Lei de destruição
Definição
Sexta lei moral, tratada na Parte 3, Cap. VI (q. 728–765).
“É Lei da Natureza a destruição? — Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos.” (LE, q. 728)
Destruição necessária vs. abusiva
“Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação da Lei de Deus.” (LE, q. 735)
A destruição por mero prazer (caça inútil, crueldade sem necessidade) revela “predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual” (LE, q. 735).
Flagelos destruidores
Deus dispõe de muitos meios para fazer a Humanidade progredir — os flagelos são “necessários” somente porque o homem não se aproveita dos meios pacíficos que lhe são dados para progredir pelo conhecimento do bem e do mal (LE, q. 738).
Guerra
Quem suscita guerra para proveito próprio é “grande culpado” e muitas existências lhe serão necessárias para expiar os assassínios de que foi causa (LE, q. 745).
Vista do plano espiritual (André Luiz / Nosso Lar)
Em Nosso Lar (1944, redigido em plena Segunda Guerra), André Luiz registra como a guerra é vista do outro lado. No cap. 24, o receptor da Governadoria capta o apelo da colônia “Moradia”: “Negras falanges da ignorância, depois de espalharem os fachos sanguinários da guerra na Ásia, cercam as nações europeias, impulsionando-as a novos crimes.” No cap. 42, o Governador discursa abrindo Mt 24:6 (“ouvireis falar de guerras e de rumores de guerras”): “Nosso Lar precisa de trinta mil servidores adestrados no serviço defensivo… não podemos esperar o adversário em nossa morada espiritual.” A colônia mobiliza um exército de socorristas, justificando a militância como caridade aplicada — “todo crime como enfermidade d’alma”.
O Ministro Benevenuto, recém-chegado da Polônia (cap. 43), descreve o teatro de operações invisível: “verdadeiro inferno de indescritíveis proporções”; militares agressores que ao desencarnar, “dominados, na maioria, por forças tenebrosas, fugiam dos Espíritos missionários, chamando-lhes a todos ‘fantasmas da cruz’“. Dimensão concreta do princípio kardequiano de q. 745: a guerra recolhe seus próprios coveiros — quem matou em estado de ódio, ao morrer encontra-se preso ao mesmo ódio do outro lado, reforçando a fileira de “almas decaídas, apresentando características essencialmente diabólicas”. Ver nosso-lar.
Crueldade e infanticídio
O desenvolvimento intelectual não implica necessariamente a prática do bem; um Espírito pode ser superior em inteligência e mau ao mesmo tempo (LE, q. 751). Mesmo na mais adiantada civilização há seres cruéis — “lobos extraviados em meio de cordeiros” (LE, q. 755).
Pena de morte
“Incontestavelmente desaparecerá e a sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens estiverem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida na Terra.” (LE, q. 760)
Páginas relacionadas
- lei-natural · lei-de-conservacao · lei-de-justica-amor-e-caridade · lei-do-progresso
- nosso-lar — guerra mundial vista do plano espiritual (caps. 24, 42, 43)
Fontes
- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Parte 3, Cap. VI (q. 728–765). Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- XAVIER, Francisco Cândido (André Luiz). Nosso Lar. Rio de Janeiro: FEB, 1944, caps. 24, 42, 43. Edição: nosso-lar.