Emigrações e imigrações dos Espíritos
Definição
Processo pelo qual Espíritos migram entre mundos, individual ou coletivamente, promovendo a renovação espiritual das populações planetárias. As emigrações levam Espíritos para fora de um mundo; as imigrações trazem novos Espíritos a ele. É o mecanismo central de progresso dos mundos.
Ensino de Kardec
Fluxo normal e fluxo de massa
No intervalo entre encarnações, os Espíritos formam a “população espiritual ambiente” de cada mundo. Mortes e nascimentos constituem um trânsito contínuo entre as populações terrestre e espiritual (Gênese, cap. XI, item 35).
Em certos momentos, esse fluxo se intensifica: “em certas épocas, determinadas pela sabedoria divina, essas emigrações e imigrações se operam por massas mais ou menos consideráveis, em virtude das grandes revoluções” (Gênese, cap. XI, item 36).
Flagelos como renovação
Os cataclismos e flagelos destroem corpos, não Espíritos: “nenhum Espírito perece; eles apenas mudam de planos” (Gênese, cap. XI, item 36). Essas partidas em massa aceleram o progresso social: “todas as grandes calamidades que dizimam as populações são sempre seguidas de uma era de progresso” (Gênese, cap. XI, item 36).
Migrações entre mundos
“Essa transfusão, que se efetua entre a população encarnada e desencarnada de um planeta, igualmente se efetua entre os mundos […]. Há, pois, emigrações e imigrações coletivas de um mundo para outro, donde resulta a introdução, na população de um deles, de elementos inteiramente novos.” (Gênese, cap. XI, item 37)
Os Espíritos trazem consigo “a inteligência e a intuição dos conhecimentos que possuem”, imprimindo caráter novo às raças que animam. A raça adâmica é exemplo histórico desse processo (Gênese, cap. XI, item 38).
Exclusão dos obstinados no mal
Quando um mundo chega a período de transformação, os que “perseveraram no mal, sempre revoltados contra Deus e suas leis, se tornariam daí em diante um embaraço ao ulterior progresso moral […] e são excluídos da humanidade a que até então pertenciam e tangidos para mundos menos adiantados” (Gênese, cap. XI, item 43).
Desenvolvimento por Emmanuel
Em A Caminho da Luz (cap. 3), Emmanuel oferece o exemplo mais detalhado de emigração coletiva: Espíritos rebeldes de um mundo da Constelação do Cocheiro (Capela) foram degredados na Terra, onde formaram as raças adâmicas. O mecanismo é o mesmo descrito por Kardec em A Gênese (cap. XI, itens 37–43), mas Emmanuel identifica o mundo de origem e descreve a recepção por Jesus e a distribuição dos degredados em quatro grupos civilizatórios.
Ver raca-adamica, a-caminho-da-luz.
Aplicação prática
O conceito explica por que, na visão espírita, catástrofes naturais e crises sociais não são punições divinas arbitrárias, mas mecanismos de renovação. Também fundamenta a compreensão da transição planetária atual: a Terra vive uma dessas fases de emigração-imigração em massa.
Páginas relacionadas
- transicao-planetaria — a fase atual de renovação da Terra
- geracao-nova — os Espíritos que chegam para fundar a nova era
- raca-adamica — exemplo histórico de imigração espiritual
- pluralidade-dos-mundos-habitados — os mundos entre os quais os Espíritos transitam
- reencarnacao — a lei que sustenta todo o fluxo migratório
- progresso-espiritual — a finalidade última das migrações
- genese — cap. XI, itens 35–44; cap. XVIII
Fontes
- Kardec, Allan. A Gênese, cap. XI, itens 35–44; cap. XVIII, itens 27–34. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). A Caminho da Luz, cap. 3. FEB, 1939.