Victor Hugo

Identificação

  • Nome completo: Victor-Marie Hugo
  • Nascimento: 26 de fevereiro de 1802, Besançon, França
  • Desencarnação: 22 de maio de 1885, Paris, França. Funeral nacional sob o Arco do Triunfo, com cerca de um milhão de presentes; sepultado no Panteão de Paris, a seu pedido, em caixão modesto.
  • Função (em vida): Romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta. Deputado da Segunda República (1848). Exilado político por oposição a Napoleão III entre 1851 e 1870 (Bélgica, Jersey, Guernsey).
  • Obras-marco: Notre-Dame de Paris (1831), Os Miseráveis (1862), Os Trabalhadores do Mar (1866), O Homem que Ri (1869).
  • Função (como Espírito): Comunicante via Divaldo Pereira Franco — autor de 11 romances psicografados.

Relação com o Espiritismo em vida

Hugo viveu exilado na ilha de Jersey de 1852 a 1855, na propriedade de Marine Terrace. A iniciação ao fenômeno das mesas girantes deu-se em 6 de setembro de 1853, com a chegada da poeta e romancista Delphine de Girardin, também exilada. A primeira sessão bem-sucedida ocorreu em 11 de setembro de 1853: a mesa, batendo letra a letra (uma pancada para A, duas para B, e assim por diante), identificou-se como Léopoldine, filha de Hugo morta em naufrágio no rio Sena em 1843.

As sessões prosseguiram quase diariamente até 8 de outubro de 1855, com a participação de Hugo, da esposa Adèle, dos filhos, de Auguste Vacquerie e de Théophile Guérin. Os procès-verbaux foram compilados em quatro cadernos vermelhos hoje conhecidos como Le Livre des Tables, publicado postumamente. Entre os Espíritos comunicantes registrados constam Shakespeare, Molière, Galileu, Dante, Aníbal, Lutero, Safo, André Chénier, Alexandre, Leônidas, Platão, Ésquilo e outros — comunicações cujo conteúdo, em muitos casos, retomava o estilo e os temas da personagem evocada.

Em 1863, Allan Kardec reconheceu publicamente a importância de Hugo para o movimento espírita ao publicar na Revista Espírita uma carta de Hugo a Alphonse de Lamartine, escrita em ocasião da desencarnação da esposa de Lamartine. Em fev/1865 (RE 1865), Kardec republica o “Discurso ao pé do túmulo de uma jovem” pronunciado por Hugo em Guernsey, em que ele articula tese de continuidade da alma após a morte. Em dez/1867 (RE 1867, “Um ressurrecto contrariado”), o jornal La Liberté publica relato de uma viagem de Hugo à província da Zelândia (Holanda); durante jantar oficial em Ziéricsée, Hugo escuta a história de um advogado holandês ressuscitado após uma hora submerso num fosso (ressuscitado por camponeses pela técnica de rolá-lo no campo de garança). O ressuscitado teria gritado: “Que foi que fizestes? Eu estava tão bem onde estava! Estava com minha mulher, com meu filho […] eu via Deus, estava na luz.” Hugo articula então a tese espírita do estado flutuante da alma na agonia:

“Há dois enigmas nesta história: o enigma do corpo e o da alma. […] O que disto resulta para mim é que a alma pode ficar um certo tempo acima do corpo, em estado flutuante, já não sendo mais prisioneira e ainda não estando liberta. Esse estado flutuante é a agonia, é a letargia. O estertor é a alma que se lança fora da boca aberta e que aí recai por instantes, e que se sacode, arquejante, até que se quebre o fio vaporoso do último sopro. […] Os sonhos são alguns passos quotidianos da alma fora de nós.” (Victor Hugo, citado em RE dez/1867)

Comentário de Kardec: “Se existe algo de mais espírita ainda, é a explicação dada pelo Sr. Victor Hugo. Dir-se-ia tirada textualmente da Doutrina.” Hugo é assim mobilizado em 1867 — junto com Flammarion, Lacordaire e Joseph de Maistre — como literato e aliado cultural que cumpre involuntariamente a profecia da Alocução de 6/10/1865 (“Os literatos serão os vossos mais poderosos auxiliares”). Detalhe completo em revista-espirita-1867.

Cronologia

As sessões de Jersey antecedem a publicação de livro-dos-espiritos (abril de 1857). Hugo nunca se filiou formalmente à codificação kardequiana — sua experiência corre paralela ao nascimento do Espiritismo organizado. O método de Jersey (mesa de três pés sobre uma mesa, batidas tipológicas) corresponde aos primeiros fenômenos descritos por Kardec em obras-postumas e é tratado doutrinariamente em livro-dos-mediuns (LM, 2ª parte, cap. IV).

Papel como Espírito comunicante

Segundo relato de Divaldo Franco, Victor Hugo apareceu-lhe pela primeira vez em abril de 1970, no Rio de Janeiro. Divaldo estava febril com gripe, deitado num quarto, quando Hugo entrou vestido de negro, gola de veludo com arminho, barba longa — conforme as fotografias conhecidas.

A primeira sessão de psicografia durou das 9h da noite às 3h da madrugada, em papel pardo de embrulhar pão improvisado como caderno. Hugo exigiu que o primeiro romance fosse concluído em 20 dias — 408 páginas (corpo 8). A história narrava três reencarnações do duque de Bit, da cidade de Siena (Itália), incluindo detalhes verificáveis: um pórtico com inscrição em latim que Divaldo confirmou pessoalmente ao visitar Siena.

Hugo escreveu os capítulos fora de ordem (15, 35, 20, 8, 10…) para que Divaldo não interferisse na narrativa com suas emoções — Divaldo confessa que torcia pelos personagens e tentava influenciar o enredo mentalmente. Hugo o repreendeu: “Isso aconteceu em 1748 e o senhor quer salvá-lo em 1970?”

Estilo literário

Divaldo distingue os Espíritos pelo estilo, critério recomendado por Kardec (LM, 2ª parte, cap. XXIV). Victor Hugo é minudente: “Descrever esta mesa, gasta duas páginas.” Em contraste, Joanna de Ângelis é sintética, e Marco Prisco ainda mais conciso.

Obra psicografada

Até a data da palestra (~2023), Victor Hugo havia psicografado 11 romances através de Divaldo. O primeiro ultrapassou 100.000 exemplares. Os livros passaram por revisão da FEB: historiadores verificaram dados históricos, revisores checaram a língua portuguesa, e a editoria avaliou o potencial do texto.

Obras associadas (na wiki)

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Fontes