Alba Lucínia
Identificação
Matrona romana do séc. II d.C. Filha do censor Fábio Cornélio (alto funcionário do Império sob Adriano e Antonino) e de Júlia Spinther; esposa do tribuno Helvídio Lucius; mãe de Helvídia e de Célia. Personagem central do eixo “presente” de 50-anos-depois (Emmanuel / Chico Xavier, 1939).
Papel
Em Roma, ano 133 d.C., Alba Lucínia sofre o assédio crônico do prefeito dos pretorianos Lólio Urbico, que a persegue à revelia da própria esposa Cláudia Sabina. A nobre patrícia recusa o assédio com firmeza, mas a aparente tibieza da reação inicial é interpretada por Cláudia como cumplicidade e desencadeia a vingança que arruinará a família. Quando Cláudia, com a serva Hatéria, forja um encontro indecente para que a calúnia pública atinja Alba Lucínia, é a filha Célia quem se oferece como vítima substitutiva e parte para o exílio em silêncio — sacrifício que a mãe nunca chega a entender em vida.
Tenta, ainda, antes da viagem do esposo à Grécia com Adriano, procurar Cláudia Sabina pessoalmente para suplicar-lhe interferência junto ao Imperador — gesto de humildade rejeitado com ironia mordaz pela antiga plebeia. Alba responde com dignidade característica: “Cada qual dá o que tem.”
Dez anos depois, sob Antonino Pio (~145 d.C.), recebe na própria casa a confissão tardia de Hatéria — convertida ao Cristianismo — sobre a maquinação que destruiu a família. O choque é fatal: cai em síncope prolongada, recobra os sentidos por momentos como louca, e desencarna ao amanhecer da semana seguinte, antes do trespasse do pai (Fábio Cornélio, apunhalado por Silano) e do assassinato de Hatéria (na Ponte Fabrícius).
No plano espiritual, reúne-se aos seus na esfera de repouso de Cneio Lucius. Na assembleia que prepara a próxima reencarnação coletiva, estende os braços a Lólio Urbico junto com o esposo Helvídio e perdoa Cláudia Sabina explicitamente: “Estais perdoada… Deus me auxiliará a esquecer o passado, para que a genuína fraternidade se faça entre nós, nas lutas do futuro!”
Citações relevantes
“Helvídio, ninguém mais que eu poderá sentir a tua ausência. Sabes que a tua presença no lar constitui a minha proteção e a de nossa família, mas o dever, querido, onde fica o dever nas atuais circunstâncias de nossa vida? (…) Helvídio, muita vez quem odeia é que não soube amar convenientemente. Façamos por manter a harmonia e a paz na esfera de nossas relações.” [[obras/50-anos-depois|(Alba Lucínia ao esposo Helvídio Lucius nas vésperas da viagem à Grécia, 50 anos depois, cap. 7 — “Nas festas de Adriano”)]]
“Enganei-me lamentavelmente, supondo que a sinceridade de uma esposa honesta e mãe dedicada lhe comovesse o coração. Em troca de meus sentimentos leais, recolho insultos de uma ironia mordaz e injustificável. Não a condeno. A educação não é a mesma para todas as pessoas de uma comunidade social e temos de subordiná-la ao senso da relatividade. Além do mais, cada qual dá o que tem.” [[obras/50-anos-depois|(Alba Lucínia a Cláudia Sabina, 50 anos depois, cap. 7 — “Nas festas de Adriano”)]]
Páginas relacionadas
- celia — filha
- helvidio-lucius — esposo
- claudia-sabina — antagonista
- 50-anos-depois — narrativa central
Fontes
- XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). 50 anos depois. Rio de Janeiro: FEB, 1939. Edição: 50-anos-depois.