Escala Espírita

Definição

Classificação dos Espíritos segundo o grau de adiantamento alcançado, as qualidades adquiridas e as imperfeições de que ainda precisam despojar-se (LE, q. 100). Tratada na Parte 2, Cap. I (q. 100–113).

“Esta classificação nada tem de absoluta. Apenas no seu conjunto cada categoria apresenta caráter definido. De um grau a outro a transição é insensível e, nos limites extremos, os matizes se apagam.” (LE, q. 100)

Três ordens

A escala dos Espíritos comporta três grandes ordens, subdivididas em dez classes:

Terceira ordem — Espíritos imperfeitos (LE, q. 101)

Predominância da matéria sobre o espírito. Propensão para o mal, ignorância, orgulho, egoísmo e paixões. Têm intuição de Deus, mas não o compreendem. Subdivide-se em:

  • 10ª classe — Espíritos impuros
  • 9ª classe — Espíritos levianos
  • 8ª classe — Espíritos pseudo-sábios
  • 7ª classe — Espíritos neutros
  • 6ª classe — Espíritos batedores e perturbadores

Segunda ordem — Bons Espíritos (LE, q. 107)

Predominância do Espírito sobre a matéria; desejo do bem. Qualidades e poderes em relação com o grau de adiantamento. Subdivide-se em:

  • 5ª classe — Espíritos benévolos
  • 4ª classe — Espíritos sábios
  • 3ª classe — Espíritos prudentes
  • 2ª classe — Espíritos superiores

Primeira ordem — Espíritos puros (LE, q. 113)

Classe única. Percorreram todos os graus, despojaram-se de todas as impurezas da matéria. Atingiram a perfeição de que a criatura é suscetível. Não estão mais sujeitos à reencarnação e gozam da vida eterna no seio de Deus.

Trânsito entre graus

Os Espíritos passam sucessivamente pelos graus, à medida que se purificam e progridem (LE, q. 226, comentário). Não retrogradam (LE, q. 118).

Histórico da publicação

A escala em três ordens / dez classes não nasceu na 2ª edição do LE (1860). Foi publicada dois anos antes, em série, na Revista Espírita de fev/1858: “Diferentes ordens de Espíritos” (introdução metodológica) e “Escala Espírita” (com as classes detalhadas, da 9ª — Espíritos impuros — até a 1ª — Espíritos puros). Ver revista-espirita-1858. Kardec adverte ali sobre o caráter convencional da divisão:

“Não inventamos os Espíritos nem os seus caracteres. Vimos e observamos; julgamo-los por suas palavras e atos, depois os classificamos por suas similitudes.” (RE, fev/1858, “Diferentes ordens de Espíritos”)

A escala foi acompanhada na Revista da advertência metodológica decisiva: não há fronteiras absolutas entre as classes (“a transição é insensível e, nos limites, a nuança se apaga, como nos reinos da natureza, nas cores do arco-íris”). É essa formulação que entrará intacta no comentário à q. 100 do LE.

Aplicação prática no Livro dos Médiuns

O LM faz da escala espírita uma ferramenta de discernimento nas comunicações:

Ver identidade-dos-espiritos e veracidade-das-mensagens-psicografadas.

Páginas relacionadas

Fontes

  • Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, q. 100–113. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
  • Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns. Caps. X (item 133), XXIII (itens 237–254), XXIV (itens 255–268). Trad. Guillon Ribeiro. FEB.