Cláudia Sabina

Identificação

Antiga plebeia da Suburra, alçada à mais alta sociedade romana pelo casamento com Lólio Urbico, prefeito dos pretorianos sob Adriano. Mãe biológica oculta de Silano Pláutius — fruto de relação anterior com Helvídio Lucius (em sua mocidade), entregue logo após o nascimento aos cuidados de Cneio Lucius como enjeitado anônimo. Antagonista central de 50-anos-depois (Emmanuel / Chico Xavier, 1939).

Papel

Apaixonada de longa data por Helvídio Lucius — relação que ela sabe nunca poder reaver, dada a fidelidade do tribuno a Alba Lucínia —, Cláudia Sabina interpreta o assédio do próprio marido sobre a esposa de Helvídio como traição imperdoável (não da parte do marido, mas da rival imaginada). Aliada à serva Hatéria e à vendedora de sortilégios da Suburra Plotina, urde a maquinação que destruirá a família de Helvídio: arma um encontro indecente para que a calúnia atinja Alba Lucínia e a expulse do lar. O alvo direto é a esposa; a vítima efetiva é a filha Célia, que se exila silenciosamente em substituição.

Após a morte de Adriano e o ostracismo social que se segue, Cláudia se recolhe a chácara nos arredores de Roma, entre as Vias Salária e Nomentana, e aproxima-se das comunidades cristãs sem nunca conseguir converter-se — “sentia o coração assaz intoxicado de ódio para identificar-se com os postulados de amor e singeleza”.

Quando, dez anos depois, Hatéria confessa a maquinação à família de Helvídio, o velho censor Fábio Cornélio despacha à diligência punitiva o oficial de sua confiança: Silano Pláutius — sem saber que Silano é filho biológico de Cláudia. No instante da execução, antes de o sangue jorrar, Cláudia revela ao filho a paternidade dele e implora vingança contra Fábio. Silano cumpre o pedido: apunhala Fábio Cornélio em seu próprio gabinete e é, em seguida, abatido pelos pretorianos.

No plano espiritual, Cláudia Sabina passa a habitar as regiões mais sombrias, atormentada pelo remorso. Cneio Lucius a visita repetidas vezes — “as últimas visitas que lhe fiz, na região das sombras, deixaram-me envolto num véu de amargura” — sem conseguir penetrar a “caligem dos pensamentos”. Na assembleia que decide a próxima reencarnação coletiva do grupo, Cneio é o primeiro a estender-lhe os braços, acolhendo-a como filha em seu lar futuro — gesto que, somado à aparição luminosa de Célia, finalmente comove Cláudia ao perdão.

Citações relevantes

“Não me atrevo a chamar-vos irmã, pois fui outrora o impiedoso verdugo de vosso coração sensível e bondoso! Mas, por quem sois, pelos sentimentos generosos que vos exornam a alma, perdoai-me mais uma vez. Fui o algoz e vós a vítima; todavia, bem vedes aqui a minha ruína dolorosa. Dai-me o vosso perdão para que eu sinta a claridade do meu novo dia!” [[obras/50-anos-depois|(Cláudia Sabina a Alba Lucínia no plano espiritual, 50 anos depois, cap. 7 — “Nas Esferas Espirituais”)]]

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Fontes

  • XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). 50 anos depois. Rio de Janeiro: FEB, 1939. Edição: 50-anos-depois.