Maurice Gontran
Identificação
Filho único, morto de tuberculose aos dezoito anos. Inteligência rara, razão precoce, caráter doce e afetuoso. Preparava-se para a Escola Politécnica quando faleceu. Os pais, inconsoláveis, culpavam-se por tê-lo impelido aos estudos. Comunicou-se através de um amigo da família, alguns meses após a morte.
Situação no mundo espiritual
Feliz. Descreve a passagem como um sonho delicioso:
“Um dia, adormeci sem pensar na morte. Sonhei; oh! um sonho delicioso! […] Era transportado através do espaço por uma força desconhecida; uma luz brilhante resplandecia à minha volta. Vi meu avô; ele não tinha mais a figura descarnada, mas sim um ar de frescor e de juventude.” (C&I, 2ª parte, cap. II, “Maurice Gontran”)
Dirige-se aos pais para consolá-los: “Consolai-vos, portanto, pois não morri; estou mais vivo do que vós; só meu corpo morreu, mas meu Espírito vive sempre” (C&I, 2ª parte, cap. II, “Maurice Gontran”).
Lições principais
- Desespero como revolta contra Deus — Maurice adverte que o desespero “é uma revolta contra a vontade do Onipotente, e que é sempre punida pelo prolongamento da causa que trouxe esse desespero”; equipara-o a “um verdadeiro suicídio” moral.
- Morte prematura como graça — “Não lastimeis aqueles que morrem prematuramente; é uma graça que Deus lhes concede, poupar-lhes as atribulações da vida.” A vida breve pode ser exatamente o necessário para o progresso do Espírito.
- Estudo nunca é perdido — os pais lamentavam os anos de estudo, mas Maurice confirma: “Os estudos sérios que fiz fortaleceram minha alma e aumentaram meus conhecimentos; […] aplicá-los-ei mais tarde com maior proveito.”
- Passagem suave para o Espírito desmaterializado — a descrição da morte como sonho delicioso ilustra o princípio do cap. I sobre a facilidade de desprendimento para Espíritos purificados.
Páginas relacionadas
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- suicidio — desespero como “verdadeiro suicídio”
Fontes
- Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. 2ª parte, cap. II, “Maurice Gontran”. FEB.