–32)

Sobre a aquisição da paz como a maior problemática-desafio. O silêncio interior é apresentado como condição de auto-encontro: “viajar para dentro de si, domando a mente irrequieta — que os orientais chamam o ‘macaco louco que salta de galho em galho’ — e induzi-la à reflexão”. Trata da desidentificação dos vícios e fixações, da libertação dos conteúdos negativos e do “Essencial” (cap. 32) — ancorado em “buscai primeiro o reino dos Céus” (Mt 6:33).

Nona parte — A Felicidade (cap. 33–36)

Distingue prazer e gozo (sensações imediatas, frustrantes quando saciadas) de felicidade em si mesma (harmonia entre ego e self, identificação com o eu profundo). Cita: “Jesus definiu com segurança o conceito pleno de felicidade, no conteúdo do pensamento meu reino não é deste mundo” (Jo 18:36). As condições de felicidade incluem amor que não pede e sempre doa, criatividade, identificação com a unidade. Em plenificação pela felicidade (cap. 36): “a consciência iluminada é a responsável final pela felicidade”.

Décima parte — Conquista de Si Mesmo (cap. 37–39)

Em o homem consciente (cap. 37), retoma Gurdjieff (homem adormecido / homem desperto) para apresentar o ser desperto como aquele que vive cada momento com integral lucidez. Ter e ser (cap. 38) opõe a posse compulsiva (que possui o possuidor) à autoconquista. A conquista de si mesmo (cap. 39) reinterpreta os mitos do Éden e de Caim e Abel como simbolismos do despertar da consciência — não como fundamento de culpa hereditária. Encerra com a fórmula: “A conquista de si mesmo está ao alcance do querer para ser, do esforçar-se para triunfar, do viver para jamais morrer…”

Temas centrais

  1. Quarta Força em Psicologia (Psicologia Transpessoal) como redescoberta científica do que o Espiritismo já propunha
  2. Autoconhecimento como chave do progresso — ancorado em LE q. 919 e Santo Agostinho
  3. Estrutura trina do ser (Espírito, perispírito, matéria) — superação do reducionismo materialista e da dualidade espiritualista
  4. Ego × self — desidentificação dos disfarces egóicos como caminho para o eu profundo
  5. Mecanismos de fuga do ego (compensação, deslocamento, projeção, introjeção, racionalização) — herança freudo-adleriana lida em chave espírita
  6. Gigantes da Alma — ressentimento, ciúme, inveja, autocompaixão, queixa, necessidade de valorização como entidades psicológicas autônomas
  7. Jesus como Psicoterapeuta Excelente — ponte entre idealismo socrático e reencarnacionismo, terapeuta do inconsciente individual e coletivo
  8. Silêncio interior, desidentificação e felicidade como conquistas progressivas da consciência

Conceitos tratados

Personalidades citadas

Personalidades históricas mencionadas (sem página na wiki)

  • Pioneiros da Psicologia Transpessoal: Abraham Maslow, Ken Wilber, Stanislav Grof, Elisabeth Kübler-Ross, Raymond Moody Jr., J.B. Rhine, Roger Walsh, Frances Vaughan, Roberto Assagioli, Fritjof Capra
  • Tradição psicológica clássica: Sigmund Freud, Carl Gustav Jung, Alfred Adler, William James, Ernst Kretschmer
  • Filosofia ocidental: Sócrates, Platão, Aristóteles, Boécio, Tomás de Aquino, Kant, Kierkegaard, Auguste Comte, Émile Durkheim, Søren Kierkegaard
  • Tradições orientais (referência conceitual): Buda, Vivekananda, Ramakrishna
  • Outros: Robert S. de Ropp, George Gurdjieff, Helen Keller, Franz Liszt, Demóstenes, Epicteto, Steinmetz, Beethoven, Chopin, Mozart, Milton, Francisco de Assis, Santa Teresa de Ávila

Fontes

  • Franco, Divaldo Pereira (psicografia) / Joanna de Ângelis (autoria espiritual). O Ser Consciente. Salvador: LEAL — Livraria Espírita Alvorada Editora, 1993.
  • Edição: o-ser-consciente.
  • Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. q. 621 (lei de Deus inscrita na consciência); q. 919 (Conhece-te a ti mesmo) e comentário de Santo Agostinho.
  • Bíblia. Mateus 6:33; 22:39; João 18:36.