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O Homem Integral

Dados bibliográficos

  • Autor espiritual: Joanna de Ângelis
  • Médium: Divaldo Pereira Franco
  • Tipo: Livro psicografado
  • Local de psicografia: Salvador-BA
  • Data: 20 de fevereiro de 1990
  • Editora: LEAL — Livraria Espírita Alvorada Editora
  • Estrutura: 39 capítulos em 9 partes
  • Nível: 3 — Complementar consagrado
  • Texto integral: joanna-de-angelis-o-homem-integral

Tese central

A obra abre afirmando que Jesus é o “biótipo do Homem Integral”:

“Jesus, superando todos os limites do conhecimento, fez-se o biótipo do Homem Integral, por haver desenvolvido todas as aptidões herdadas de Deus, na condição de ser mais perfeito de que se tem notícia. Toda a Sua vida é modelar, tornando-se o exemplo a ser seguido, para o logro da plenitude, de quem deseja libertação real.”

A partir desse paradigma, a obra cataloga psicopatologias contemporâneas — rotina, ansiedade, medo, solidão, fobia social, ódio, mecanismos de evasão, relacionamentos perturbadores, conflitos sexuais, sofrimentos cármicos — e propõe a terapêutica espírita ancorada em três pilares: autoconhecimento (LE q. 919), reencarnação como ancoragem ontológica e Jesus como “Psicoterapeuta Excelente”.

É o livro precursor da síntese sistemática que Joanna de Ângelis desenvolverá em o-ser-consciente (1993). Funda o vocabulário, mapeia o catálogo de problemas e estabelece a interlocução com a Quarta Força em Psicologia (Psicologia Transpessoal) que será sistematizada três anos depois.

Estrutura por parte

Primeira parte — Fatores de perturbação (cap. 1–6)

Diagnóstico panorâmico do mal-estar contemporâneo. Cap. 1 (Fatores de perturbação) traça o quadro civilizacional: guerras sucessivas, materialismo utilitarista, perda do mito central. Cap. 2 (A rotina) — “ferrugem na engrenagem de preciosa maquinaria”; o homem moderno repete-se até a aposentadoria, depois cai em neuroses. Cap. 3 (A ansiedade) — distúrbio mais habitual da conduta contemporânea, decorrente do competitivismo e da insegurança coletiva. Cap. 4 (Medo) — origens cármicas no inconsciente; os “fenômenos fóbicos procedem das experiências passadas”. Cap. 5 (Solidão) — paradoxo do triunfador rodeado de fanáticos, mas só; introduz Jesus como “Psicoterapeuta Excelente” ao retomar Mt 22:39. Cap. 6 (Liberdade) — verdade libertadora (Jo 8:32), Sócrates e Gandhi como protótipos.

Segunda parte — Estranhos rumos, seguros roteiros (cap. 7–10)

Cap. 7 (Homens-aparência) — perda da identidade no convencional social; surge a postura horizontal das conquistas externas. Cap. 8 (Fobia social) — tratamento técnico da síndrome moderna: medo de ler em voz alta, assinar diante de outros; raízes em mentes desencarnadas associadas. Cap. 9 (Ódio e suicídio) — ódio como “lixo do inconsciente”, filho da selvageria primitiva; suicídio direto e indireto. Cap. 10 (Mitos) — dos mitos ancestrais (Prometeu, Éden) aos contemporâneos (Rambo, super-heróis biônicos).

Terceira parte — A busca da realidade (cap. 11–13)

Cap. 11 (Autodescobrimento) — Édipo como contraexemplo; o autoencontro como “processo de parto”. Cap. 12 (Consciência ética) — o homem como “único animal ético”; introspecção sem alienação; cita São Vicente de Paulo, Nietzsche, Kardec, Freud, Schweitzer, Cézanne como exemplos diversos. Cap. 13 (Religião e religiosidade) — distingue religiosidade interior (busca, dúvida, autenticidade) de religião formal; cita Paulo (Gl 2:20).

Quarta parte — O homem em busca do êxito (cap. 14–16)

Cap. 14 (Insegurança e crises) — crise de autoridade, de valores ético-morais, de pastores. Cap. 15 (Conflitos degenerativos da sociedade) — círculo vicioso indivíduo-grupo; o conflito íntimo como “matriz cancerígena”. Cap. 16 (O primeiro lugar e o homem indispensável) — psicologia da carreira: ninguém é insubstituível; a aposentadoria como choque que desestrutura quem não cultivou outros valores.

Quinta parte — Doenças contemporâneas (cap. 17–21)

Cap. 17 (O conceito de saúde) — definição da OMS (bem-estar psicológico + equilíbrio orgânico + satisfação econômica). Cap. 18 (Os comportamentos neuróticos) — raízes psicogênicas em reencarnações passadas, somadas a pressões exógenas. Cap. 19 (Doenças físicas e mentais) — “só há doenças porque há doentes”; psicossoma como modelador do soma; congênitas como impositivos cármicos. Cap. 20 (A tragédia do cotidiano) — perda dos arquétipos; violência salvacionista. Cap. 21 (O homem moderno) — fuga do enfrentamento com o eu; introduz a sequência observador → observação → observado.

Sexta parte — Maturidade psicológica (cap. 22–27)

Cap. 22 (Mecanismos de evasão) — infância psicológica prolongada, autocompaixão, dependência. Cap. 23 (O problema do espaço) — territorialidade; afetos imaturos invadem o espaço alheio. Cap. 24 (A reconquista da identidade) — coragem para aceitar-se como condição da maturidade. Cap. 25 (Ter e ser) — falsa segurança da posse; o ter pode “possuir o possuidor”. Cap. 26 (Observador, observação e observado) — superação da dissociação cartesiana; a unidade observador-observado como nova consciência. Cap. 27 (O devir psicológico) — a moderna psicologia profunda foca o vir-a-ser, não a anamnese culpabilizadora; cita Ouspensky.

Continuidade temática em Plenitude (1990)

O capítulo 33 desta obra (“Os sofrimentos humanos”, 8ª parte) é continuado e expandido em Plenitude (Joanna/Divaldo, prefácio out/1990, LEAL 1991), que dedica 14 capítulos exclusivamente ao tema. A própria Plenitude abre referindo, em nota da autora espiritual, que o estudo aqui aberto “oportunamente” foi aprofundado em livro próprio. O par O Homem Integral + Plenitude funciona como díptico psicológico-doutrinário publicado no mesmo ano.

Sétima parte — Plenificação interior (cap. 28–31)

Cap. 28 (Problemas sexuais) — entre castração e libertação sem disciplina; sexo como “santuário da vida”; cita Alice Bailey (alienações “psicológicas, hereditárias, coletivas e cármicas”). Cap. 29 (Relacionamentos perturbadores) — o amor não é gratidão (“não é amor, é reconhecimento”); a separação nunca resolve sem reforma íntima. Cap. 30 (Manutenção de propósitos) — perceber o fato sem julgamento; a renovação como aceitação contínua. Cap. 31 (Leis cármicas e felicidade) — incerteza como fomento ao crescimento; resignação dinâmica como primeira fase do estado feliz.

Oitava parte — O homem perante a consciência (cap. 32–35)

Cap. 32 (Nascimento da consciência) — Jung extensamente citado (“a existência só é real quando é consciente para alguém”; “a tarefa do homem é conscientizar-se dos conteúdos que pressionam para cima, vindos do inconsciente”); Pedra Filosofal e Santo Gral como mediadores dos opostos. Cap. 33 (Os sofrimentos humanos) — Buda como precursor do Espiritismo (parábolas, Lei do carma). Cap. 34 (Recursos para a liberação dos sofrimentos) — terapia em quatro fases: (a) ver bem todos como dignos de amor, (b) identificar a bondade alheia, (c) compaixão diante da agressão, (d) amor como antídoto universal. Cap. 35 (Meditação e ação) — meditação breve e gratificante, nunca peso; coroada pela ação (“será inútil a mais excelente terapia teórica ao paciente que se recusa a aplicá-la”).

Nona parte — O futuro do homem (cap. 36–39)

Cap. 36 (A morte e seu problema) — o homem teme a morte porque receia a vida; impermanência grosseira × sutil; o continuum da consciência sobrevive à disjunção cadavérica. Cap. 37 (A controvertida comunicação dos Espíritos) — fenômenos de ectoplasmia, vidência, psicofonia, psicografia e os hodiernos da Metaciência (spiricon, vidicom); a Doutrina Espírita “ainda não superada”. Cap. 38 (O modelo organizador biológico) — tratado mais completo do MOB na bibliografia Joanna; galeria multimilenar dos nomes do perispírito (Hipócrates, Plotino, Tertuliano, Orígenes, Paulo, Vedanta, Confúcio, Leibniz). Cap. 39 (A reencarnação) — fechamento ancorando explicitamente em Kardec; a Quarta Força (Maslow, Wilber, Grof, Assagioli) como redescoberta parcial do que o Espiritismo já oferece desde 1857.

Temas centrais

  1. Jesus como Homem Integral — biótipo do ser que desenvolveu todas as aptidões herdadas de Deus; modelo a ser seguido. Tese-título da obra.
  2. Quarta Força em Psicologia articulada já em 1990 — Behaviorismo + Psicanálise + Humanista + Transpessoal (1966); a fórmula que será sistematizada em o-ser-consciente (1993) já está aqui em embrião.
  3. Modelo Organizador Biológico (MOB) — tratamento técnico mais extenso do perispírito na bibliografia Joanna, com galeria multimilenar de nomes. Cf. perispirito.
  4. Catálogo de psicopatologias contemporâneas — rotina, ansiedade, medo, solidão, fobia social, ódio, mecanismos de evasão, relacionamentos perturbadores, conflitos sexuais — cada um com etiologia espírita (heranças cármicas + pressões sociais + interferências obsessivas).
  5. Reencarnação como ancoragem ontológica — a moderna Psicologia Transpessoal só descortina parcialmente o homem; só com a reencarnação a psicologia se torna integral.
  6. Jesus como Psicoterapeuta Excelente — fórmula explícita já em 1990 (cap. 5), repetida em O Ser Consciente (1993).

Conceitos tratados

  • jesus-psicoterapeuta — Jesus como biótipo do Homem Integral, paradigma terapêutico.
  • psicologia-transpessoal — Quarta Força articulada já em 1990; precede a sistematização de 1993.
  • perispirito — MOB com galeria multimilenar dos nomes (cap. 38).
  • autoconhecimento — programa de LE q. 919 retomado em chave psicológica.
  • reencarnacao — ancoragem ontológica da psicoterapia espírita (cap. 39).
  • suicidio — cap. 9 (ódio como matriz); cap. 36 (medo da morte que paradoxalmente leva ao suicídio).
  • depressao — cap. 18 (comportamentos neuróticos), cap. 16 (depressão pós-aposentadoria).
  • obsessao — interferências de “mentes desencarnadas, deprimentes” agravando psicoses (cap. 8).

Personalidades citadas

Personalidades históricas mencionadas (sem página na wiki)

  • Filósofos antigos: Pitágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Sófocles (Édipo), Buda (Príncipe Gautama), Confúcio.
  • Padres da Igreja e místicos: Hipócrates, Plotino, Tertuliano, Orígenes, São Vicente de Paulo, Santa Teresa, Francisco de Assis.
  • Modernos: Descartes, Leibniz, Nietzsche, Kierkegaard, Freud, Adler, Jung, Maslow, Wilber, Grof, Assagioli, Sutich, Capra, Walsh, Vaughan, Kübler-Ross, Moody, Alice Bailey, Pedro Ouspensky, Burcke, Mivart, Cézanne, Schweitzer, Gandhi.
  • Bíblicos/lendários: Adão (jardim do Éden), Caim/Abel, Prometeu, Zeus, Jocasta/Laio (Édipo), Medusa/Perseu/Atena, Caronte (mitologia grega), Midas.

Divergências com Kardec

Nenhuma divergência estrutural identificada. A obra ancora explicitamente em Kardec no cap. 39 (“a Doutrina Espírita, apresentada por Allan Kardec, resultado de acuradas observações e experimentos de laboratório”). As referências a Buda (cap. 33), Jung (caps. 21, 32), Freud, Adler, Maslow e à Quarta Força funcionam como ponte conceitual, não substituição doutrinária — o mesmo padrão registrado em psicologia-transpessoal como “ponte conceitual, não adoção doutrinária”.

Fontes

  • Joanna de Ângelis / Franco, Divaldo Pereira (psicografia). O Homem Integral. Salvador: LEAL — Livraria Espírita Alvorada Editora, 1ª edição, 1990.
  • Edição: joanna-de-angelis-o-homem-integral.
  • Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. q. 621 (lei de Deus inscrita na consciência); q. 919 (Conhece-te a ti mesmo) e comentário de Santo Agostinho.
  • Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. Cap. XVII (Sede perfeitos); cap. XII (Amai os vossos inimigos).
  • Bíblia. Mateus 6:34 (“a cada dia baste a sua aflição”); Mateus 22:39 (“amarás o teu próximo como a ti mesmo”); Gálatas 2:20.