Zulmira

Identificação

Personagem de Entre a Terra e o Céu. Segunda esposa de Amaro, moça de vinte e cinco anos aproximadamente, madrasta de Evelina e Júlio. Desposou Amaro em circunstâncias afetivamente desequilibradas, com ciúme crescente do carinho que o marido dedicava ao caçula.

Papel

Caso-modelo de obsessão por sintonia de remorso. Em ciumadas, Zulmira desejou ardentemente a morte do enteado Júlio e, na manhã da tragédia, separou-o da irmã e o deixou à beira-mar — “Decerto, Júlio, em sua curiosidade infantil, não resistiria à atração para o seio das águas… Ninguém poderia culpá-la” (cap. 4). A criança afogou-se. À frente da Lei, Zulmira não é culpada: “Júlio trazia consigo a morte prematura no quadro de provações. Era um suicida reencarnado” (cap. 4). Mas, dominada pelo remorso, desceu ao padrão vibratório de Odila, a ex-esposa desencarnada, e caiu obsidiada.

A doença é apresentada como diagnóstico cristalino: a paz de consciência é castelo fortificado; a culpa, deserção para a floresta escura (cap. 4). A cura exige duas frentes: (1) conversão da obsessora (Irmã Clara, cap. 23); (2) reajuste conjugal — Amaro reencontra a esposa com carinho e lhe devolve valor (cap. 25).

Já restaurada, acolhe Júlio como filho na reencarnação (cap. 28), fechando o ciclo: a rival imaginária torna-se o regaço materno do mesmo menino cuja morte desejou.

Citações relevantes

“Amaro! Como te agradeço a alegria desta hora! Entretanto, a imagem de Júlio não me sai da lembrança… Sinto que o remorso me persegue. Não fiz tudo o que eu devia para salvar o filhinho que me confiaste!” (cap. 25)

“Estou pronta! Devo a Júlio cuidados que lhe neguei… Louvo reconhecidamente a Deus por esta graça!” (cap. 27, ao aceitar ser mãe)

Obras associadas

Páginas relacionadas

  • odila — obsessora reconciliada
  • obsessao — caso paradigmático de obsessão por culpa
  • livre-arbitrio — responsabilidade pelos desejos

Fontes

  • XAVIER, Francisco Cândido (André Luiz). Entre a Terra e o Céu. Rio de Janeiro: FEB, 1954.