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Desperte e Seja Feliz
Dados bibliográficos
- Autor espiritual: Joanna de Ângelis
- Médium: Divaldo Pereira Franco
- Tipo: Livro psicografado
- Local de psicografia: Salvador-BA
- Data: 14 de fevereiro de 1996 (prefácio assinado pela autora espiritual)
- Editora: LEAL — Livraria Espírita Alvorada Editora (Centro Espírita Caminho da Redenção)
- 1ª edição: 1996 · Edição consultada: 11ª edição, 2013, 136 p. · ISBN 978-85-61879-90-7
- Série: Série Psicológica Joanna de Ângelis — Volume 7
- Estrutura: prefácio + 30 capítulos breves, cada um precedido por uma “ementa” em itálico do espírito orientador
- Nível: 3 — Complementar aprovado
- Texto integral: dpf-ja-08-desperte-e-seja-feliz
Tese central
Sucessor cronológico direto de autodescobrimento (Vol. 6, 1995), Desperte e Seja Feliz opera num registro mais homilético-pastoral que técnico-psicológico — contrastando deliberadamente com a densidade de O Ser Consciente / Autodescobrimento. A própria autora espiritual define o propósito no prefácio:
“Reunimos, nesta pequena obra, trinta questões-desafio que ocorrem com frequência e aturdem as criaturas humanas. Sem pretensão de equacioná-las, apresentamos angulações otimistas, e abrimos espaços para uma visão espiritual, positiva, do comportamento. Não adimos conceitos novos que já não sejam conhecidos, antes os reapresentamos em linguagem própria para estes tempos de perturbação e de sofrimento.”
A imagem-chave do título é o despertamento: o ser contemporâneo “seduzido pelas ambições desmedidas do poder que lhes propicia luxo, lazer e gozos, permanece adormecido para as graves responsabilidades espirituais”. A obra convoca à autoidentificação com Jesus como “Modelo Ideal da Humanidade” e oferece trinta angulações terapêuticas para o cotidiano da consciência.
Sobre o vocabulário
A obra modera o vocabulário transpessoal e oriental que caracteriza Autodescobrimento e O Ser Consciente. Aparecem ainda Jung (ânima/ânimus em harmonia em Jesus, cap. 1) e referências à Psiconeuroimunologia (cap. 23 cita explicitamente “Psiconeuroimunologia demonstra que cada um é, na área da saúde, aquilo que pensa”), mas o eixo é evangélico-pastoral, com diálogo direto com episódios do Evangelho (Pedro, Madalena, Zaqueu, Judas; Sermão da Montanha; Hebreus 12:7) e exemplos da história do Cristianismo (Jan Huss, Joana D’Arc, Giordano Bruno).
Resumo por eixos
A obra reúne 30 capítulos breves. O agrupamento abaixo sintetiza os seis eixos doutrinários que organizam a leitura.
Eixo 1 — Jesus como modelo terapêutico (caps. 1, 12, 18, 28, 30)
Cap. 1 — O Homem Jesus. Joanna abre afirmando que “no atual estágio da Psicologia profunda, um estudo da personalidade de Jesus não se torna conclusivo” — Freud é insuficiente (libido como raiz animal), Jung também (arquétipos do inconsciente coletivo nos primórdios animais). Jesus “transcende os estágios do processo de evolução na Terra, porquanto Ele já era o Construtor do Planeta, quando sequer a vida nele se apresentara”. Síntese: “NEle coexistem as naturezas psicológicas ânima e ânimus em perfeita sintonia” — no Sermão da Montanha, Sua natureza ânima consolou; no Gólgota, Sua expressão ânimus alcançou o máximo.
Cap. 18 — Autorrealização. Tríade canônica: amor, perdão e serviço como caminhos da autorrealização. Crítica explícita a “discípulos do Espiritualismo que pretendem encontrar a autorrealização fugindo do mundo, negando-o ou detestando-o” — fugir é desamor, negar é dificultar o perdão, detestar é escusa para não servir. Não há como sofismar a proposta: “em todo o seu tecido doutrinário, o imperativo é sempre amar”.
Cap. 30 — Natal de amor. Encerramento homilético-pastoral: Jesus como “o Pacificador de todas as vidas”, ponte de ligação com Deus.
Eixo 2 — Diagnóstico nosográfico do ser adormecido (caps. 2-7, 14)
Cap. 2 — Litígios. Tendência ao litígio como herança da natureza animal predominante no ser humano. Não revidar: “Sê tu aquele que não litiga, mas faz o bem; que não revida, porém permanece com firmeza no ideal”.
Caps. 3-4 — Provocações, Incompreensões. Provocador “está de mal com ele mesmo, saindo da cela escura em que se domicilia para perturbar”. A incompreensão tem raízes em comportamentos íntimos mascarados — inveja, competição malsã, malícia.
Cap. 7 — Três inimigos. Diagnóstico nosográfico inédito na bibliografia Joanna: depressão, ressentimento, exaltação como tríade dos adversários sutis da paz. Cada qual com terapia específica:
- Depressão — “vacina da coragem pela prece”. É “noite inopinada em pleno dia… nuvem ameaçadora que tolda o sol… tóxico que envenena lentamente as mais belas florações do ser”.
- Ressentimento — “raciocínio lúcido, mediante o amor que não espera nada”. É “mofo que faz apodrecer o sustentáculo onde se apoia”.
- Exaltação — “refrigério da meditação, que recompõe as energias”. É “faísca de eletricidade devoradora… relâmpagos de loucura com trovoadas carregadas de impropérios”.
Cap. 14 — Comportamento. Articula psiconeuroimunologia: “as ideias superiores sustentadas pela mente produzem correspondentes efeitos no corpo, estimulando as células à manutenção da ordem… Graças às endorfinas… muitas dores são atenuadas”. Inversamente, “pessoas irascíveis, realistas-fatalistas, que conduzem azedume e pessimismo… produzem as enzimas perniciosas, que irão abrir campo para a invasão orgânica dos elementos microbianos destrutivos”.
Eixo 3 — Programa pré-encarnatório (cap. 6)
Cap. 6 — Reclamações indevidas. Desenvolvimento explícito do programa pré-encarnatório como antídoto à autocompaixão:
“Antes de mergulhares no corpo denso da carne, porque te utilizavas da consciência lúcida, rogaste aos benfeitores do teu destino as oportunidades de crescimento mediante a redenção pessoal… Os teus mentores espirituais alvitraram que não terias resistência para os embates rudes na jornada carnal. No entanto, porque podias antever o futuro feliz que te aguardava, esclareceste que suportarias a cruz com sorrisos e a calúnia com perdão, o antagonismo com fé e o abandono com coragem…”
Releitura terapêutica de planejamento-reencarnatorio e da escolha do gênero de prova (LE q. 258ss): a reclamação indevida é esquecimento do compromisso assumido pelo próprio Espírito antes da encarnação.
Eixo 4 — Tipologia funcional da dor (caps. 17, 21)
Cap. 17 — Técnicas de reabilitação. Sofrimento como técnica educativa, ancorado em Hebreus 12:7 (citado nominalmente): “É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual é o filho a quem o pai não corrija?” Joanna explicita: “as dores que chegam aos corações, em luta de redenção, não têm caráter punitivo, antes constituem técnicas de educação, de que se utiliza o Pai Amoroso convocando o filho rebelde à edificação interior”.
Cap. 21 — Dor-reparação. Tipologia tríplice — dor-elevação, dor-conquista, dor-resgate — com critério funcional-pedagógico (qual é a função da dor no processo evolutivo do espírito), distinto da tipologia de plenitude (físicas/morais/emocionais/espirituais — critério de localização ontológica). A dor-resgate é específica: “Existe a dor-elevação, a dor-conquista, a dor-resgate. A tua é resgate, sim, que o teu amor não conseguiu evitar”. Convergente, porém não idêntica, à tipologia de André Luiz em Ação e Reação cap. 19 (dor-evolução, dor-expiação, dor-auxílio — ver dor).
Eixo 5 — Médico interno e amorterapia (caps. 20, 22, 23)
Cap. 20 — O médico interno. Crítica frontal ao “conceito sobre essa Divindade, punitiva e cruel”, que “encontra-se defasado diante da nova compreensão do amor”. Apresenta o médico interno como sistema autorreparador comandado pela mente, com base em encefalinas, endorfinas, sistema imunológico e autorreparação vascular:
“Há, no corpo humano, um médico às ordens da mente, que o Espírito encarnado comanda, aguardando a diretriz para agir corretamente.”
Cap. 22 — Amorterapia. Conceito explicitamente nomeado e proposto como cunhagem joanniana: “Amorterapia — eis a proposta de Jesus.” Já mencionado de passagem em o-ser-consciente (cap. 24, “base da amorterapia”) e lei-de-justica-amor-e-caridade, aqui é desenvolvido como tese central. Princípio operativo: “Não se apagam incêndios, usando-se combustíveis”:
“A ignorância deve ser combatida e o ignorante educado. O crime necessita de ser eliminado, mas o criminoso merece ser reeducado… O amor não acusa, corrige; não atemoriza, ajuda; não pune, educa; não execra, edifica; não destrói, salva.”
Cap. 23 — Curas. Cita explicitamente a Psiconeuroimunologia como confirmação contemporânea: “cada um é, na área da saúde, aquilo que pensa e quanto se faz a si mesmo”. Tese clínica: “a cura orgânica, psíquica ou emocional sempre se apresenta susceptível de recidiva, caso não haja uma profunda mudança de hábitos mentais e comportamentais da criatura, que permanecerá vulnerável, sem defesas imunológicas”.
Eixo 6 — Esquecimento providencial e prece intransferível (caps. 9, 19, 27)
Cap. 9 — Arrependimento e reparação. Casos canônicos do Evangelho como tipologia: Pedro (negação seguida de pilar), Madalena (luxúria → renovação → lepra reparadora), Zaqueu (escorchador → abnegação), Judas (traição → arrependimento sem estrutura → suicídio).
Cap. 19 — Esquecimento providencial. Defesa pedagógica do esquecimento das vidas passadas: “Tivéssemos conhecimento lúcido das razões que as desencadearam no pretérito… se constituiriam verdadeiros impedimentos para a pacificação, para o equilíbrio emocional, para o perdão”. Convergência com C&I 2ª parte cap. VIII (já registrada em empregado-domestico). Releitura do perdão como “olvido pleno” — não repressão, mas “luarização da memória do instante perturbador”.
Cap. 27 — Orações solicitadas. Crítica à “encomenda de orações” como “atavismo das preces pagas”. A prece é exercício pessoal intransferível: “Transferir a oportunidade, para que outrem a frua, é negar-se à conquista do equilíbrio emocional e da plenitude espiritual”.
Conceitos tratados
- amorterapia — conceito-título da obra (cap. 22), cunhagem joanniana explícita.
- medico-interno — sistema autorreparador comandado pela mente (cap. 20).
- dor — tipologia funcional-pedagógica dor-elevação/dor-conquista/dor-resgate (cap. 21).
- depressao — um dos três inimigos com terapia pela prece (cap. 7).
- jesus-psicoterapeuta — Jesus como Modelo Ideal e síntese ânima/ânimus (cap. 1).
- planejamento-reencarnatorio — programa pré-encarnatório como antídoto à autocompaixão (cap. 6).
- provas-e-expiacoes — sofrimento como técnica educativa, não punição (cap. 17).
- lei-de-justica-amor-e-caridade — base doutrinária da amorterapia.
- nao-julgar — perdão como “esquecimento providencial” e “luarização” da memória (cap. 19), articulado com a abstenção do juízo condenatório.
- prece — prece como exercício pessoal intransferível (cap. 27).
- caridade — amor, perdão e serviço como tríade da autorrealização (cap. 18).
Personalidades citadas
- joanna-de-angelis — Espírito autor.
- divaldo-franco — médium psicógrafo.
- jesus — Modelo Ideal da Humanidade, “Pacificador de todas as vidas”.
- allan-kardec — exemplo de fé raciocinada (cap. 10) e modelo de não-polemizar (cap. 3 — “Allan Kardec, atacado por adversários gratuitos e amigos que não lhe correspondiam à afeição, jamais se defendeu, debateu, polemizou, no campo da vulgaridade”).
- paulo-de-tarso — citado em Hebreus 12:7 (cap. 17).
Personalidades históricas mencionadas (sem página na wiki)
- Casos evangélicos como tipologia do arrependimento (cap. 9): Simão Pedro, Maria de Madalena, Zaqueu, Judas Iscariotes.
- Mártires e exemplos de fé: Joana de Cusa (séc. I, cap. 26), Jan Huss, Joana D’Arc, Giordano Bruno.
- Exemplos de fé na história da ciência e cultura (cap. 10): Ignaz Semmelweis, Thomas Edison, Cristóvão Colombo.
- Exemplos de “sucesso” mundano vs. interno (cap. 15): Júlio César, Nero, Hitler (sucesso mundano); Gandhi, Pasteur (sucesso interno).
- Mitologia/cultura clássica: Sísifo (cap. 24, sobre inteireza moral); Milton (cap. 28).
Divergências com Kardec
Nenhuma divergência estrutural identificada. Pontos sensíveis avaliados como desdobramentos, não divergências:
- Crítica à “Divindade punitiva” (cap. 20) — alinhada à doutrina kardequiana das penas como pedagógicas (LE, q. 1009-1010; ESE, cap. VIII; C&I, 1ª parte, caps. VI-VII).
- Releitura do perdão como “esquecimento providencial” (cap. 19) — alinhada a C&I 2ª parte cap. VIII e ESE cap. X (Bem-aventurados os que perdoam). Joanna explicita que “o verdadeiro perdão somente é possível quando ocorre o olvido pleno ao mal”, em sentido pastoral, não revisionista.
- Amorterapia — estende, não contradiz, a lei-de-justica-amor-e-caridade (LE, q. 873-919) e ESE cap. XI (item 9 — amar os inimigos).
- Crítica à encomenda de preces (cap. 27) — alinhada à doutrina kardequiana da prece como ato pessoal (ESE cap. XXVII), não como transação remunerada.
Fontes
- Joanna de Ângelis / Franco, Divaldo Pereira (psicografia). Desperte e Seja Feliz. Salvador: LEAL — Livraria Espírita Alvorada Editora, 1996. 11ª ed., 2013, 136 p. Série Psicológica vol. 7. ISBN 978-85-61879-90-7. Edição: dpf-ja-08-desperte-e-seja-feliz.
- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. Q. 258-262 (escolha de provas), q. 873-919 (Lei de Justiça, Amor e Caridade), q. 1009-1010 (penas pedagógicas) como ancoragem de respectivamente cap. 6, cap. 22 e cap. 20.
- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. Cap. V (Bem-aventurados os aflitos), cap. X (Bem-aventurados os que perdoam), cap. XI (Amar o próximo como a si mesmo), cap. XXVII (Pedi e obtereis) como ancoragem dos eixos terapêuticos.
- Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. Trad. Manuel Quintão. FEB. 1ª parte, caps. VI-VII (penas progressivas e medicinais); 2ª parte, cap. VIII (“História de um empregado doméstico” — convergente com cap. 19).
- Bíblia. Hebreus 12:7 (cap. 17, citação nominal pelo “apóstolo Paulo”); ressonâncias de Mt 5-7 (Sermão da Montanha) ao longo de toda a obra.