Psicografia

Definição

Escrita dos Espíritos pela mão de um médium. Do grego psiké (alma) e graphô (escrevo). O médium escrevente é chamado psicógrafo (LM, 2ª parte, cap. XXXII — Vocabulário espírita).

Ensino de Kardec

Psicografia indireta e direta

  • Indireta: o médium coloca as mãos sobre uma cesta ou prancheta (com lápis adaptado), que é movida pelo Espírito. Foi o primeiro método para obter comunicações escritas extensas (LM, 2ª parte, cap. XIII, item 152).
  • Direta ou manual: o médium segura o lápis diretamente na mão. Substituiu a cesta/prancheta “como mais cômodo e simples” e tornou-se o método predominante (LM, 2ª parte, cap. XIII, item 157).

Variedades de médiuns psicógrafos (itens 178–184, 191)

TipoMecanismo
MecânicoA mão recebe impulso involuntário; o médium não tem consciência do que escreve. “Muito raros” (LM, 2ª parte, cap. XV, item 179)
SemimecânicoO médium sente a impulsão na mão, mas tem consciência parcial das palavras à medida que as forma (LM, 2ª parte, cap. XV, item 181)
IntuitivoO Espírito transmite o pensamento ao Espírito do médium, que o traduz em palavras; a distinção com o pensamento próprio exige experiência (LM, 2ª parte, cap. XV, item 180)
InspiradoO pensamento é sugerido de fora, sem escrita automática; distingue-se por sua espontaneidade e superioridade em relação às ideias habituais do médium (LM, 2ª parte, cap. XV, item 182)

O papel do cérebro

Mesmo na psicografia mecânica, “o cérebro desempenha sempre um papel ativo” — o Espírito do médium serve de intermediário inteligente (LM, 2ª parte, cap. XVI, item 187, nota dos Espíritos; cap. XIX, item 223, 9ª–10ª).

Distinção de pneumatografia

A pneumatografia (escrita direta) é produzida pelo Espírito sem auxílio da mão do médium — fenômeno de ordem física, muito raro e “muito fácil de ser imitado pelos trapaceiros” (LM, 2ª parte, cap. XVI, item 187).

Aplicação prática

A psicografia é o principal meio pelo qual o movimento espírita recebeu os ensinos doutrinários e continua sendo a forma mais comum de comunicação mediúnica escrita nos centros espíritas.

Casos notáveis

Victor Hugo via Divaldo Franco (1970–)

Em abril de 1970, no Rio de Janeiro, o Espírito de victor-hugo apareceu a Divaldo Franco e iniciou a psicografia de romances. O primeiro foi escrito em 20 dias (408 páginas, corpo 8), com detalhes históricos verificáveis (pórtico em Siena, Itália). Victor Hugo escrevia os capítulos fora de ordem para que Divaldo não interferisse com suas emoções. Até ~2023, já somavam 11 romances. Divaldo distingue os Espíritos pelo estilo: Hugo é minudente, Joanna de Ângelis é sintética, Marco Prisco é ainda mais conciso — critério recomendado por Kardec (LM, 2ª parte, cap. XXIV). Ver quando-o-invisivel-se-torna-inevitavel.

Meimei via Chico Xavier (1948)

Em Pedro Leopoldo (MG), Chico Xavier psicografou 30 páginas de meimei, esposa de Arnaldo Rocha falecida um mês após o casamento. De olhos fechados, luz acesa, sem erro de ortografia, a mensagem trazia detalhes íntimos e referências a existência anterior compartilhada. O caso converteu o marido ateu. Ver quando-o-invisivel-se-torna-inevitavel.

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Fontes

  • Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. FEB. Caps. XIII (itens 152–158), XV (itens 178–184), XVI (itens 187–196).