Orgulho

Sentimento exagerado do próprio valor que leva o homem a se crer superior aos demais. Ao lado do egoísmo, o orgulho é apontado pelos Espíritos como um dos principais entraves ao progresso moral, fonte de incredulidade e barreira entre o homem e Deus.

Ensino de Kardec

Raiz de males

“O orgulho é que gera a incredulidade. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira erguida entre o homem e Deus.” (LE, Introdução, item V; Parte 2, cap. I, Introdução)

O orgulho cega o Espírito para suas próprias imperfeições, impedindo-o de reconhecer a necessidade de progresso. O fisiologista materialista, por exemplo, é conduzido ao materialismo pelo orgulho — “orgulho dos homens, que julgam saber tudo e não admitem que haja coisa alguma que lhes esteja acima do entendimento” (LE, q. 147).

Orgulho e revolta

O orgulho pode levar o Espírito a revoltar-se contra Deus, negando a Providência ou atribuindo a si próprio os méritos de que goza. Espíritos endurecidos no orgulho são os que mais demoram a progredir — não por impossibilidade, mas por teimosia (LE, Parte 4; C&I, 2ª parte, cap. VII).

O remédio: a humildade

A humildade é a virtude oposta ao orgulho. Não se trata de auto-humilhação, mas do reconhecimento sincero das próprias limitações e do valor alheio. “Os Espíritos Bons só dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e desinteresse” (LE, Parte 2, cap. I, Introdução).

Aplicação prática

Em estudos e palestras, é útil mostrar como o orgulho se manifesta em formas sutis: o intelectualismo que desdenha a fé, a vaidade espiritual de quem se julga mais evoluído, a resistência a reconhecer erros. O autoexame proposto por Kardec pergunta: “Que fiz do orgulho e da vaidade? Sacrifiquei-os?” (LE, Conclusão, item III).

Em Hammed — As Dores da Alma

No tema 2 da obra (“Orgulho”, ancorado em LE q. 558 e q. 559), Hammed propõe uma leitura psicológica: o orgulhoso típico apresenta-se como “bem-intencionado”, “delicado e evoluído”, atuando furtivamente como censurador moral — especialmente em ambientes religiosos. Traz como tese central:

“A compulsão de querer controlar a vida alheia é fruto de nosso orgulho.” [[obras/as-dores-da-alma|(Hammed, As Dores da Alma, “Orgulho”)]]

Contrasta esse padrão com a pedagogia de Jesus, que “nunca usava de força e imposição, mas de uma técnica para que pudéssemos desenvolver a virtude oposta” (cf. Jo 8:10–11, a mulher adúltera). A “autêntica relação de ajuda” entre as pessoas “consiste em estimular a independência e a individualidade, nada se pedindo em troca” — reenquadramento psicológico da injunção de LE q. 558 de que cada Espírito é responsável primeiro por melhorar-se a si mesmo.

Páginas relacionadas

Nas Obras Póstumas

Na seção sobre o egoísmo e o orgulho, Kardec aprofunda a origem do orgulho: “A causa do orgulho está na crença, em que o homem se firma, da sua superioridade individual. […] A incredulidade não só carece de meios para combater o orgulho, como o estimula e lhe dá razão, negando a existência de um poder superior à Humanidade” (OPE, “O egoísmo e o orgulho”). O remédio é a compreensão da preexistência e da reencarnação, que provam que entre “os mais atrasados e os mais adiantados, não há senão uma questão de tempo”.

Na seção sobre as aristocracias, Kardec prevê a substituição das aristocracias da força, do nascimento e do dinheiro por uma aristocracia intelecto-moral — impossível enquanto o orgulho reinar (OPE, “As aristocracias”).

Fontes

  • Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Introdução, item V; Parte 2, cap. I; q. 147; Parte 3, cap. XII, q. 893–919; Conclusão, item III. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
  • Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. VII — “Bem-aventurados os pobres de espírito”. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
  • Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. 2ª parte, cap. VII — “Espíritos endurecidos”. FEB.
  • Kardec, Allan. Obras Póstumas, “O egoísmo e o orgulho” e “As aristocracias”. FEB.
  • ESPÍRITO SANTO NETO, Francisco do (Hammed). As Dores da Alma. 8ª ed. Catanduva: Boa Nova, ago/2000. Tema “Orgulho” (LE q. 558, q. 559).