Um Espirito aborrecido

Identificação

Espírito não identificado por nome que se apresentou espontaneamente ao médium pedindo preces. Declarou estar errante há aproximadamente 180 anos e não ter feito “nada de bom” durante sua última existência terrestre. Classificou-se entre “os entediados” (C&I, 2ª parte, cap. VII, “Um Espírito aborrecido”).

Situação no mundo espiritual

O Espírito encontrava-se num estado de tédio crônico e paralisante, vagando sem objetivo. Explicou que o tédio é “filho da ociosidade” e consequência direta de uma existência inútil na Terra. Comparou sua condição a cinzas ainda unidas que lembram ao papel destruído o que foi — faíscas de memória terrestre que o percorriam sem que pudesse progredir. O trabalho intelectual durante a evocação já o cansava, exigindo ajuda de outros Espíritos para sustentar as respostas (C&I, 2ª parte, cap. VII, “Um Espírito aborrecido”).

O guia do médium o definiu como “um desocupado do mundo dos Espíritos como o foi do mundo terrestre”, e alertou que o tédio sem fim pode ser mais penoso que sofrimentos agudos, prolongando-se indefinidamente.

Lições principais

  1. O tédio como castigo. A ociosidade na Terra gera tédio no mundo espiritual — um sofrimento sutil mas terrível pela perspectiva do infinito: “Consegues imaginar a tortura da perspectiva de um tédio sem fim?” (C&I, 2ª parte, cap. VII, “Um Espírito aborrecido”).
  2. Paralisia da vontade. Os Espíritos entediados “nem sempre podem” sair desse estado, pois o tédio lhes paralisa a vontade; “ficam abandonados a si mesmos até que a lassidão desse estado neutro os faça desejar mudar” (C&I, 2ª parte, cap. VII, “Um Espírito aborrecido”).
  3. Reencarnação como distração, não como progresso. Muitos Espíritos nessa condição buscam nova encarnação apenas para romper a monotonia, “sem resoluções tomadas para o bem”, e por isso devem recomeçar indefinidamente (C&I, 2ª parte, cap. VII, “Um Espírito aborrecido”).

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Fontes

  • Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. 2ª parte, cap. VII, “Um Espírito aborrecido”. FEB.