Parábola da figueira seca

Definição

Episódio narrado nos Evangelhos em que Jesus, ao encontrar uma figueira sem frutos, faz com que ela seque. Kardec a interpreta no capítulo XIX do ESE como símbolo daquele que professa a fé sem produzir frutos de caridade, e como ponto de partida para o ensino sobre a fé que transporta montanhas.

Texto da parábola

“No dia seguinte, quando saíram de Betânia, Jesus teve fome. Avistando de longe uma figueira com folhas, foi ver se achava nela algum fruto; mas, chegando perto, nada encontrou senão folhas, pois não era tempo de figos. Então disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti! E os seus discípulos ouviram isso.” (S. Marcos, 11:12–14)

“Passando pela manhã, viram a figueira seca desde as raízes. Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira que amaldiçoaste secou. Jesus respondeu-lhes: Tende fé em Deus. Em verdade vos digo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar, mas crer que se fará o que diz, assim lhe será feito.” (S. Marcos, 11:20–23)

Ensino de Kardec

Kardec desdobra este episódio em dois ensinos complementares (ESE, cap. XIX, itens 9–10):

A figueira estéril:

  • A figueira coberta de folhas mas sem frutos representa aqueles que aparentam religiosidade — frequentam cultos, citam textos, professam a fé — mas não produzem obras de caridade. São como árvore que faz sombra mas não alimenta. A fé sem obras é morta.
  • O ensino se conecta diretamente à parábola do semeador (a semente entre espinhos) e à do festim de bodas (o convidado sem veste nupcial).

A fé que transporta montanhas:

  • Kardec explica que “montanhas” representam as dificuldades, os obstáculos, as resistências que se opõem ao progresso moral e à prática do bem. A fé que as transporta não é crença cega, mas fé raciocinada acompanhada de vontade firme e ação perseverante.
  • Essa fé é a “alavanca poderosa” que permite ao homem vencer as próprias imperfeições, resistir às provas e contribuir para o progresso geral. Mas só opera quando aliada às obras: “A fé é a mãe da esperança e da caridade” (ESE, cap. XIX, item 10).
  • No sentido espírita, a fé raciocinada se apoia na razão e nos fatos, distinguindo-se da fé cega que pode ser abalada pela ciência (LE, q. 625).

Aplicação prática

A figueira seca é um alerta contra a hipocrisia religiosa e o comodismo espiritual. Professar a Doutrina Espírita sem transformar a conduta, estudar sem praticar, frequentar o centro sem exercer a caridade no dia a dia — tudo isso equivale a folhas sem frutos. A fé verdadeira se manifesta nas obras. E quando essa fé é firme e raciocinada, torna-se força capaz de remover os maiores obstáculos da vida moral.

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Fontes

  • Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIX (“A Fé Transporta Montanhas”), itens 9–10. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
  • Novo Testamento. S. Marcos, 11:12–14, 20–23.
  • Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, q. 625. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.