Julienne-Marie
Identificação
Pobre mulher do município de Villate, perto de Nozai (Loire-Inferior), que vivia da caridade pública. Velha e enferma, caiu num lago e foi resgatada pelo Sr. A…, espírita e médium que lhe prestava auxílio regularmente. Morreu pouco depois das consequências do acidente — a opinião geral supôs suicídio, mas ela negou categoricamente. Evocada pelo Sr. A… e, posteriormente, na Sociedade Espírita de Paris em 10 de junho de 1864, forneceu três comunicações de notável elevação.
Situação no mundo espiritual
Declarou-se feliz e devotada àqueles que foram compassivos consigo. Revelou que em existências anteriores ocupara posição social elevada, mas fora dominada por “vaidoso orgulho” que a levou a repelir pobres e miseráveis (C&I, 2ª parte, cap. VIII, “Julienne-Marie”). Sofreu então a “lei justa do talião”, renascendo como mendiga — “a mais horrível pobre desta região”. Suportou a prova sem murmurar, pressentindo vida melhor. Não se suicidou: morreu subitamente à beira do lago enquanto dirigia sua última prece a Deus.
Lições principais
- O orgulho é expiado pela humilhação voluntária. Julienne-Marie aceitou pobreza extrema como reparação do orgulho de vidas anteriores: “se voltei para suportar esta prova da pobreza, era para me punir de um vaidoso orgulho que me fizera repelir o que era pobre e miserável” (C&I, 2ª parte, cap. VIII, “Julienne-Marie”).
- A caridade recebida é recompensada espiritualmente. Após desencarnar, tornou-se protetora do Sr. A…, auxiliando-o em curas e na propagação do Espiritismo — “um serviço prestado recebe sempre sua recompensa” (C&I, 2ª parte, cap. VIII, “Julienne-Marie”).
- Confirmação das máximas evangélicas. Kardec observa que as três comunicações de Julienne-Marie reúnem todos os grandes princípios do Espiritismo: “Os grandes serão rebaixados e os pequenos serão elevados; bem-aventurados os humildes; bem-aventurados os aflitos.”
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Fontes
- Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. 2ª parte, cap. VIII, “Julienne-Marie”. FEB.