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Vida: Desafios e Soluções
Dados bibliográficos
- Autor espiritual: Joanna de Ângelis
- Médium: Divaldo Pereira Franco
- Tipo: Livro psicografado
- Local de psicografia: Salvador-BA
- Data: 20 de janeiro de 1997 (prefácio assinado pela autora espiritual)
- Editora: LEAL — Livraria Espírita Alvorada Editora (Centro Espírita Caminho da Redenção)
- 1ª edição: 1997 · Edição consultada: 12ª edição, 2013, 176 p. · ISBN 978-85-61879-88-4
- Série: Série Psicológica Joanna de Ângelis — Volume 8
- Estrutura: prefácio “O milagre da vida” + 11 capítulos densos (não 30 brevíssimos como o Vol. 7)
- Nível: 3 — Complementar aprovado
- Texto integral: 08-vida-desafios-e-solucoes-psicografia-divaldo-pereira-franco-espirito-joanna-de-angelis
A nota editorial inicial registra dedicatória dupla: a obra é homenagem ao 140º aniversário de O Livro dos Espíritos (18 de abril de 1857) e ao cinquentenário da mediunidade de Divaldo (iniciada em 27 de março de 1947, em Aracaju-SE).
Tese central
Sucessor cronológico direto de desperte-e-seja-feliz (Vol. 7, 1996), o Vol. 8 retorna ao registro técnico-psicológico de o-ser-consciente (1993) e autodescobrimento (1995) — abandonando o tom homilético-pastoral do Vol. 7. A própria autora espiritual define o método no prefácio:
“Estudamos, neste modesto livro, diversos desafios que o homem e a mulher modernos enfrentam no cotidiano. Graças ao valioso concurso das doutrinas psíquicas em geral e da Psicologia Espírita em particular, excelentes contribuições existem e se encontram disponíveis para todos aqueles que estão sinceramente interessados na construção de uma consciência saudável, de um ser responsável e lúcido, de uma sociedade feliz.”
A tese-título — “Viver é um desafio sublime, e realizá-lo com sabedoria é uma bem-aventurança” — desdobra-se em mapeamento sistemático: cada categoria de desafio recebe diagnóstico nosográfico e proposta terapêutica articulada à Quarta Força em Psicologia (Transpessoal). É, em sentido próprio, o manual operacional da série.
Sobre o vocabulário
O Vol. 8 retoma com mais densidade Jung (individuação, arquétipos, ânima/ânimus), Maslow (hierarquia de necessidades + metanecessidades), Freud (complexos de Édipo/Eletra) e antecipa Goleman (inteligência emocional, cérebro intelectual × cérebro emocional). É a obra da série com mais abertura a referências de neurociência explícita (Binet/Simon, “memória funcional no córtex pré-frontal”, neurolinguística, psiconeuroimunologia). Discordância nominal e parcial de Jung (cap. 7) inscreve o aporte joanniano: arquétipos têm raiz também reencarnacionista, não apenas no inconsciente coletivo da espécie.
Resumo por eixos
A obra reúne 11 capítulos densos. O agrupamento abaixo sintetiza os cinco eixos doutrinários que a organizam.
Eixo 1 — Mapa nosográfico dos impedimentos (caps. 1, 3)
Cap. 1 — Vida. Joanna fixa uma taxonomia própria dos impedimentos à plenificação que articula a obra inteira: naturais, domésticos, afetivos, sociais, econômicos, do inter-relacionamento pessoal. Cada um recebe etiologia (frequentemente reencarnacionista) e indicação terapêutica. Os impedimentos domésticos são destacados:
“O impedimento familiar será superado a partir da consciência de amor, entendendo as circunstâncias do renascimento e administrando os conflitos mediante terapias especializadas e a convivência com grupos de auxílio e sustentação.”
A tríade doença-saúde-obsessão (subseções 1.3, 1.4) ancora a saúde como “estado ideal da vida” e a obsessão como “fixação indevida nos processos mentais e emocionais” — convergente com a doutrina kardequiana das obsessões (LM 2ª parte, cap. XXIII) e estendida pela neuroquímica (“metabolismo cerebral, propiciando a produção descompensada de enzimas”).
Cap. 3 — Fatores de insegurança. Inclui a fábula de Sísifo como alegoria moral central da obra:
“Em realidade, astúcia não expressa inteligência, mas sim, instinto de preservação da vida e dos jogos de interesses pessoais.”
A subseção sobre a mentira estabelece convergência com a filosofia budista (pensar/falar/agir corretamente — três das sete linhas da conduta saudável); a afetividade conflitiva mapeia o ciúme doentio, a posse asfixiante e o ego em desespero; os apoios ineficazes descrevem a postura permanente de vítima como mecanismo infantil de fuga à consciência.
Eixo 2 — Releitura espírita de Freud-Jung (caps. 2, 7)
Cap. 2 — Significado do ser existencial. Joanna reescreve os complexos freudianos pela lei reencarnatória:
“No complexo de Édipo, por exemplo, detectamos uma herança reencarnacionista, tendo em vista que a mãe e o filho apaixonados de hoje foram marido e mulher de antes, em cujo relacionamento naufragaram desastradamente. No complexo de Eletra, deparamos uma vivência ancestral entre esposos ou amantes, e que as Soberanas Leis da Vida voltam a reunir em outra condição de afetividade, a fim de que sejam superados os vínculos anteriores de conduta sexual aflitiva.”
Estende a etiologia das fobias e psicoses depressivas: claustrofobia como reminiscência de mortes aparentes; agorafobia como recordação de cenas apavorantes em multidões pretéritas; psicoses depressivas como expressão de “consciência de culpa que preexiste ao corpo”.
Convergência com Emmanuel — Vida e Sexo (1970)
A mesma tese aparece em vida-e-sexo caps. 14 (“Vinculações”) e 15 (“Desvinculações”), em registro pastoral espírita: Emmanuel descreve “ligações infantis como expressão de existências passadas” e o lar como “desligamento das paixões pretéritas”, ancorado em LM item 205 e ESE cap. XIV item 8. Joanna vocabulariza em psicanálise (Édipo/Eletra) o que Emmanuel já formulara em 1970 em vocabulário pastoral; ambos descrevem a mesma operação reparatória — o reencontro em configuração filial daquilo que naufragou em configuração conjugal pretérita. Sistematização do tema em sexualidade-em-emmanuel.
Cap. 7 — Descobrindo o inconsciente. Análise junguiana sistemática (individuação, arquétipos, ânima/ânimus) com discordância parcial nominal registrada:
“Concordando, em parte, com o eminente mestre, agregaríamos que muitos símbolos, que se apresentam como arquétipos, provêm de um outro tipo de herança primordial: a da experiência de cada Espírito pelo imenso oceano das reencarnações.”
A individuação é redefinida como “conquista do Si, a elevação do Espírito”. Joanna oferece também uma releitura espírita de Lázaro (João 11:11) — não milagre, mas catalepsia identificada por Jesus: o perispírito ainda não havia rompido seus laços com o corpo. A leitura é convergente com a interpretação kardequiana de morte aparente (cf. LM, 2ª parte; OPE, “Manifestações dos Espíritos”; LE q. 73).
Eixo 3 — Despertar do Si e disciplina da vontade (caps. 4, 5, 6, 8, 9)
Cap. 4 — Energias da vida. Hábitos mentais como sede da terapia: o pessimismo como “clichê mental” cultivado, possível de ser substituído por insistência consciente. Articula com onda-mental e prepara o terreno do conceito de “amorterapia” formalizado no Vol. 7 (amorterapia).
Cap. 5 — Significado do ser integral. Bases da autorrealização e “lições de vida”.
Cap. 6 — Aspectos da vida. Juventude/velhice, estar desperto, alegria de viver. Continuação direta do eixo do Vol. 7 (desperte-e-seja-feliz).
Cap. 8 — Autodespertamento inadiável. Léon Denis citado textualmente:
“O psiquismo dorme no mineral, sonha no vegetal, sente no animal, pensa no homem, conforme sintetizou com muita propriedade o eminente filósofo espírita Léon Denis.”
A disciplina da vontade é tratada como tríade: paciência, perseverança, autoconfiança. O cap. inclui síntese das advertências paulinas ao despertamento (Romanos 13:11; Efésios 5:14; II Pedro 1:13) e a leitura do episódio do galo cantando como figuração do inconsciente que desperta a consciência adormecida (cf. Mateus 26:34).
Cap. 9 — Relacionamentos saudáveis. Mitos como remanescentes de fases primitivas do pensamento; estabilidade de comportamento como amadurecimento íntimo, não regra externa.
Eixo 4 — Maslow e metanecessidades (cap. 10)
Cap. 10 — A busca da realidade. Joanna estrutura o cap. pela hierarquia de Maslow em três patamares: necessidades fisiológicas (alimentação, habitação, segurança, reprodução) → necessidades estéticas (beleza, harmonia, cultura, arte) → metanecessidades (autodescobrimento, interiorização, autorrealização). 1Tessalonicenses 5:16 (“Regozijai-vos sempre”, de Paulo) é lido como mandamento da metanecessidade: regozijo independente das circunstâncias, “que implica viver o regozijo nos momentos difíceis e provacionais, por saber que ele tem importância liberativa”.
A autorrealização é ancorada na conquista do Si — “psiconáutica”, “imersão no oceano íntimo”, “liberação do inconsciente sagrado” (cf. cap. 9 de autodescobrimento sobre o “inconsciente sagrado”).
Eixo 5 — Inteligência emocional + meditação como técnica (cap. 11)
Cap. 11 — Vida: Desafios e Soluções (homônimo). Capítulo final operacional, com três sessões.
11.1 — O cérebro intelectual e o cérebro emocional. Crítica direta à ditadura do QI (Binet/Simon) — homens e mulheres superdotados não conseguiram a felicidade prometida; outros com QI 90-100 superaram-nos pela tenacidade emocional. O ser humano possui dois cérebros: emocional e racional, “dois tipos de inteligência ou, mesmo, dois tipos de mentes”. Cita “memória funcional no córtex pré-frontal” como categoria da neurociência. Articulação convergente com Daniel Goleman (Inteligência Emocional, 1995), sem citá-lo nominalmente.
11.2 — Meditação e visualização. Único livro da Série Psicológica com manual operacional de meditação. A introdução é normativa:
“Importantes não serão a postura, as palavras mântricas, as melodias condicionadoras, mas os meios que sejam mais compatíveis com cada candidato e suas resistências psicológicas.”
Protocolo passo a passo: respiração ritmada (inspirar com boca cerrada, reter, expirar suavemente) → relaxamento progressivo do couro cabeludo aos pés → visualização de paisagem agradável (praia, bosque, jardim, regato, lago, montanha) → visualização para perdão (retirada de conflitos do inconsciente “desculpando o ofensor, distendendo-lhe o perdão”) → visualização de luz coronária invadindo o organismo. Tempo: 30-60 min. Meditação como terapia, destituída de compromissos religiosos ou vínculos sectaristas — alinhada à postura kardequiana sobre prece (ESE cap. XXVII, “Pedi e obtereis”), não importa esoterismo.
11.3 — O pensamento bem-direcionado. Neurolinguística + Neurociência confirmam tese da onda mental:
“Não desejamos com isso afirmar que, com o simples fato de elaborar-se uma ideia, necessariamente, acontecerá como se quer ou como se planeja. No entanto, a onda mental emitida se transforma em fator propiciatório, que irá contribuir para tornar viável o desejo, que deve ser acompanhado do empenho, do esforço para torná-lo real.”
Convergência com André Luiz em onda-mental — a tese kardequiana do pensamento como força viva e atuante (LE q. 459-462; LM 1ª parte, cap. VI) recebe revestimento neurocientífico explícito.
Conceitos tratados
- autoconhecimento — programa terapêutico ancorado em LE q. 919; eixo recorrente da série Joanna, aprofundado pelo manual de meditação do cap. 11.
- psicologia-transpessoal — Quarta Força em diálogo aberto com Maslow (cap. 10 — hierarquia + metanecessidades) e Jung (cap. 7).
- onda-mental — pensamento bem-direcionado (cap. 11.3) como confirmação neurocientífica da tese kardequiana e andreluziana do pensamento como força.
- amorterapia — formalizada no Vol. 7; nesta obra, raízes terapêuticas no cap. 4 (hábitos mentais).
- dor — tipologia funcional-pedagógica retomada (Vol. 7 já consolidou); aqui ampliada para “impedimentos” como categoria diagnóstica (cap. 1).
- planejamento-reencarnatorio — moldura da releitura reencarnacionista de Édipo/Eletra (cap. 2): vínculos pretéritos retornam em configuração reparatória.
- vida-e-sexo (caps. 14-15) e sexualidade-em-emmanuel — paralelo doutrinário direto: “vinculação”/“desvinculação” em Emmanuel (1970, registro pastoral) ↔ Édipo/Eletra reencarnacionista em Joanna (1997, registro psicanalítico).
Conceitos sem página (backlog para criação futura via Query)
A obra tem aporte significativo em conceitos que ainda não têm página própria na wiki — listados aqui como sinalização para passes futuros:
- Individuação (Jung) — cap. 7. Joanna integra ao “despertar do Si” e à conquista da identidade plena via reencarnações.
- Arquétipos — cap. 7, com aporte joanniano explícito sobre raiz reencarnacionista, complementando (sem substituir) o inconsciente coletivo junguiano.
- Inteligência emocional / cérebro emocional × racional — cap. 11.1, antecipando o vocabulário de Goleman.
- Hierarquia de Maslow / metanecessidades — cap. 10, com 1Ts 5:16 como mandamento da metanecessidade.
- Meditação e visualização — cap. 11.2, único manual operacional na série, com proposta de meditação não-sectária como terapia.
Personalidades citadas
- joanna-de-angelis — Espírito autor.
- divaldo-franco — médium psicógrafo.
- jesus — episódios evangélicos relidos: Lázaro como catalepsia (cap. 7), Pedro e o cantar do galo como figuração do inconsciente que desperta (cap. 8), Sermão da Montanha pano de fundo da metanecessidade (cap. 10).
- allan-kardec — citado nominalmente no prefácio (homenagem ao 140º de O Livro dos Espíritos).
- leon-denis — cap. 8 (citação textual: “o psiquismo dorme no mineral, sonha no vegetal, sente no animal, pensa no homem”).
- paulo-de-tarso — Romanos 13:11 e Efésios 5:14 (cap. 8); 1Tessalonicenses 5:16 (cap. 10); II Pedro 1:13 (cap. 8 — Pedro retomando a proposta paulina do despertamento).
Personalidades históricas mencionadas (sem página na wiki)
- Filósofos: Sócrates (“Conhece-te a ti mesmo”), Aristóteles, Heráclito, Protágoras de Abdera, Santo Agostinho, Cláudio Bernard.
- Patrística e medieval: Philo Judaeus, Irineu de Lyon (sobre arquétipos como Imago Dei), São Kevin (cap. 8 — paciência exemplar), São Francisco de Assis (referência indireta à reencarnação anterior de Joanna).
- Psicólogos: Sigmund Freud (Pai da Psicanálise — cap. 2), Carl Jung (cap. 7 — análise sistemática com discordância parcial nominal), Alfred Binet e Théodore Simon (cap. 11 — escala métrica da inteligência).
- Mitologia: Sísifo (cap. 3 — fábula como alegoria moral central da obra).
- Bíblicos não-canônicos: Lázaro de Betânia (cap. 7 — leitura espírita).
Divergências com Kardec
Nenhuma divergência estrutural identificada. Pontos sensíveis avaliados como desdobramentos, não divergências:
- Releitura reencarnacionista de Édipo/Eletra (cap. 2) — extensão do princípio kardequiano de retorno em mesmos núcleos familiares (LE q. 202-203; ESE cap. XIV item 8). Não contradiz Freud, situa-o em moldura espírita; convergente com Emmanuel em vida-e-sexo caps. 14-15.
- Discordância parcial de Jung (cap. 7) — diálogo interdisciplinar dentro do quadro kardequiano. A tese — arquétipos como herança também reencarnacionista — é desdobramento natural da preexistência do Espírito (LE q. 78-79).
- Lázaro como catalepsia (cap. 7) — convergente com a interpretação kardequiana de morte aparente (LM 2ª parte; OPE “Manifestações dos Espíritos”; LE q. 73, q. 154-155).
- Meditação não-sectária como terapia (cap. 11) — alinhada à postura kardequiana sobre prece individual e ato pessoal (ESE cap. XXVII), sem importar esoterismo.
- Pensamento bem-direcionado com aporte de neurociência (cap. 11.3) — extensão científica da tese kardequiana do pensamento como força (LE q. 459-462; LM 1ª parte, cap. VI).
Fontes
- Joanna de Ângelis / Franco, Divaldo Pereira (psicografia). Vida: Desafios e Soluções. Salvador: LEAL — Livraria Espírita Alvorada Editora, 1997. 12ª ed., 2013, 176 p. Série Psicológica vol. 8. ISBN 978-85-61879-88-4. Edição: 08-vida-desafios-e-solucoes-psicografia-divaldo-pereira-franco-espirito-joanna-de-angelis.
- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. Q. 73 (morte aparente), q. 78-79 (preexistência do Espírito), q. 202-203 (laços familiares e mudança de sexo), q. 459-462 (pensamento como força), q. 919 (auto-conhecimento) como ancoragem das releituras reencarnacionistas e neurocientíficas.
- Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. 1ª parte cap. VI (pensamento como agente), 2ª parte cap. XXIII (obsessão), item 205 (vinculações pretéritas) como ancoragem dos eixos psicodinâmico e mediúnico.
- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. Cap. XIV item 8 (filhos como vínculos pretéritos), cap. XXVII (“Pedi e obtereis” — prece como ato pessoal).
- Bíblia. João 11:11 (Lázaro — cap. 7); Mateus 26:34 (cantar do galo — cap. 8); Romanos 13:11 e Efésios 5:14 (Paulo, despertamento — cap. 8); 1Tessalonicenses 5:16 (Paulo, regozijo — cap. 10); II Pedro 1:13 (cap. 8). Lucas 8:3 (referência à reencarnação anterior de Joanna como Joana de Cusa, na nota biográfica).