Ernesto Fantini
Identificação
Personagem central de e-a-vida-continua (André Luiz / Chico Xavier, FEB, 1968). Homem de meia-idade — em vida, advogado e corretor próspero em São Paulo, dono de apartamentos de aluguel, casa no Guarujá, joias e depósitos bancários. Espiritualista em estudo “por necessidade” diante da cirurgia próxima — não chega a se identificar como espírita, descreve-se como “procurador da verdade, livre atirador no campo das ideias” (cap. 2). Tumor na supra-renal. Esposa Elisa, filha única Vera Celina. Reconhece-se, em retrospecto, como pai-legenda — provedor financeiro, mas ausente das coisas do coração. Identidade terrena fixada apenas pela narrativa de André Luiz.
Papel
Co-protagonista do romance e contraponto doutrinário a Evelina: ele leva ao encontro inicial os conceitos de espiritualismo (analogia carro / cavalo / cocheiro, cap. 2) que abrem o livro. Conhece Evelina numa praça de estância mineira em vésperas de cirurgias arriscadas e desencarna logo após.
Na estância sob o Instrutor Ribas, o golpe central lhe vem na visita de retorno à Terra (cap. 18): descobre que Vera Celina, a “rival” de Evelina, é sua própria filha. O cap. 19 desnuda-lhe o saldo paterno: a filha, em conversa com Caio, descreve-o como pai distante, “ocupadíssimo, quase sem tempo para a casa […], nunca pude contar-lhe nem mesmo os meus problemas de colégio”. O cap. 23 sela a lição com a fórmula de Ribas: “maridos-legenda, pais-legenda, filhos-legenda, administradores-legenda […] usamos rótulos, sem atender às obrigações que eles nos indicam”.
Atua sob Ribas no socorro a Elisa (sua viúva, obsidiada por Desidério) e, principalmente, na mediação com Desidério — o ex-assassino do pai biológico de Evelina, tornado obsessor de Elisa havia mais de 20 anos. Cap. 23: convence Desidério a deixar a viúva partir e a acolher o esquema reencarnatório.
Junto com Evelina, é responsabilizado por Ribas pela execução do esquema de 30 anos do grupo. Ao final (cap. 26), une-se a Evelina em matrimônio espiritual oficiado por Ribas — ambos dispensados de qualquer compromisso afetivo pelos cônjuges anteriores.
Citações relevantes
“O carro equivale ao corpo físico, o animal pode ser comparado ao corpo espiritual, modelador e sustentador dos fenômenos que nos garantem a existência física, e o cocheiro simboliza, em suma, o nosso próprio Espírito, isto é, nós mesmos, no governo mental da vida que nos é própria.” (Ernesto a Evelina, cap. 2)
“Tenho tido mais tempo ao meu dispor e desse tempo faço hoje os investimentos que posso, nos domínios de tudo o que se relacione com as ciências da alma, principalmente com aquilo que se refira à sobrevivência e à comunicação com os Espíritos, supostos habitantes de outras Esferas.” (cap. 2)
“Somente ali, naquela estância espiritual, depois da morte do corpo físico, percebia, nas duras refregas da autocorrigenda, que o dinheiro não faz o serviço do coração.” (narrador, sobre Ernesto, cap. 23)
Páginas relacionadas
- e-a-vida-continua — obra de origem
- evelina-serpa — co-protagonista, futura esposa na Espiritualidade
- ribas — Instrutor da estância
- andre-luiz — autor espiritual
- chico-xavier — médium
- perispirito · obsessao · reencarnacao
Fontes
- XAVIER, Francisco Cândido (André Luiz). E a vida continua… Rio de Janeiro: FEB, 1968. Edição: e-a-vida-continua.