Jacques Latour
Identificação
Assassino condenado pelo tribunal de Foix, executado em setembro de 1864. Manifestou-se espontaneamente numa reunião espírita em Bruxelas, em 13 de setembro de 1864, na presença de Allan Kardec, através de uma médium falante e escrevente. Comunicou-se posteriormente várias vezes com membros da Sociedade Espírita de Paris (C&I, 2ª parte, cap. VI, “Jacques Latour”).
Situação no mundo espiritual
Latour encontrava-se em estado de desespero atroz. Perseguido incessantemente pela visão de suas vítimas, pelo cheiro e pela poça de sangue, descreveu suas torturas em termos lancinantes: “Este fogo que me devora é pior, é uma morte contínua.” Havia renegado Deus em vida e enfrentado o suplício da guilhotina com indiferença, mas ao despertar no além descobriu que “tudo não estava acabado”.
Ao longo de várias comunicações, evoluiu do desespero ao arrependimento sincero. Pediu perdão a Deus, recebeu alívio progressivo pelas preces e foi finalmente liberto da visão das vítimas. Declarou o desejo de reencarnar como “missionário de paz e de caridade” para ensinar crianças a amar a Deus e socorrer os desvalidos (C&I, 2ª parte, cap. VI, “Jacques Latour”).
Lições principais
- O arrependimento como primeiro passo. Kardec observa que o arrependimento não basta para colocar o culpado entre os eleitos — é o prelúdio do perdão, mas Deus exige também a expiação e a reparação (C&I, 2ª parte, cap. VI, “Jacques Latour”).
- Natureza mais selvagem que perversa. A rápida mudança de Latour indicava “uma natureza mais selvagem do que perversa, à qual faltou apenas uma boa direção”, diferenciando-o dos criminosos calculistas e orgulhosos (C&I, 2ª parte, cap. VI, “Jacques Latour”).
- Crítica à justiça humana. Em suas comunicações, Latour fez uma reflexão profunda sobre como a sociedade, ao rejeitar o condenado arrependido e fechar-lhe todas as portas, empurra-o de volta ao crime (C&I, 2ª parte, cap. VI, “Jacques Latour”).
Páginas relacionadas
Fontes
- Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. 2ª parte, cap. VI, “Jacques Latour”. FEB.