Parábola do bom samaritano
Definição
Parábola contada por Jesus em resposta à pergunta “quem é o meu próximo?“. Ensina que o verdadeiro próximo é aquele que pratica a caridade sem distinção de raça, credo ou condição social. Kardec a analisa no capítulo XV do ESE como fundamento da máxima “Fora da caridade não há salvação”.
Texto da parábola
“Um homem, que descia de Jerusalém para Jericó, caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram e, depois de o haverem maltratado, se foram, deixando-o meio morto. Um sacerdote, que por acaso descia pelo mesmo caminho, tendo-o visto, passou adiante. Um levita, achando-se no mesmo lugar, também o viu e passou adiante. Mas um samaritano, passando pelo mesmo caminho e vendo-o, teve compaixão dele, e, aproximando-se, lhe atou as feridas, deitando nelas azeite e vinho; pô-lo sobre a sua cavalgadura, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele.” (S. Lucas, 10:30–34)
Jesus pergunta então ao doutor da lei: “Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele que caíra nas mãos dos ladrões?” A resposta é inevitável: “Aquele que usou de misericórdia com ele.” E Jesus conclui: “Vai e faze o mesmo.” (S. Lucas, 10:36–37)
Ensino de Kardec
Kardec destaca que esta parábola define o verdadeiro sentido da palavra “próximo” (ESE, cap. XV, itens 2–4):
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O sacerdote e o levita representam os que professam a fé de boca, conhecem a lei, mas não a praticam. Passam ao largo do sofrimento alheio, talvez por preconceito, indiferença ou falso zelo religioso.
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O samaritano — membro de um povo desprezado pelos judeus — é justamente quem socorre o ferido. Não pergunta quem é a vítima, de que crença ou nação; age movido pela compaixão pura.
Kardec conclui que o próximo não é apenas o compatriota, o correligionário ou o amigo: é todo ser humano, sem exceção. A caridade verdadeira não faz distinção. Esse ensino se alinha à máxima espírita: “Fora da caridade não há salvação” (ESE, cap. XV, item 10).
O ensino também se conecta à lei de justiça, amor e caridade codificada por Kardec (LE, q. 886): “A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, mas abrange todas as relações entre os homens.”
Aplicação prática
A parábola interpela diretamente a conduta cotidiana. Não basta frequentar centros espíritas, estudar as obras de Kardec ou professar a crença na imortalidade da alma. O que define o verdadeiro espírita é a disposição de socorrer quem sofre — material, moral e espiritualmente —, sem indagar merecimento, sem esperar retribuição, sem selecionar a quem ajudar. A caridade efetiva, praticada com simplicidade e amor, é o critério pelo qual todos seremos avaliados.
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Fontes
- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XV (“Fora da Caridade Não Há Salvação”), itens 2–4. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- Novo Testamento. S. Lucas, 10:25–37.
- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, q. 886. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.