Parábola do rico insensato
Definição
Parábola contada por Jesus quando alguém na multidão lhe pediu que fizesse o irmão dividir uma herança. Narra a história de um homem rico que, tendo colheita extraordinária, planeja demolir seus celeiros para construir outros maiores e gozar de seus bens — mas Deus lhe toma a alma naquela mesma noite. Kardec a reproduz no capítulo XVI do ESE, na seção “Preservar-se da avareza”.
Texto da parábola
“Então, no meio da turba, um homem lhe disse: Mestre, dize a meu irmão que divida comigo a herança que nos tocou. Jesus lhe disse: Ó homem! quem me designou para vos julgar, ou para fazer as vossas partilhas? E acrescentou: Tende o cuidado de preservar-vos de toda a avareza, porquanto, seja qual for a abundância em que o homem se encontre, sua vida não depende dos bens que ele possua.” (S. Lucas, 12:13–15)
“Disse-lhes a seguir esta parábola: Havia um rico homem cujas terras tinham produzido extraordinariamente e que se entretinha a pensar consigo mesmo, assim: Que hei de fazer, pois já não tenho lugar onde possa encerrar tudo o que vou colher? Aqui está, disse, o que farei: Demolirei os meus celeiros e construirei outros maiores, onde porei toda a minha colheita e todos os meus bens. E direi a minha alma: Minha alma, tens de reserva muitos bens para longos anos; repousa, come, bebe, goza. Mas, Deus, ao mesmo tempo, disse ao homem: Que insensato és! Esta noite mesmo tomar-te-ão a alma; para que servirá o que acumulaste?” (S. Lucas, 12:16–20)
Jesus conclui: “É o que acontece àquele que acumula tesouros para si próprio e que não é rico diante de Deus.” (S. Lucas, 12:21)
Ensino de Kardec
Kardec situa esta parábola no capítulo XVI do ESE (“Não se Pode Servir a Deus e a Mamon”), item 3, entre a seção “Salvação dos ricos” e “Jesus em casa de Zaqueu”:
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A parábola ilustra a futilidade de acumular sem partilhar. O rico insensato planeja para “longos anos”, esquecido de que sua vida não lhe pertence. Acumula tesouros na Terra, mas está vazio diante de Deus.
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Kardec desenvolve este tema nos itens seguintes (ESE, cap. XVI, itens 7–14), mostrando que a riqueza em si não é condenada, mas o apego exclusivo a ela. O homem é depositário, não proprietário, dos bens que Deus lhe confia. A verdadeira riqueza é a que se leva ao deixar a Terra: “a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais” (ESE, cap. XVI, item 9).
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A parábola dos talentos (ESE, cap. XVI, item 6) complementa o ensino: ao rico insensato que enterra seus bens para si corresponde o servo que esconde o talento na terra. Ambos falham na missão de fazer frutificar o que receberam.
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O ensino se conecta à máxima “Não acumuleis tesouros na Terra, onde a ferrugem e os vermes os comem” (S. Mateus, 6:19), citada por Kardec no capítulo XXV (ESE, cap. XXV, item 5).
Aplicação prática
A parábola questiona o sentido de toda acumulação desprovida de propósito espiritual. Não se trata de condenar o trabalho ou a previdência legítima, mas de lembrar que a vida terrena é transitória e que os bens materiais só têm valor quando empregados em benefício próprio e alheio. O espírita consciente se pergunta: se Deus me tomasse a alma esta noite, qual seria o saldo moral da minha existência?
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Fontes
- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVI (“Não se Pode Servir a Deus e a Mamon”), itens 3, 7–14. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- Novo Testamento. S. Lucas, 12:13–21.