Avareza
Apego excessivo aos bens materiais e resistência em partilhá-los. No ensino espírita, a avareza é forma grave de egoísmo, contrária à lei de caridade e ao princípio de que os bens terrenos são depósitos confiados ao homem para uso proveitoso.
Ensino de Kardec
Bens terrenos como depósito
Os bens materiais não pertencem ao homem: são depósitos de que Deus lhe confia a administração. “A riqueza é um depósito cujo emprego Deus pedirá conta” — quem acumula sem partilhar falta ao compromisso assumido (ESE, cap. XVI, item 7).
Parábolas sobre a avareza
Jesus ilustra os perigos da avareza em parábolas comentadas no ESE:
- O rico insensato acumula celeiros cheios sem pensar na morte que o surpreenderá naquela mesma noite — “Insensato! esta noite te pedirão a tua alma” (ESE, cap. XVI; S. Lucas, 12:16–21; ver parabola-do-rico-insensato).
- O mau rico e Lázaro — a inversão de posições na vida futura demonstra que a riqueza egoísta não acompanha o Espírito (ESE, cap. XVI; ver parabola-do-mau-rico).
Desapego, não miséria
Kardec distingue desapego de renúncia: o Espiritismo não condena a riqueza em si, mas o apego que ela gera. O Espírito que possui riqueza com desprendimento interior e a emprega em benefício dos outros cumpre sua missão; o que se apega a ela e recusa partilhá-la estaciona no progresso (ESE, cap. XVI; LE, q. 711–714).
Aplicação prática
Em palestras sobre desapego, convém mostrar que a avareza não é apenas o acúmulo de dinheiro — é toda forma de retenção egoísta: do tempo, do saber, do afeto. A pergunta espírita é sempre: “O que fiz com o que recebi?”
Páginas relacionadas
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Fontes
- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. XVI — “Não se pode servir a Deus e a Mamon”. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte 3, cap. V, q. 711–714. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.