Homem de bem

Definição

Retrato moral completo do ser humano que pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua maior pureza. Descrição apresentada por Kardec no ESE como bússola para a conduta moral do espírita.

Ensino de Kardec

O retrato do homem de bem

Kardec apresenta no cap. XVII do ESE, item 3, uma descrição detalhada das qualidades do homem de bem, que pode ser resumida nos seguintes traços:

Com Deus: O verdadeiro homem de bem tem fé em Deus, na vida futura e na justiça divina. “Crê na bondade, na grandeza e na justiça de Deus e aceita a vida como uma prova que lhe cumpre suportar” (ESE, cap. XVII, item 3).

Com o próximo: É bom, humano, benevolente para com todos, sem distinção de raça, crença ou condição social. Perdoa as ofensas: “Retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte” (ESE, cap. XVII, item 3). Não alimenta ódio nem vingança.

Consigo mesmo: Trabalha em combater suas próprias imperfeições. “Consulta a sua consciência sobre todos os seus atos, perguntando a si mesmo se não viola a justiça, se não faz a outrem o que não quisera que lhe fizessem” (ESE, cap. XVII, item 3). Não busca aplausos para suas boas obras — faz o bem pelo bem.

Com os subordinados: “Trata com bondade e benevolência os seus inferiores e não abusa da autoridade que lhe é conferida” (ESE, cap. XVII, item 3). É justo no exercício de qualquer forma de poder.

Em relação aos bens: É desinteressado. “A riqueza, para ele, não é mais que um depósito de que deve dar conta” (ESE, cap. XVII, item 3). Emprega os bens no bem dos outros.

Fundamento no LE

O LE dedica as questões 893 a 919 à perfeição moral. “A perfeição moral consiste em praticar a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza” (LE, q. 893). O homem de bem é a encarnação prática desse ideal: “O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade na sua maior pureza” (LE, q. 918).

Distinção entre homem de bem e homem perfeito

O homem de bem não é ainda o Espírito perfeito, mas é aquele que se esforça continuamente para o aperfeiçoamento. Suas imperfeições existem, mas ele as reconhece e trabalha para vencê-las (ESE, cap. XVII, item 3).

Desdobramentos

O retrato do homem de bem funciona como exame de consciência prático: cada traço descrito por Kardec pode ser usado como referência para autoavaliação. Não se trata de idealismo inalcançável, mas de meta progressiva — o Espírito avança passo a passo.

Aplicação prática

O cap. XVII do ESE é frequentemente utilizado em estudos sistemáticos e grupos de estudo em casas espíritas. A leitura pausada de cada traço do homem de bem, seguida de reflexão pessoal, é exercício moral de grande valor. Em palestras sobre ética espírita, é referência indispensável.

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Fontes

  • Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: FEB. Cap. XVII (“Sede perfeitos”), item 3.
  • Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: FEB. Parte 3, cap. XII (q. 893–919) — “Da perfeição moral”.