Lapommeray

Identificação

Grande criminoso executado pela justiça humana, cuja identidade não é explicitada por Kardec mas foi reconhecida pelos membros da Sociedade de Paris. Manifestou-se espontaneamente durante uma sessão da Sociedade na qual se discutia a perturbação após a morte. A comunicação não foi assinada, mas foi prontamente identificada. Kardec intitula o caso “Castigo pela luz” (C&I, 2ª parte, cap. VII, “Lapommeray”).

Situação no mundo espiritual

Ao contrário da maioria dos criminosos desencarnados, Lapommeray não se encontrava em trevas nem em perturbação: via claro, tinha plena consciência de si — e desafiava as leis divinas com cinismo. Declarava: “A vida é uma lúgubre comédia” e “Um crime! É uma palavra! O crime existe em toda a parte.” No entanto, seu próprio suplício era justamente essa lucidez: a luz espiritual o transpassa “como uma flecha pontiaguda”, tornando visíveis todos os seus pensamentos secretos. Ele próprio confessa: “Saberei lutar contra esta odiosa luz” (C&I, 2ª parte, cap. VII, “Lapommeray”).

Três Espíritos elevados — Lamennais, Erasto e Jean Reynaud — comentaram o caso, explicando que a luz que é alegria para os justos torna-se tormento para os perversos: o criminoso fica como numa “casa de vidro” onde nada pode ocultar.

Lapommeray permaneceu muito tempo sem arrependimento, mas acabou por se emendar, tornando-se posteriormente um Espírito arrependido.

Lições principais

  1. Castigo pela luz. Para Espíritos intelectualmente desenvolvidos mas moralmente atrasados, o suplício não são trevas, mas a claridade penetrante que expõe todos os seus pensamentos — “a ausência de ponderação entre o progresso moral e o progresso intelectual” (C&I, 2ª parte, cap. VII, “Lapommeray”).
  2. Orgulho como obstáculo ao arrependimento. Lapommeray exemplifica o Espírito que, “impelido pelo orgulho, se revolta contra Deus e persiste em desvarios” — a prece só age sobre quem sente uma centelha de arrependimento (C&I, 2ª parte, cap. VI, “O Espírito de Castelnaudary”).
  3. Progresso intelectual sem progresso moral. O caso demonstra que inteligência elevada sem correspondente avanço moral produz anomalias perigosas, frequentes em “épocas de materialismo e de transição” (C&I, 2ª parte, cap. VII, “Lapommeray”).

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Fontes

  • Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. 2ª parte, cap. VII, “Lapommeray”. FEB.