Benoist

Identificação

Espírito que se apresentou espontaneamente a um médium em Bordeaux, em março de 1862, declarando ter morrido em 1704. Em vida, foi monge sem fé que abusou de sua posição: perseguiu inocentes, encheu os in pace (calabouços monásticos) e causou a morte de várias vítimas por fome e violência. Embora não tenha sido atingido pela justiça humana, é classificado por Kardec entre os criminosos (C&I, 2ª parte, cap. VI, “Benoist”).

Situação no mundo espiritual

Benoist descrevia sofrimentos semelhantes às pinturas tradicionais do inferno: “fogo que me devora”, “sede que irrita meus lábios”, “todos os elementos se encarniçam contra mim”. Via seus carrascos — as próprias vítimas — com aparências conhecidas. Não conseguia pronunciar o nome de Deus. Seu arrependimento veio apenas após longo sofrimento. Com a ajuda da prece e da evocação, começou a sentir esperança e a compreender que suas penas não seriam eternas (C&I, 2ª parte, cap. VI, “Benoist”).

O guia espiritual do médium (Paulin) explicou que Benoist era “tanto mais culpado quanto tinha a inteligência, a instrução e o esclarecimento para se guiar”, tendo falhado com conhecimento de causa.

Lições principais

  1. Responsabilidade proporcional ao conhecimento. Quem possui instrução e esclarecimento e ainda assim pratica o mal sofre penas mais severas, pois falhou com plena consciência (C&I, 2ª parte, cap. VI, “Benoist”).
  2. Eficácia da prece pelos Espíritos sofredores. A evocação e a prece trouxeram alívio a Benoist, demonstrando que a caridade em favor dos desencarnados é um dos fins providenciais do Espiritismo (C&I, 2ª parte, cap. VI, “Benoist”).
  3. Penas proporcionais ao grau de avanço. Espíritos mais atrasados recebem castigos “mais materiais”, enquanto os mais desenvolvidos sofrem penas predominantemente morais (C&I, 2ª parte, cap. VI, “Benoist”).

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Fontes

  • Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. 2ª parte, cap. VI, “Benoist”. FEB.