Luís XI
Identificação
- Nome: Luís XI de Valois (1423–1483)
- Títulos: Rei de França (1461–1483); apelidado por seus contemporâneos l’universelle aragne (“a aranha universal”), pela política de tecer redes diplomáticas e conspirativas
- Notas históricas: centralizou o reino, derrotou a casa de Borgonha (Carlos, o Temerário), consolidou o poder real após a Guerra dos Cem Anos
Papel
Espírito autor das Confissões de Luís XI — História de sua vida, ditada por ele mesmo, ditadas à médium ermance-dufaux na Revista Espírita de 1858. Trabalho de fôlego transcrito em quinze dias, “matéria de um grosso volume” segundo Kardec, com revelações inéditas sobre a “sombria política” do rei (RE, mar/1858).
A função doutrinária é dupla, semelhante à do trabalho com joana-darc:
- Demonstração da continuidade da memória — um Espírito conserva “a lembrança tão precisa que pode um Espírito conservar de acontecimentos da vida terrena”, inclusive detalhes não registrados em nenhuma fonte conhecida.
- Confissão moral pós-morte — diferentemente da biografia de Joana d’Arc (heroína já reabilitada), as Confissões têm caráter penitente: Luís XI assume sem rodeios a tentativa de envenenamento do Conde de Charolais, a sedução do despenseiro Jean Constain, a “ideia de um crime” que “não mais [o] espantava” (RE, mar/1858). É um caso modelo de arrependimento e reconhecimento dos próprios erros após a desencarnação — material pedagógico no espírito do que entrará depois em O Céu e o Inferno (1865).
Obras associadas
Trechos das Confissões publicados em três fascículos:
- “Confissões de Luís XI — História de sua vida, ditada por ele mesmo à Srta. Ermance Dufaux” (RE, mar/1858) — episódio do Conde de Charolais e do governo da Normandia.
- “Morte de Luís XI” (RE, mai/1858) — extrato sobre os últimos instantes do rei.
- “Confissões de Luís XI” (RE, jun/1858) — continuação.
A obra completa nunca foi publicada em volume separado durante a vida de Kardec, ao contrário da biografia de Joana d’Arc. Os trechos da Revista são os únicos preservados.
Citações relevantes
Confissão sobre a tentativa de envenenamento:
“Eu odiava o conde e pensava que tudo devia temer de sua parte. […] Havia mais razões do que era preciso para mandar envenenar o Conde de Charolais. Além do mais, a ideia de um crime não mais me espantava.” (RE, mar/1858)
Sobre a transação política após o fracasso da conspiração:
“Quando o Conde veio a Tours, pediu-me uma entrevista particular. Nela deixou extravasar todo o seu furor e encheu-me de censuras. Acalmei-o dando-lhe o governo geral da Normandia e a pensão de trinta e seis mil libras.” (RE, mar/1858)
Kardec sobre o valor do trabalho:
“A rapidez de execução, pois bastaram quinze dias para ditar a matéria de um grosso volume, e a lembrança tão precisa que pode um Espírito conservar de acontecimentos da vida terrena.” (RE, mar/1858)
Páginas relacionadas
- revista-espirita-1858 — três trechos publicados ao longo do ano.
- ermance-dufaux — médium psicógrafa.
- joana-darc — outro Espírito histórico autobiografado pela mesma médium no mesmo ano.
- reencarnacao · penas-e-gozos-futuros
Fontes
- Kardec, Allan. Revista Espírita, mar, mai e jun/1858 (“Confissões de Luís XI — História de sua vida, ditada por ele mesmo”).
- Edição local: 1858.