Parábola do festim de bodas

Definição

Parábola narrada por Jesus sobre um rei que prepara o banquete nupcial de seu filho e cujos convidados recusam comparecer. Ensina que a porta do Reino está aberta a todos os homens de boa vontade, mas exige pureza de coração. Kardec a analisa no capítulo XVIII do ESE.

Texto da parábola

“O reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho. Enviou os seus servos a chamar os que estavam convidados para as bodas; mas estes não quiseram vir. […] Então disse aos seus servos: As bodas estão prontas; mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às saídas dos caminhos, e a quantos encontrardes, convidai-os para as bodas. Saíram aqueles servos pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa ficou cheia de convidados.” (S. Mateus, 22:2–10)

“O rei, entrando para ver os que estavam à mesa, viu ali um homem que não estava vestido com traje de bodas, e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu. Então o rei disse aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, e lançai-o nas trevas exteriores. […] Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” (S. Mateus, 22:11–14)

Ensino de Kardec

Kardec desdobra a parábola em chave espírita (ESE, cap. XVIII, itens 1–3):

  • Os primeiros convidados que recusam representam o povo judeu, a quem a revelação foi primeiro dirigida e que, no entanto, rejeitou o Cristo. Os servos maltratados e mortos representam os profetas.

  • Os novos convidados, recolhidos nas estradas e praças, representam os gentios e, por extensão, todos os homens de boa vontade de qualquer povo, época ou condição. A mensagem do Evangelho é universal.

  • A veste nupcial simboliza a pureza de coração, a prática sincera da caridade e da humildade. Não basta ser chamado — isto é, ouvir a Doutrina ou conhecer os princípios morais. É preciso revestir-se interiormente das virtudes que o Evangelho ensina. Aquele que entra no banquete sem a veste é quem aceita a fé de boca, mas não transforma sua conduta.

  • Muitos são chamados, poucos escolhidos” — Kardec explica que a escolha não é arbitrária: Deus chama a todos sem distinção. Os “escolhidos” são aqueles que, pelo livre-arbítrio, responderam ao chamado com esforço moral real (ESE, cap. XVIII, item 2). Não há predestinação; há mérito.

Aplicação prática

A parábola adverte contra a religiosidade superficial. No ambiente espírita, conhecer as obras de Kardec, frequentar palestras e grupos de estudo não garante, por si só, entrada no “banquete”. O que se exige é a veste nupcial — a coerência entre o que se professa e o que se vive. A porta está aberta a todos, mas cada um precisa, por esforço próprio, preparar-se interiormente. A boa vontade sincera e a prática constante do bem são a verdadeira veste.

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Fontes

  • Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVIII (“Muitos os Chamados, Poucos os Escolhidos”), itens 1–3. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
  • Novo Testamento. S. Mateus, 22:1–14.