Charles Richet
Identificação
Charles Robert Richet (Paris, 26/08/1850 — Paris, 04/12/1935). Fisiologista francês, professor da Faculdade de Medicina de Paris (cadeira de Fisiologia), pesquisador pioneiro da chamada metapsíquica (disciplina que ele próprio nomeou e sistematizou em 1922 com o Traité de Métapsychique). Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1913 pelos trabalhos sobre anafilaxia (reação alérgica grave por sensibilização) — atenção: a obra de Humberto de Campos que comenta sua passagem diz “Nobel da Paz” em cronicas-de-alem-tumulo cap. 16, erro factual registrado sem implicação doutrinária.
Papel
Richet aparece nesta wiki como caso paradigmático do cientista honesto que estuda os fenômenos espíritas sem aderir à fé doutrinária. Em cronicas-de-alem-tumulo cap. 16 (“A passagem de Richet”), Humberto de Campos narra sua desencarnação (1935) em forma de tribunal celeste: Richet teria reencarnado em 1850 com compromisso pré-natal de servir aos ideais da imortalidade, recebeu carreira intelectual deslumbrante (cátedra, Nobel, Tratado de Metapsíquica, La grande espérance) e foi assistido por “mensageiros” do plano espiritual durante toda a vida — mas viu nos fenômenos mediúnicos apenas a “exteriorização das possibilidades de um sexto sentido nos organismos humanos”, tratando as verdades imortalistas como hipóteses, não como certezas.
A narrativa de Humberto culmina na concessão gratuita da fé no leito de morte: “premiando os teus labores, eu te concedo os tesouros da fé que te faltou na dolorosa estrada do mundo!” — Jesus reconhece a honestidade do esforço e completa, por graça, o que a razão científica não alcançou. Caso doutrinariamente delicado: harmoniza com ESE cap. XIX (“A fé transporta montanhas”), onde Kardec distingue fé raciocinada (ideal) de fé sentimental (acessível ao trabalhador honesto que não foi favorecido pela compreensão completa).
Trajetória científica (relevante à wiki)
Recapitulação a partir do cap. 16:
- 1877–1884 — publica estudos sobre circulação sanguínea, sensibilidade, estrutura das circunvoluções cerebrais, fisiologia dos músculos e nervos. Organizador de um Dicionário de Fisiologia.
- Década de 1890 — experiências com a médium Eusápia Paladino (1854–1918) em Carqueiranne, Milão e na ilha Ribaud (Mediterrâneo), em conjunto com Oliver Lodge, Frederic Myers e Henry Sidgwick (Society for Psychical Research de Londres).
- Investigações na Argélia (caso Alger) — análise com Gabriel Delanne das experiências de materialização que revolucionaram os meios intelectuais franceses.
- 1913 — Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina pela descoberta da anafilaxia (cunhou o termo em 1902 com Paul Portier, a bordo do iate do Príncipe Albert I de Mônaco).
- 1922 — publica o Traité de Métapsychique (Paris: Félix Alcan), obra-marco que batiza a disciplina e fixa o método de investigação positiva dos fenômenos sobrenormais sem comprometimento metafísico.
- 1933 — publica La grande espérance (A Grande Esperança), obra de inflexão pessoal nos últimos anos.
- 04/12/1935 — desencarna em Paris.
Posição doutrinária frente ao Espiritismo
Richet representa o paradigma da metapsíquica científica europeia — vertente que Pedro Richard critica em Crônicas cap. 33 ao expor a primazia FEB-Casa de Ismael da reforma íntima sobre o fenomenalismo: “Com algumas exceções, os sábios que ali se ocuparam do assunto, possuídos do mais avançado personalismo, definiram os fatos mediúnicos dentro de suas vaidades pessoais”. A leitura espírita brasileira coloca Richet como exemplar honesto dessa vertente, distinto dos casos de adesão integral à doutrina (Léon Denis, Delanne) que abrem o capítulo a uma articulação filosófico-religiosa mais ampla.
Obras associadas
- cronicas-de-alem-tumulo — Humberto de Campos / Chico Xavier (FEB, 1935), cap. 16 (“A passagem de Richet”). Narrativa do leito de morte e do cortejo de espíritas franceses (Léon Denis, Gabriel Delanne, Flammarion) recebendo Richet no Além.
- as-casas-mal-assombradas — Camille Flammarion (1923) cita Richet como colega e destinatário de casos (Srta. Tverdianski ao Dr. Richet, nov/1891; anedota da médium Sra. Thompson em Carqueiranne com William James e Myers, nota 54), e invoca seu Tratado de Metapsíquica como referência de método. Par contrastante: Flammarion adere ao quadro espírita; Richet permanece no fenomenalismo metapsíquico.
- Traité de Métapsychique (1922) — obra-marco encarnada; não ingerida na wiki (nível 4 / heterodoxa quanto ao quadro espírita).
- La grande espérance (1933) — obra encarnada de inflexão pessoal; não ingerida.
Páginas relacionadas
- humberto-de-campos — autor espiritual da narrativa biográfica de Richet
- leon-denis — par contrastante (filósofo espírita que integra fenômenos à fé)
- camille-flammarion — par contrastante (cientista-espírita declarado)
- mediunidade — quadro doutrinário dos fenômenos que Richet estudou
- identidade-dos-espiritos — critério kardequiano que Richet não aplicou plenamente
Fontes
- XAVIER, Francisco Cândido (Humberto de Campos). Crônicas de Além-Túmulo, cap. 16 “A passagem de Richet”. Rio de Janeiro: FEB, 1935. Edição: cronicas-de-alem-tumulo.
- RICHET, Charles. Traité de Métapsychique. Paris: Félix Alcan, 1922 (referência encarnada externa à wiki).
- KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIX (“A fé transporta montanhas”). Edição: evangelho-segundo-o-espiritismo.