Plenitude
Definição
Plenitude é o estado de saúde integral que se segue à libertação do sofrimento — fim do ciclo causal de “doença da alma”, harmonia restaurada entre Espírito, perispírito e organismo físico. É conceito-título da obra homônima de Joanna de Ângelis / Divaldo Franco (1990), que estrutura todo o tratamento do sofrimento humano à luz do diálogo entre Buda, Jesus e Kardec.
Não é felicidade hedônica nem ausência de provas. É equilíbrio dinâmico do ser que, conhecendo-se e amando, atravessa as vicissitudes sem se perturbar — “o estado de paz que nada perturba”, como define a obra (cap. VIII).
A tese-base
O sofrimento é “doença da alma” desencadeada pelo mau uso do livre-arbítrio e pelo distanciamento do amor (cf. dor). A cura real exige extirpação das causas — não anestesia dos sintomas. Plenitude é, portanto, o resultado positivo da terapia interior, não um conceito em si autônomo.
“A presença do sofrimento resulta do distanciamento do amor, que lhe é o grande e eficaz antídoto. Interdependentes, o sofrimento e o amor são mecanismos da evolução. Quando um se afasta, o outro se apresenta.” (Plenitude, cap. I)
Como se chega à plenitude
A obra apresenta caminhos cumulativos, não excludentes:
- Conhecer-se — “Conhece-te a ti mesmo” (LE, q. 919), ancoragem de toda a psicologia espírita de Joanna.
- Amar e perdoar — perdão das faltas alheias e autoperdão, antídotos contra remorso e complexo de culpa (cap. IV).
- Praticar a caridade — tese kardecista “Fora da caridade não há salvação” (ESE, cap. XV, item 10), reposicionada como tese terapêutica.
- Trilhar o Caminho Óctuplo retamente — releitura espírita dos oito passos budistas em chave moral cristã (cap. VIII de Plenitude).
- Praticar a autocura — técnica em 4 passos do cap. IX, que canaliza pensamento e emoção para a Fonte do Poder.
- Libertar-se da obsessão — terapia desobsessiva (cap. X), ancorada em (LM, cap. XXIII, item 252).
A síntese paulina, repetida ao final do cap. VIII, condensa o estado: “já não mais vive [a pessoa], sendo o Cristo quem vive nela”.
Plenitude e impermanência
A obra distingue plenitude de invulnerabilidade. Quem alcança plenitude não escapa às doenças, perdas e provas — atravessa-as sem que afetem o equilíbrio íntimo. As enfermidades físicas, quando subsistem por necessidade evolutiva, deixam de ser causa de sofrimento moral porque o ser em plenitude as integra na economia da própria evolução. É a posição do “herói do sofrimento” que cap. V descreve: cuja resignação dinâmica embeleza a vida moral.
“O homem renasce para ser livre, a fim de poder crescer e alcançar o seu fanal maior, que é a realização plena.” (Plenitude, cap. V)
Aplicação prática
- Em estudos doutrinários: como meta integradora — articula moral kardecista (caridade), prática (autoconhecimento, oração) e diálogo intercultural (Buda, Jung) sem relativizar o eixo cristão.
- No atendimento espírita fraterno: oferecer ao consulente o roteiro acumulativo de Plenitude em vez de prescrição isolada.
- Em palestras: tema rico para a sequência diagnóstico → causas → caminhos → estado final, espelhando as Quatro Nobres Verdades reposicionadas pelo Espiritismo.
Páginas relacionadas
- plenitude — fonte primária; conceito-título.
- autocura — técnica em 4 passos pela qual a plenitude se conquista.
- dor — par dialético; sofrimento como “doença da alma” curável pelo amor.
- obsessao — obstáculo recorrente à plenitude; cura via terapia desobsessiva.
- expiacao — pano de fundo: sofrimento expiatório que a plenitude resolve, encerrando o ciclo.
Fontes
- Joanna de Ângelis / Franco, Divaldo Pereira (psicografia). Plenitude. Salvador: LEAL, 1991. 17ª ed.
- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. q. 132 (encarnação como expiação); q. 919 (conhece-te a ti mesmo).
- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. cap. XV (Fora da caridade não há salvação).