O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo
Quarta obra do Pentateuco kardequiano, publicada em Paris em agosto de 1865 (4ª edição, definitiva, em 1869). Examina comparativamente as doutrinas sobre o céu, o inferno, os anjos, os demônios e as penas futuras — refutando a eternidade dos castigos — e apresenta dezenas de relatos de Espíritos evocados como demonstração empírica dos princípios expostos.
“Por mim mesmo juro — disse o Senhor Deus — que não quero a morte do ímpio, senão que ele se converta, que deixe o mau caminho e que viva.” (Ezequiel, 33:11) — epígrafe da obra.
Dossiê preparatório:revista-espirita-1865 — dois capítulos foram publicados como artigos antecipados na Revista: “Da apreensão da morte” (RE fev/1865, → cap. II) e “Onde é o Céu?” (RE mar/1865, → cap. III), com nota editorial explícita de Kardec (“extraídos da nova obra que o Sr. Allan Kardec publicará proximamente”). Casuística pós-publicação (Dr. Vignal mai/1865, padre Dégenettes ago/1865, Sr. Dozon ago/1865, Sr. Nant set/1865) alimenta a 2ª parte da obra.
A obra se divide em duas partes: a primeira doutrinária (11 capítulos), a segunda empírica (8 capítulos com relatos de Espíritos evocados).
1ª Parte — Doutrina
Cap.
Título
Temas centrais
I
O futuro e o nada
Refutação do niilismo, do panteísmo e da absorção no Todo Universal; necessidade da individualidade da alma
II
Da apreensão diante da morte
Causas do medo da morte; por que os espíritas não se apreendem
III
O céu
Desmaterialização do céu; felicidade proporcional ao adiantamento; o céu está em toda parte
IV
O inferno
Inferno pagão vs. cristão; Satã como imitação de Plutão; visões extáticas não provam o inferno material
V
O Purgatório
Purgatório como vida terrestre; a Terra é mundo de expiação; reencarnação como purificação
VI
Doutrina das penas eternas
Origem histórica; refutação por incompatibilidade com os atributos de Deus (justiça, bondade, misericórdia); impossibilidade material; a doutrina está ultrapassada; Ezequiel contra as penas eternas
VII
As penas futuras segundo o Espiritismo
”A carne é fraca” (estudo fisiológico-moral); código penal da vida futura (33 princípios); tríade arrependimento-expiação-reparação
VIII
Os anjos
Anjos segundo a Igreja vs. segundo o Espiritismo: são Espíritos que atingiram a perfeição pelo progresso
IX
Os demônios
Origem da crença nos dois princípios; demônios segundo a Igreja vs. segundo o Espiritismo: são Espíritos imperfeitos, não seres eternamente maus
X
Intervenção dos demônios nas manifestações modernas
A Igreja atribui as manifestações ao demônio; refutação
XI
Da proibição de evocar os mortos
Contextualização da lei mosaica; o Evangelho não proíbe as evocações
Destaques:
Refutação das penas eternas — argumento central da obra: “Se Deus é perfeito, a condenação eterna não existe; se ela existe, Deus não é perfeito” (C&I, 1ª parte, cap. VI, item 15).
Código penal da vida futura — princípio-síntese: “O sofrimento está vinculado à imperfeição. Toda imperfeição, e toda falta que dela decorre, traz consigo seu próprio castigo, por suas consequências naturais e inevitáveis” (C&I, 1ª parte, cap. VII, item 33).
O céu desmaterializado: “Nesta imensidão sem limites, onde está então o céu? Está em toda a parte; nenhuma cerca lhe impõe limites; os mundos felizes são as últimas estações que a ele conduzem; as virtudes abrem-lhe o caminho, os vícios proíbem-lhe o acesso” (C&I, 1ª parte, cap. III, item 18).
Anjos = puros Espíritos: Kardec demonstra que os anjos não são seres criados à parte, mas Espíritos que, pelo progresso, atingiram a perfeição (C&I, 1ª parte, cap. VIII).
Demônios = Espíritos imperfeitos: o dualismo bem/mal como poderes rivais é herança pagã; Satã é personificação alegórica do mal, não ser real (C&I, 1ª parte, cap. IX).
Tríade arrependimento–expiação–reparação: “Arrependimento, expiação e reparação são as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências” (C&I, 1ª parte, cap. VII, item 17).
2ª Parte — Exemplos
Cap.
Título
Conteúdo
I
A passagem
Mecanismo fluídico da separação alma-corpo; perturbação; influência do grau moral sobre o desprendimento
II
Espíritos felizes
18 relatos de Espíritos em estado de felicidade
III
Espíritos em uma condição média
6 relatos de Espíritos nem plenamente felizes, nem sofredores
IV
Espíritos sofredores
10 relatos de Espíritos em sofrimento
V
Suicidas
9 relatos de Espíritos que se suicidaram
VI
Criminosos arrependidos
5 relatos de Espíritos que cometeram crimes graves e se arrependeram
VII
Espíritos endurecidos
5 relatos de Espíritos obstinados no mal
VIII
Expiações terrestres
14 relatos de Espíritos em provas e expiações na Terra
Kardec, Allan. O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. 1ª ed. 1865, 4ª ed. 1869. [Edição em raw/kardec/pentateuco/ceu-e-inferno.md]