Célia

Identificação

Personagem central de 50-anos-depois (Emmanuel / Chico Xavier, 1939). Filha de Helvídio Lucius e Alba Lucínia, neta do venerando Cneio Lucius e do censor Fábio Cornélio, irmã mais nova de Helvídia. Cristã desde a primeira juventude. Emmanuel a apresenta como “sublime coração feminino que se divinizou no sacrifício e na abnegação” e a identifica explicitamente, na “Carta ao leitor” da obra, com tradição preservada nos arquivos da Igreja Romana — leitura natural: a virgem-monge Santa Marina (de Antioquia/Bitínia), com datas e nomes deslocados pelo “dedo viciado dos humanos narradores”.

Papel

Em Roma, ano 133 d.C., descobre por acaso a maquinação de Lólio Urbico contra a honra da mãe — o prefeito dos pretorianos a assedia continuamente, manipulado pela esposa Cláudia Sabina e pela serva Hatéria. Quando Cláudia forja um encontro indecente para que a calúnia pública atinja Alba Lucínia, Célia oferece-se como vítima substitutiva: deixa o lar em silêncio, recusando-se a denunciar o que vira, para que a infâmia recaia sobre si e poupe a reputação da mãe e da irmã (na véspera do casamento de Helvídia com Caio Fabrícius). É o primeiro dos seus sacrifícios em chave de imitação de Cristo.

Acolhida e protegida pelo escravo cristão Nestório (encarnação seguinte de Públio Lêntulus) e pelo filho Ciro — seu eleito —, foge para Alexandria. Após a captura de Nestório e Ciro pelos pretorianos, Célia se recolhe a um mosteiro cristão dos arredores da cidade traveste-se de monge sob o nome de Irmão Marinho, e dedica os dez anos seguintes da vida ao serviço dos leprosos, dos pobres e das crianças desvalidas. Sua reputação de santidade atravessa o Egito.

Brunehilda, filha do convidado romano Menênio Túlio, engravidada por um soldado, atribui falsamente a paternidade a Irmão Marinho para escapar à fúria do pai. Célia recebe a acusação em silêncio absoluto, recolhe-se a uma cela, acolhe a criança recém-nascida como filha sua e nunca contesta a calúnia. Morre ainda jovem, esgotada. Os monges, lavando o corpo, descobrem que Irmão Marinho era virgem; Brunehilda enlouquece de remorso; o velho superior Epiphanio se prosterna em arrependimento diante do cadáver.

Após a desencarnação, é convocada a mundo superior com a tarefa de velar pela evolução dos seus, e na assembleia espiritual que prepara a próxima reencarnação coletiva do grupo, sua aparição luminosa é o que finalmente comove os participantes ao perdão recíproco e dissolve as últimas resistências (cap. 7 — “Nas Esferas Espirituais”).

Citações relevantes

“Refiro-me à Célia; figura central das páginas desta história, cujo coração, amoroso e sábio, entendeu e aplicou todas as lições do Divino Mestre, no transcurso doloroso de sua vida. (…) Santa pelas virtudes e pelos atos de sua existência edificante, seu Espírito era bem o lírio nascido do lodo das paixões do mundo, para perfumar a noite da vida terrestre, com os olores suaves das mais divinas esperanças no Céu.” [[obras/50-anos-depois|(Emmanuel / Chico Xavier, 50 anos depois, “Carta ao leitor”)]]

“Certamente, Jesus preferiu que eu ficasse no mundo, sem o amor de Ciro, a sofrer o sacrifício da separação e da saudade, a fim de me salvar um dia, para o Céu, onde se reúnem todos os seus bem-aventurados.” [[obras/50-anos-depois|(Célia ao avô Cneio Lucius, 50 anos depois, cap. 7 — “Nas festas de Adriano”, após contemplar o céu de Roma como bando de pombas alvas no instante do martírio de Nestório e Ciro no circo)]]

Páginas relacionadas

Fontes

  • XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). 50 anos depois. Rio de Janeiro: FEB, 1939. Edição: 50-anos-depois.