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Momentos de Felicidade

Dados bibliográficos

  • Autor espiritual: Joanna de Ângelis
  • Médium: Divaldo Pereira Franco
  • Tipo: Livro psicografado
  • Local de psicografia: Salvador-BA
  • Data: prefácio assinado em 29 de agosto de 1990
  • Editora: LEAL — Livraria Espírita Alvorada Editora, 1ª edição, 1990
  • Estrutura: prefácio + 20 capítulos curtos
  • Nível: 3 — Complementar aprovado
  • Texto integral: momentos-de-felicidade

Tese central

Volume pastoral curto, distinto da série psicológica densa (O Ser Consciente, 1993). O propósito está enunciado pela própria Joanna no prefácio:

“Selecionamos as páginas que constituem este pequeno volume, examinando vinte situações e propostas, discutindo-as e concluindo pelo amor, pela paz e pelo êxito geradores de felicidade. São modestas reflexões à luz do Evangelho de Jesus e da Doutrina Espírita, para os dias difíceis da atualidade.”

A tese articula duas direções: (1) a felicidade está acessível no presente“vives momentos de felicidade, de que ainda não te apercebeste” — bastando interromper o cultivo do pessimismo: “para trabalhar-se pelo próprio fracasso, gasta a mesma energia, que deveria aplicar em favor do êxito”; (2) o método é moral, não psicológico-técnico — silêncio, oração, leitura edificante, otimismo, prática do bem, esquecimento da ofensa. A obra opera inteiramente dentro do quadro kardequiano e ressoa diretamente com ESE cap. V (Bem-aventurados os aflitos) e cap. XXVII (eficácia da prece).

Estrutura

Prefácio + 20 capítulos breves (cada um com 4-8 páginas), em tom epistolar-fraterno (uso constante de “tu/te/contigo”). Não há partes formais — os capítulos se ordenam por proximidade temática.

Resumo por eixo temático

Os 20 capítulos podem ser agrupados em seis eixos:

1. Felicidade acessível e disposição moral (caps. 1, 16, prefácio)

  • 1 — Caminhos do coração: a vida apresenta caminhos atapetados, ásperos, vaidosos, angustiados; o discípulo de Jesus elege “os caminhos do coração”, à semelhança de Francisco de Assis (humildade), Vicente de Paulo (caridade), Gandhi (não-violência).
  • 16 — Balizas delimitadoras: amizade, solidariedade, amor e caridade como balizas do “reino de Deus” na Terra; “Granjeia amigos com as riquezas da injustiça” (Lc 16:9).

2. Imortalidade, dor e morte (caps. 2, 4, 13)

  • 2 — Fenômenos inexoráveis: diante da desencarnação (própria e dos amados), “não te entristeças […] canta aos ouvidos desses que padecem, a canção da imortalidade”. Ressoa com LE q. 920–998 e ESE V.
  • 4 — Benfeitora: a dor é “flor abençoada”, “instrumento da Lei”. “A dor é benfeitora anônima, que a todos visita. Cessados os seus efeitos perturbadores, quantas conquistas morais e espirituais!” — formulação que se incorpora à página dor.
  • 13 — Cruz de provações: “todas as criaturas transitam no mundo sob madeiros pesados”; resignação dinâmica + amor fraterno como caminho da libertação.

3. Mediunidade discreta (cap. 3)

  • 3 — Contato com os guias espirituais: alerta contra mediunidade ostentosa e nominal. “Importante não é o nome que firma ou enuncia uma mensagem, mas, sim, o seu conteúdo de qualidade e penetração benéfica.” Os guias “amparam em silêncio, instruem em calma, conduzem com afabilidade”. Eco fiel de LM, 2ª parte, cap. XXIV (identificação dos Espíritos pelo conteúdo, não pelo nome).

4. Pensamento como força criadora (caps. 5, 14, 20)

  • 5 — Pensamento e vida: “O pensamento é a manifestação do anseio espiritual do ser, não uma elaboração cerebral do corpo.” / “Vibração que sintoniza com ondas equivalentes, o teu pensamento é o gerador das tuas ações, e estas, as modeladoras da tua vida.”
  • 14 — A mente em ação: anatomia das mentes “viciosas e pessimistas” que geram vírus psicossomáticos; tédio, ciúme, violência e queixa como hábitos perniciosos.
  • 20 — No campo da mente: encerramento — direcionar a mente para a ideação do bem; insistir em pensamento gentil. Cita o convite de Jesus: “podemos fazer tudo quanto Ele fez, se quisermos, se tivermos fé” (cf. Jo 14:12).

5. Oração, cura e Cristo (caps. 7, 8, 9)

  • 7 — Equipamento da oração: “a prece é a mais eficaz terapia que se conhece”; ela “interrompe o tropel das desgraças […] proporciona claridade mental […] acalma, conforta e propõe os métodos para contornar e resolver”. Quando habitual, deixa de ser súplica isolada e “se transforma em uma constante vinculação com Deus”. Convergência direta com ESE cap. XXVII.
  • 8 — Em favor dos enfermos: passe e magnetização da água como prática socorrista — “a irradiação da mente concentrada no bem, em favor de alguém, opera admiráveis resultados […] a magnetização da água completa a operação socorrista, ao ser ingerida pelo paciente”. Reforça LM, 2ª parte, caps. XIV-XV (médiuns curadores e fluidos magnéticos).
  • 9 — Jesus e a barca (Mt 13:2): leitura simbólica — “a barca: o destino; a multidão: as tuas necessidades; o mar: a tua atual jornada”. Cristo como comandante.

6. Emoções perturbadoras, medo e ira (caps. 6, 10, 11, 12, 18, 19)

  • 6 — Amigo ingrato: tratamento da decepção fraterna à luz da paixão de Cristo (Pedro, Judas, fuga dos discípulos); ingratidão como “psicopatologia social”.
  • 10 — Libertação: solidão e silêncio como terapia de auto-encontro; relativização da posse e do dinheiro.
  • 11 — Insegurança e medo: “a existência humana deve transcorrer dentro de um esquema atemporal, sem passado, sem futuro, num interminável presente”; medo como inversão de Pedro, Judas, Pilatos diante do Cristo.
  • 12 — Janelas na alma: amor, bondade, perdão e ternura como “lentes” pelas quais se observa o mundo.
  • 17 — Teoria e prática: o conhecimento que não se traduz em ação é “sepulcro caiado por fora”; anedota do monge budista que retirou e recolocou a pele do urso após leitura completa do texto.
  • 18 — Emoções perturbadoras: excesso de auto-estima, apego e orgulho como raízes; sequência de exercícios para desidentificação. Continuidade temática direta com os “gigantes da alma” de O Ser Consciente.
  • 19 — Domínio da ira: irascibilidade gera doenças (apoplexia, enfarto); “da ira ao ódio o passo é breve”; oração e afastamento dos maledicentes como antídoto. “A ira é porta de acesso à obsessão.”

Temas centrais

  1. Felicidade como conquista moral acessível no presente — não estado, mas atitude diante da vida.
  2. Dor como benfeitora anônima — instrumento providencial da Lei, alinhado com dor e Léon Denis.
  3. Mediunidade séria, anônima e silenciosa — autenticação pelo conteúdo, não pelo nome do Espírito comunicante (LM cap. XXIV).
  4. Pensamento como força criadora — três capítulos articulam o pensamento como vibração que plasma a vida.
  5. Oração-terapia — a prece como recurso clínico e como hábito de comunhão constante com Deus.
  6. Cristologia kardequiana — Jesus como referência permanente; galeria moral inclui Francisco de Assis, Vicente de Paulo, Gandhi, Estêvão, Paulo.
  7. Domínio das paixões inferiores — medo, ira, ciúme, tédio, queixa, orgulho como obstáculos cuja superação é o eixo prático da obra.

Conceitos tratados

  • dor“flor abençoada” e “instrumento da Lei” (cap. 4).
  • prece — prece como terapia e comunhão habitual (cap. 7).
  • passe — irradiação mental e magnetização da água (cap. 8).
  • mediunidade — anonimato e crítica à ostentação (cap. 3).
  • autoconhecimento — solidão, silêncio e meditação (cap. 10).
  • depressao — anatomia do tédio (cap. 14).
  • obsessao — ira como porta de acesso (cap. 19).

Personalidades citadas

Personalidades históricas mencionadas (sem página própria na wiki)

  • Heróis morais: Francisco de Assis (humildade), Vicente de Paulo (caridade), Gandhi (não-violência) — galeria do cap. 1.
  • Antagonistas evangélicos: Judas (ambição), Pilatos (covardia), Anás, Caifás (medo do “Homem Livre”) — caps. 6, 11.

Divergências

Nenhuma divergência identificada com o Pentateuco. Volume pastoral integralmente alinhado: reforça a lei do progresso pelo sofrimento (ESE V), a eficácia da prece (ESE XXVII), a primazia de Jesus (ESE em geral), a mediunidade séria pela autenticação do conteúdo (LM cap. XXIV) e o passe/magnetização da água (LM caps. XIV-XV).

Fontes

  • Joanna de Ângelis / Franco, Divaldo Pereira (psicografia). Momentos de Felicidade. Salvador: LEAL — Livraria Espírita Alvorada Editora, 1ª edição, 1990.
  • Edição: momentos-de-felicidade.
  • Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V (Bem-aventurados os aflitos), cap. XXVII (Pedi e obtereis). Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
  • Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, 2ª parte, cap. XIV (Médiuns curadores), cap. XV (Médiuns sonâmbulos e curadores), cap. XXIV (Identificação dos Espíritos). Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
  • Bíblia. Mateus 13:2 (Jesus na barca); Lucas 16:9; João 14:12.