Frederico II da Prússia
Identificação
- Nome: Friedrich II der Große (1712–1786), conhecido como Frederico, o Grande ou o Velho Fritz (der Alte Fritz)
- Reinado: Rei da Prússia de 1740 a 1786 (46 anos). Da casa de Hohenzollern
- Vida e obra: transformou a Prússia em grande potência europeia. Música, filosofia, literatura — escritor em francês, autor de tratados militares e do Antimaquiavel (sob inspiração de Voltaire). Mecenas iluminista; protetor da Academia de Berlim. Hospedou Voltaire em Sanssouci de 1750 a 1753, com ruptura amarga
- Religião declarada: deísmo voltairiano; abertamente cético em relação ao cristianismo dogmático
Papel
Espírito perturbado e ainda preso à condição régia evocado em diálogo com voltaire na sessão de 18 de março de 1859 da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, publicado em “Palestras familiares de além-túmulo — Voltaire e Frederico” (RE, ago/1859). Diferentemente de Voltaire — que aparece já em fase mais avançada de arrependimento e revisão de obra — Frederico aparece estancado, ainda incapaz de abdicar interiormente da condição régia.
A função doutrinária é dupla:
- Caso clássico de fixação egoica pós-morte — o Espírito do soberano ainda se aborrece de não ser mais Frederico; reconhece o sofrimento mas não consegue romper a cristalização orgulhosa.
- Contraste pedagógico com Voltaire — duas almas formadas no mesmo ambiente cético-iluminista terminam em situações morais distintas após a desencarnação. A diferença não está nas ideias professadas em vida, mas na disposição moral. Voltaire reconhece-se “errante mas arrependido”; Frederico se diz preso à “marca da majestade”.
Citações relevantes
Reconhecimento do sofrimento, mas resistência ao arrependimento:
“Sim, eu sofro; mas não o repitas mais.” (RE, ago/1859)
Apego à condição:
“Eu deploro a minha vida, mas como me aborreço de não ser mais Frederico! E tu, de não seres mais o senhor Voltaire!” (RE, ago/1859)
Pedido de orientação a Voltaire:
“Tomai-me então pela mão; traçai-me uma linha de conduta, se puderdes… esperemos… mas será para vós… Quanto a mim estou muito perturbado, e isto já dura há um século.” (RE, ago/1859)
Cristalização do coração:
“Sim, mas a marca que a minha condição de majestade me deixou no coração impede-me sempre de humilhar-me como tu. Meu coração é duro como um rochedo, árido como um deserto, seco como areia.” (RE, ago/1859)
Resposta evasiva à exortação de Voltaire para abdicar:
“Voltaire ─ Então abdicai! Mais tarde fareis como eu.
Frederico ─ Não posso.” (RE, ago/1859)
Casos paralelos no mesmo volume
Frederico ilustra um padrão recorrente em 1859 — Espíritos que carregam o orgulho da condição mundana após a morte. Comparar com:
- “Palestras familiares de além-túmulo” (set/1859) — outra evocação anônima de “Espírito de soberano” que recusa colaborar: “Credes que eu viria voluntariamente a esta casa de negociantes, que talvez um dos meus criados não quisesse habitar?”
- “O Espírito de uma rainha” (RE, set/1859) — “Se ainda tivesse o poder que tinha na Terra, eu vos faria arrepender-se muito.”
Kardec comenta: “Não temos aqui um curioso estudo dos costumes espíritas?” — o orgulho persiste como entrave no plano espiritual proporcionalmente à fixação que teve em vida.
Obras associadas
Não há obras psicografadas atribuídas. As referências do Espírito são todas retrospectivas e em conversação.
Páginas relacionadas
- voltaire — interlocutor no diálogo de mar/1859.
- revista-espirita-1859 — fascículo de agosto.
- orgulho · perturbacao · arrependimento — temas do diálogo.
- escala-espirita — Frederico ilustra a 7ª classe (Espíritos neutros, ainda cristalizados em apegos terrenos) ou aproximações.
Fontes
- KARDEC, Allan. Revista Espírita, ago/1859, “Palestras familiares de além-túmulo — Voltaire e Frederico”. Edição local: 1859.