Ribas (Instrutor)

Identificação

Instrutor da estância espiritual em que Evelina Serpa e Ernesto Fantini se reajustam após a desencarnação, em e-a-vida-continua (André Luiz / Chico Xavier, FEB, 1968). Identidade terrena não revelada — categorizado pela narrativa de André Luiz como “sábio amigo” e “mentor”, encarregado da articulação do esquema reencarnatório que abrange o grupo Serpa–Fantini–Terra. Ocupa, no 13º volume da série, a função didática que Aniceto cumpre em Os Mensageiros, Calderaro em No Mundo Maior e Druso em Ação e Reação.

Papel

Atua em três frentes:

  1. Pedagogia individual — recebe Evelina e Ernesto na estância e organiza-lhes o ajuste após a morte: define o que pode ser revelado e quando, conduz as visitas-piloto à Terra (cap. 18), faz com que cada protagonista atravesse os próprios complexos (suicídio aparente de Túlio para Evelina, paternidade-legenda para Ernesto) antes de receber a verdade.
  2. Engenharia reencarnatória (cap. 22, “Bases de novo porvir”) — articula o esquema de 30 anos do grupo: Caio casará com Vera; Túlio renascerá filho do próprio assassino; Desidério renascerá filho adotivo de Amâncio Terra (que o assassinou); Elisa, depois de desencarnar e reequilibrar-se, renascerá filha de Caio e Vera. Cada réu vira pai/protetor da vítima. Ribas opera com mapas e fichas, tem “autoridade suficiente para funcionar na solução dos problemas alusivos aos renascimentos”.
  3. Ofícios fraternos — repreende com benevolência a tendência de classificar Caio como “ladrão” (“é nosso aliado, nosso amigo. […] Toma hoje, por empréstimo, à sua viúva e à sua filha os recursos que você lhes deixou […]; entretanto, a pessoa enganada é ele mesmo”). Ensina sobre personalidades-legendas (cap. 23). Oficia o casamento espiritual de Evelina e Ernesto no fechamento da obra (cap. 26).

Tom: paternal, sereno, com humor brando (“Trabalho para trinta anos, meus amigos!”). Usa terminologia de “fichas”, “esquemas” e “Instituto” — coerente com a topologia administrativa da espiritualidade introduzida em Nosso Lar.

Citações relevantes

“Evitemos a crueldade, fujamos de qualquer violência. Indispensável envolver Serpa e Vera em ondas de nossa melhor simpatia. […] Toma hoje, por empréstimo, à sua viúva e à sua filha os recursos que você lhes deixou […], julgando que realiza brilhante proeza de inteligência. Entretanto, a pessoa enganada é ele mesmo, o nosso pobre amigo.” (cap. 22)

“Muita vez, somos no mundo titulares desses ou daqueles encargos, sem que venhamos a executá-los de modo efetivo. Costumamos ser maridos-legendas, pais-legendas, filhos-legendas, administradores-legendas… Usamos rótulos, sem atender às obrigações que eles nos indicam.” (a Ernesto, cap. 23)

“Somos viajores do berço para o túmulo e do túmulo para o berço, renascendo na Terra e na Espiritualidade, tantas vezes quantas se fizerem precisas, aprendendo, renovando, retificando e progredindo sempre, conforme as Leis do Universo, até alcançarmos a Perfeição, nosso destino comum.” (cap. 26)

“Ensina-lhes, oh! Mestre, que a felicidade é uma obra de construção progressiva no tempo e que o matrimônio deve ser realizado, de novo, todos os dias, na intimidade do lar, de maneira que os nossos defeitos se extingam, nas fontes da tolerância recíproca.” (Ribas oficiando o matrimônio espiritual de Evelina e Ernesto, cap. 26)

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Fontes

  • XAVIER, Francisco Cândido (André Luiz). E a vida continua… Rio de Janeiro: FEB, 1968. Edição: e-a-vida-continua.