Confiança em Deus

Sentimento de segurança interior que nasce da compreensão da Providência divina e da certeza de que Deus é justo e bom. No ensino espírita, a confiança em Deus não é resignação passiva, mas fé raciocinada aplicada às provas da vida.

Ensino de Kardec

Fundamento

A confiança em Deus se apoia nos atributos divinos — soberanamente justo e bom — e na certeza de que nada acontece sem causa nem sem propósito. Quem compreende a lei de causa e efeito e a pluralidade das existências encontra razão para confiar: todo sofrimento tem fim, e todo esforço de progresso é recompensado (LE, q. 1, 964; ESE, cap. II).

Confiança e Providência

Jesus ensina: “Olhai as aves do céu, que não semeiam nem colhem; contudo, vosso Pai celestial as alimenta” (S. Mateus, 6:26). Kardec interpreta essa passagem não como convite à inação, mas à confiança: “Ter confiança na Providência é não se deixar abater pelas dificuldades da vida, é saber que Deus vela por todas as suas criaturas” (ESE, cap. XXV, item 3).

Confiança e prece

A prece sincera é expressão da confiança em Deus. “Crê em Deus e caminha com confiança” é orientação recorrente dos Espíritos superiores (LE, Prolegômenos). A prece não muda a lei divina, mas fortalece a alma e atrai a assistência dos bons Espíritos (ESE, cap. XXVII).

Aplicação prática

Nas palestras, a confiança em Deus é tema consolador, mas exige equilíbrio: não é fatalismo (“Deus proverá” sem esforço próprio), nem superstição (“se eu rezar, tudo se resolve”). É a serenidade de quem sabe que, fazendo sua parte, pode confiar que a justiça divina fará a dela.

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Fontes

  • Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. XXV — “Buscai e achareis”; cap. XXVII — “Pedi e obtereis”. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.
  • Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Prolegômenos; Parte 1, cap. I, q. 1. Trad. Guillon Ribeiro. FEB.